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A terceira idade precoce e o part-time no McDonald’s – Joana Camacho

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Cheguei àquele momento deprimente da minha vida em que me apercebo que a terceira idade se aproxima. Podem dizer o que quiserem, mas não me venham com a conversa de que o facto de eu sair sempre do banho com os dedos enrugados é mera coincidência. Se isto não é um argumento a favor da minha teoria do envelhecimento, então o que é? Mas isto até nem é o mais grave. Dedos enrugados? Nada que um lifting não resolva. Se bem que a ideia de realizar uma operação cirúrgica depois de cada banho não me soa economicamente rentável, mas suponho que, se arranjar um trabalho em part-time no McDonald’s, consigo cobrir as despesas extra.

O verdadeiro momento em que nos apercebemos do nosso envelhecimento… é quando já não temos de mentir, quando a internet nos pede para certificarmos que temos mais de 18 anos, para podermos entrar num dado site. Todos nos sentimos rebeldes, quando transgredimos as regras cibernéticas – portanto esta coisa de afinal já ser verdade, é uma chatice, porque impede a nossa necessidade de manifestar rebeldia.

Mas: calma! Podem sempre mentir relativamente a terem lido as condições de utilização. Sim, porque todo o ser humano (possuidor de um elemento raro da atmosfera terreste designado de: vida) tem mais que faça do que ler páginas e páginas repletas de letras minúsculas que não nos dizem rigorosamente nada de novo nem cultivam o nosso saber intelectual.

Aliás: quem é o indivíduo que escreve aquela conversa toda? Claramente alguém que sofre de miopia (tendo em consideração o tamanho microscópico das letras) e que não tem nada de melhor para fazer. No entanto, isso não é desculpa! Eu também sofro de miopia, e não me veem aqui a escrever cinco mil quatrocentas e noventa e sete páginas de condições de utilização, só para chatear as pessoas e obrigar as mesmas a infringirem um mandamento qualquer da Lei de Deus, não é?

Quanto aos restantes sintomas de velhice, a culpa é dos meus pais, porque não tiveram uma descendente normal. E damos o caso por encerrado.

Agora, retiro-me. As leis da termodinâmica e o cálculo de limites notáveis aguardam-me. E, já agora: querido exame, se eu tenho uma nota não-aceitável, mato-te a ti e à tua família (sim, o cão também). E ainda te furo os pneus do carro. Só por causa das coisas. Portanto: pensa nisso. Não te queiras meter comigo… eu conheço pessoas. Cof cof.

Caras pessoas que me leem: caso, por alguma razão, tencionem subornar a autora deste texto, permitam-me que vos deixe uma sugestão… chocolates. Montes e montes deles.

JoanaCamachoLogoCrónica de Joana Camacho
A parva lá de casa

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