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A Uber do ponto de vista feminino

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Olá leitores, enfadados com a greve dos taxistas? Eu também! Precisaram de um táxi para a vossa tia Joaquina se deslocar ao hospital, para uma consulta marcada e deram com o nariz na porta? Eu também não! Vamos ser realistas e ligeiramente impiedosos: Estamos em 2018, já existem carros que não precisam de condutor, plataformas electrónicas que irão substituir as tradicionais garagens, telemóveis que identificam a impressão digital do usuário, até fraldas com um alarme para que os pais saibam quando devem limpar o cocô aos putos, não acham a greve dos taxistas uma grande birra desnecessária? A serio que estão há cinco noites acordados, à espera das sandes de presunto da Maria e da cervejinha do irmão Manel, que por acaso também é taxista? Em causa está a implementação da lei da regulamentação das plataformas electrónicas de transporte, que entrará em vigor em Novembro, e da qual os taxistas discordam. Eles sim, eu não.

Foi nas férias deste ano que utilizei pela primeira vez os serviços da Uber, na cidade do Porto e varias vezes na cidade de Lisboa. Fiquei tão fascinada pelo serviço ( sabem que eu sou uma observadora nata, reparo em todos os pormenores, e quando se trata de motoristas e fardados…), que será de todo impossível recorrer novamente aos serviços de um táxi. Os motivos são muitos: facilidade em requisitar os serviços da Uber, com dois, três cliques sabemos quanto tempo vai demorar o carro da Uber a chegar ao local onde nos encontramos, o valor estimativo, mas muito real, que iremos pagar pela viagem, durante os poucos minutos que aguardamos pela chegada do motorista, temos acesso através do dispositivo móvel, do nome do motorista, assim como do trajecto que ele está a efectuar, se o motorista parar para ir fazer chichi no meio da estrada nós vamos saber, se o motorista parar a meio da trajecto para despejar no pinhal um corpo de um tipo que ele matou e guardou no porta bagagem, nós vamos saber. A simpatia, postura – forma elegante no vestir, falar, estar – cheiro a perfume masculino ( daquele mais caro que só as mulheres experientes conhecem ), disponibilidade em conversar caso o cliente esteja interessado, nada de conversas foleiras sobre futebol, aguas disponíveis, possibilidade de abrir as janelas sem o motorista a resmungar, não temos de ouvir o motorista perguntar: “Ó amigo, isto fica fica perto de não sei o quê e para os lados de não sei onde?”

O automóvel sempre impecável, limpo, com aroma agradável, nada de cigarros e mofo, descaracterização do automóvel que confere mais elegância aos passageiros, frota variada de automóveis, sabem leitores, este rabo sentou num Dacia Lodgy, num Seat Leon, num Fiat, num Toyota Auris e num Mercedes-Benz, é meus caros, eu não prezava a variedade mas mudei de opinião depois destas viagens. Variedade é o que podemos dizer também dos motoristas, equiparado a um menu de um restaurante caro do qual não sabemos o que comer, desde o madrugador atencioso, ao cinquentão de Sintra, sem esquecer o simpático lisboeta que nos levou ao estádio do nosso glorioso Benfica ( não acredito que acabei de escrever esta merda ), todos eles, sem excepção, repito sem excepção, eram dignos de uma filha apresentar à sua mãe como futuro genro, até lhe sorriam os olhinhos de tanta satisfação!

A melhor parte é, sem  dúvida, sabermos sempre quanto vamos pagar, não há espaço para manobras do condutor, não há transacções de dinheiro físico, não há a preocupação se temos dinheiro suficiente para pagar o serviço, no final podemos deixar uma nota positiva ( nota vinte chega? ) sobre o condutor. A esta hora talvez a greve já tenha terminado, os piqueniques nas praças também e esta crónica de opinião seja desnecessária, o que é realmente necessário e até imprescindível é que a Uber fique e se mantenha por cá muito tempo, afinal, aqui a portuense já está em pulgas para sentar o rabo num Mercedes algures por aí.

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