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Muita coisa aconteceu desde que escrevi pela última vez no Mais Opinião. Vou tentar sintetizar, sendo o mais objectivo possível. Não deixa de ser uma opinião e, por conseguinte, subjectiva. Portanto, reformulando, o melhor é dizer que vou tentar ser claro e sucinto.

Incêndios: o caso específico de Pedrogão

Quando há vitimas mortais – e basta haver uma vitima, porque é bem mais precioso que qualquer Estado deve tudo fazer para preservar – é normal que se procurem responsabilidades. Mas isso cabe às autoridades de investigação criminal. Cabe à Policia Judiciária (PJ) e Ministério Público (MP), apurar responsabilidades criminais, se as mesmas existirem. Acho inútil estarmos a discutir algo que o Ministério Público está a investigar e sobre o qual ainda não atingiu quaisquer conclusões.

Dito isto, acho inconcebível que quaisquer partidos, sejam os que apoiam o governo seja a oposição, utilize uma tragédia desta dimensão (apesar de, como disse, bastava haver uma vitima para ser uma tragédia) para retirar dividendos políticos.

Acrescento que deveriam ser criadas condições – espero que o estado de calamidade pública decretado hoje ajude – para que as burocracias não atrasem o apoio às pessoas que perderam os seus bens, as suas casas ou os seus entes queridos. Tudo deve ser feito o mais rápido possível para colmatar a perda, porque repará-la (na totalidade) será impossível.

Sobre os Incêndios

Eu tenho uma aplicação instalada no telemóvel, aplicação do site fogos.pt, que aconselho a quem se quiser manter a par dos alertas de incêndio na sua área e do desenvolvimento do combate aos mesmos. E é frequente receber notificações da mesma (pode escolher não receber nas definições da aplicação) durante a madrugada com novas ignições. Embora não seja impossível, é muito (mas muito) improvável que tenham origem natural. Dá a entender que a maioria é fogo posto e/ou actos involuntários/descuidados (um cigarro mal apagado jogado pela janela do automóvel, por exemplo). De uma forma ou de outra, são actos provocados por alguém. Há quem ache que há “terrorismo” nestes actos, que há interesses económicos relacionados com a industria do papel, que há negligência nos proprietários que não limpam as suas propriedades. Eu não sei o que se passa e, para descobrir, existe a PJ e o MP. Mas gostaria que as pessoas tivessem a consciência das consequências dos seus actos. Um cigarro ou uma fogueira mal apagada pode iniciar um incêndio. Uma garrafa partida na mata, com o sol a incidir na mesma, pode provocar uma ignição. Mesmo nas pessoas – claramente atingidos por algum tipo de demência, pontual ou constante – que gostam de ver arder, perto deles ou na tv, e tudo o que o combate ao fogo implica, não têm com certeza a noção de que podem provocar a morte de muita gente com isso. Devíamos apostar mais na prevenção, na sensibilização e na fiscalização pelas autoridades.

Tragédia na Madeira

Sobre a terrível tragédia, quero apenas manifestar o meu pesar às famílias atingidas por este infortúnio da árvore que caiu. Cabe mais uma vez à PJ e MP averiguar as responsabilidades. Até o fazer, temos de ajudar psicologicamente as famílias enlutadas a ultrapassar este momento traumático.

Sendo coerente com o que disse antes, espero que haja a decência de não aproveitar a tragédia para retirar dividendos políticos. As vitimas da tragédia merecem respeito.

Ataques terroristas

Qualquer acto terrorista é e sempre será hediondo e condenável. Seja em Espanha – como foi esta noite em Barcelona -, seja em qualquer outro país no mundo. E embora seja utópico pensarmos que conseguimos prevenir todos estes ataques, temos de estar atentos e ajudar as autoridades a evitá-los ao máximo.

Espero que as autoridades consigam rapidamente capturar os suspeitos, de forma a serem entregues à justiça para uma condenação exemplar, caso se prove a sua culpa. Os meus pêsames em especial a todos aqueles que hoje em Barcelona perderam os seus entes queridos. Mas é extensível a todos aqueles que, em todo o mundo, passaram pela mesma situação traumática.

Muitos de nós na Europa pensamos que, com o cessar fogo de organizações como a ETA ou o IRA, estávamos a salvo do terrorismo. Mas ele está de volta. E se bem que os atentados daquelas duas organizações separatistas foram muito mais sangrentos do que os que temos assistido, uma vida é uma vida e temos de proteger todas.

 

Crónica de João Cerveira
Este autor escreve em português, logo não adoptou o novo (des)acordo ortográfico de 1990

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