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Apalpador profissional, uma profissão de risco…

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Existem variadas profissões que são consideradas como profissões de risco, ou de rápido desgaste. Algumas delas – não todas, obviamente, pois estamos em Portugal… – são recompensadas com um subsídio condizente – dizem eles, os denominados “entendedores na matéria”. Mas, apesar disto, existem algumas dessas profissões que, apesar de serem profissões de risco, não são vistas, pela sociedade em geral, como tal. Falo, obviamente – e olhando para o título desta crónica é fácil lá chegar… – dos apalpadores profissionais.

Não se assuste, caríssimo leitor, porque não estou a referir-me àqueles pervertidos que andam pelas ruas do nosso país a apalpar as moçoilas que circulam na via pública. Nem dos malandrecos dos petizes que – a meu ver, mutíssimo bem! – passam o período escolar a apalpar o rabiosque às colegas de turma. Pois eu próprio já passei por essa fase e devo acrescentar que são tempos escolares maravilhosos. Refiro-me sim, àqueles energúmenos que, quando se deslocam a um supermercado, passam horas da sua vida a apalpar todas as peças de fruta que a sua visão consegue alcançar.

Habitualmente, esses “meliantes do supermercado” possuem uma idade já avançada. E, como tal, apropriam-se da sua experiência de vida como desculpa para cometerem os delitos. Todas as peças de fruta que pretendem adquirir têm de ser apalpadas de forma veemente, antes de serem adquiridas. Porque eles, devido à sua experiência, possuem os melhores conhecimentos do que se trata, efectivamente, de fruta em condições. Confesso que tenho alguma inveja deles, pois com o simples gesto de apalpar, conseguem normalmente descobrir qual a melhor peça de fruta. Eu não, e acabo sempre por escolher a pior fruta que por lá se encontra naquele absurdo aglomerado de fruta. Eles sabem através do apalpão que, apesar de a fruta possuir um aspecto brilhante e apetitoso, pode muitíssimo bem não estar suficiente boa para consumo.

Por norma, eles conseguem sempre passar-me a perna. Quando chego ao supermercado, e me dirijo à secção da fruta, eles estão sempre lá, de volta da fruta, usufruindo do seu “dom” de apalpação. Eu aproveito, e coloco-me ao seu lado tentando perceber qual é o segredo. Mas nunca consigo. Eles apalpam tudo. Levam horas naquilo e eu não possuo o mesmo nível de paciência que eles têm, e acabo sempre por desistir e virar-me para as peças de fruta mais bonitinhas. E acabo sempre por, mais tarde, em casa, proferir valentes impropérios quando constato que a fruta, apesar de bonitinha e reluzente, simplesmente não presta. E fico a imaginá-los, no recanto do seu lar, a degustar peças de fruta maravilhosas.

Mas eles possuem uma profissão de risco. Porque, simplesmente, estão expostos a serem alvo de violência física ou mesmo verbal. Por duas razões. Primeiro, porque quando eles estão a exercer a sua profissão, outros com a mesma profissão o estão a fazer. E gera-se autênticas olimpíadas do apalpanço (temo que esta palavra não exista, mas corro o risco na mesma…), onde ganha quem apalpar mais fruta e escolher as melhores peças. Deveriam existir júris nesses supermercados a organizar a coisa. Quem apalpasse mais fruta e descobrisse as melhores peças, ganhava um saco cheio de fruta verde para apalpar em casa e assim treinar as suas aptidões de “apalpador profissional”. Segundo, porque eles rapinam a melhor fruta que existe. E isso pode ser muito prejudicial para eles, quando existem pessoas – como é o meu caso! – que não possuem qualquer tipo de paciência para apalpar fruta e, quando chegam à secção da fruta, se deparam com mais fruta podre – derivado de tanto apalpão sem dó nem piedade – do que propriamente fruta em condições. O que, convenhamos, revolta um bocadinho.

O estado português devia facultar um subsídio de risco a esta malta devido à profissão que exercem. Ou então um valente par de estalos. Fica a dica…

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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