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Ai, que temos a sopa entornada!

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Acabei de retirar, neste preciso instante, o último pedaço de sopa que ainda residia no teclado do meu portátil. “Porque é que tinha sopa no teclado do computador?!” Pois… Não sei. Talvez estivesse a guardar para os tempos difíceis que se avizinham… DAHH!

Que pergunta idiota, meus amigos! Porque raio é que vocês acham que eu tinha sopa no teclado do portátil? Ham…?! A sopa estava lá porque comecei a introduzir os alimentos sólidos na rotina alimentar da minha filha. E, como podem calcular, correu às mil maravilhas, não é verdade?!

Antes de mais permita-me que partilhe consigo algo que me intriga deveras: porque raio é que se chama “alimentos sólidos” a sopas passadas e frutas esmagadas? Ok, é certo que tendo em conta que antigamente ela só bebia leite materno, comer legumes triturados e fruta moíada deve ser o equivalente a uma costeleta de novilho. Mas ainda assim parece-me um pouco exagerado. Chamem-lhe “alimentos espapaçados”, ou “alimentos molinhos”, ou até “alimentos nhecos-nhecos”. Agora, “alimentos sólidos”, isso parece-me um pouco duro de mais.

Agora que já esclareci este ponto vou passar a descrever o quão maravilhosos têm sido estes últimos dias para mim…

A introdução dos “alimentos sólidos” é algo que faz parte da vida de todas as crianças. Umas mais cedo, outras mais tarde. No caso da minha cachopa esta etapa começou um pouco antes dos 4 meses. Porquê?! Primeiro porque eu estava de férias e segundo porque mais vale 4 mãos a tentar enfiar comida, goela a baixo, de uma criança, do que 2.

5ª feira – 26/11/2015 – Um dia que ficaria para sempre marcado na história das nossas vidas (e nas paredes da cozinha também…). A ementa estava decidida: sopa de cenoura, abóbora e batata doce – começa-se com pouca coisa, não vá a miúda ser alérgica a algum alimento e desate para ali a “empipocar” – e de sobremesa tínhamos maçã cozida.

Assim que chegou a hora da refeição eis que começaram as dúvidas: “Então e agora?! Onde é que eu ponho a miúda? Agarro-a ao colo? Sento-a na espreguiçadeira? Numa cadeira?!” (Tenho a dizer que dar “alimentos sólidos” a um bebé que nem sequer sabe sentar-se à mesa não é correcto. Para mim a criança antes de comer “sólidos” tinha de conseguir sentar-se sozinha, segurar a colher, e de preferência levá-la a boca sem ajuda. Imagine o leitor o que é ter de agarrar no bebé ao colo com um braço, enquanto segura a colher com o outro, ao mesmo tempo que tenta evitar, a todo o custo, que ela jogue as mãos à boca, à sopa, aos seus cabelos e ao prato onde está a comida. E claro, tudo isto enquanto faz macacadas” para a distrair…). Se para o adulto isto não é fácil imagino para o bebé.

Colocam-no a comer num sítio diferente, com um babete esquisito meio plastificado, através de um objecto estranho, e para piorar um pouco a situação a comida sabe diferente do habitual. Certamente que o leitor também não gostaria. Imagine agora que alguém o agarrava à força, vestia-lhe um fato de latex, amarrava-o a uma cadeira com pregos, algemava-o à mesa e depois introduzia-lhe algo estranho dentro na boca. Horrível, não é verdade?! Claro que sim! (Isto partindo do principio que o leitor não é um fã ávido das 50 Sombras de Grey. Senão o que acabei de descrever até pode parecer uma experiência maravilhosa….). Por isso, para a minha piquena que não curte da cena do S&M (pelo menos que eu saiba) deve ter sido uma tortura.

Só posso imaginar o que lhe terá passado pela cabeça:

«Epá que babete esquisito é este?! Os meus meus pais andam com uns gostos deveras estranhos. Mas tudo bem, consigo viver com isto, venha de lá essa maminha. Olha, o pai hoje está aqui a ver… Não é normal. Mas pronto, se a mãe costuma dar-me de mamar em frente aos avós porque raio é que o pai não pode ver?! Venham mas é de lá essas maminhas que eu tenho fome. Mas… Ei… Ei… O que se passa aqui?! O que é isto mamã?! Que coisa é essa… AHHHHHH! Nham, nham, nham, blhark, blhark, nham, nham… AHHH!!! Olha, esta colher veio mais doce que a outra. Nham, nham, nham…Eh! Já estou farta disto. Deixa-me cá chorar… BUUUUAAAAHHHHH!!! BUUUUAAAAHHH!»

E pronto, deve ter sido mais ou menos isto que aconteceu. A criança estranhou imenso a colher mas gostou do comer, detestou o facto que ter de mastigar a comida, e adorou quando puxou o prato para cima dela e caiu tudo para o chão. Contas feitas foram as 10 colheres de sopa e 15 colheres de maçã cozida mais agitadas da minha vida.

Assim foi primeiro dia dos “alimentos sólidos”. O segundo foi melhor. O terceiro foi pior. E os restantes têm sido excelentes. Pelo menos para mim, que já estou a trabalhar e deixei esta dura tarefa apenas para a minha mulher. (Pelo menos durante a semana.)

“Ai! Ai! Mãe Sofre! (Sim, hoje é diferente. É que neste caso quem tem vindo mesmo a sofrer é a minha querida esposa e não eu. Felizmente!)

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