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Apontador – uma profissão de sonho…

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Existem profissões para todos os gostos e feitios. Mas, depois, existem profissões que não podem nunca deixar alguém orgulhoso de as ter no seu currículo. Como, por exemplo, a profissão que decidi abordar hoje em mais uma crónica “Vida de Cão”. E atenção caro leitor que, para mim, esta é, sem sombra de dúvida, a profissão mais ridícula de todo o sempre. E se o leitor achar que estou a ser demasiado exagerado, então eu arremato com as seguintes palavras para mudar a sua opinião: “cavalo”, “égua”, “cobaia”, “sémen”, “vagina” e “apontador”. Intrigado? Eu passo a explicar.

Pode parecer ridículo, mas existem pessoas (ou direi antes “profissionais”?) habilitadas a serem intituladas de “Apontador”. E o que é um “Apontador”? Calma, que eu explico tudo. Um Apontador é uma pessoa que, pacientemente, espera que um cavalo decida “cavalgar” numa égua para então entrar em acção e fazer aquilo para que lhe pagam ao fim do mês: apontar uma vagina ao pénis do cavalo. Quando falo em vagina, estou a referir-me a uma espécie de “vagina artificial”, construída para o propósito da recolha de sémen – neste caso, de cavalo. Sémen esse que depois pode servir para uma data de veterinários analisarem com o intuito de ser usado para a inseminação artificial e outras coisas mais. O que, convenhamos, deverá ser muito chato, pois imaginemos um desses veterinários chegar a casa depois de um dia de trabalho e o filho perguntar-lhe ao jantar:

Filho: “Papá, o que fizeste no trabalho hoje?”

Veterinário: “Eu, filhote? Então, eu… eu… como dizer isto… então o papá esteve a fazer um trabalho muito importante para o desenvolvimento do futuro da espécie humana e tal…”

Filho: “Ai sim, papá? Isso parece algo muito importante… Como é esse trabalho?”

Veterinário: “Então… é… Pá, estive a mexer em sémen…”

Filho: “Sémen…? O que é isso?”

Veterinário: “Caraças do puto… São espermatozóides, pronto!”

Filho: “Blargh! Que nojo! Mamã, perdi a fome…”

Mas se para este tipo de veterinário pode ser horrível chegar a casa e ter de explicar o que faz ao seu filho, imaginemos então o terror que deve ser para um “Apontador” a mesma situação.

Filho: “Olá, papá. Como correu o teu dia hoje?”

Apontador: “Olá, filhote. Foi bom… Quer dizer, foi mais do mesmo… Passou-se, pronto.”

Filho: “Papá, qual é a tua profissão, mesmo?”

Apontador: “A minha profi… então, o papá é Apontador!”

Filho: “Ah, está giro… E o que faz um Apontador, papá?”

Apontador: “Raio do puto… Eh pá, um Apontador mexe com vaginas e pénis de cava…”

Filho: “PAPÁ, TU ÉS UM PROXENETA?!”

E pior ainda para um Apontador, o Dia Mundial das Profissões deve ser um autêntico filme de terror. Imaginem um Apontador numa sala de aula repleta de petizes, tentando explicar que o seu trabalho é simplesmente apontar o pénis do cavalo a uma vagina artificial para a recolha de sémen. Não me parece que vá sair da sala de aula debaixo de palmas e fortes elogios, com alguns dos petizes a entoarem: “Quando for grande quero ser Apontador!”

Mas há que reconhecer que ser Apontador é viver diariamente as 8 horas do seu dia de trabalho no perigo. Por variadíssimas razões, porque se analisarmos bem a questão, existem mil e uma coisas que podem vir a correr mal. E, convenhamos, ninguém deverá gostar de chegar às urgências de um hospital e, perante a seguinte pergunta do médico “Eh homem, como você tem isso! Como é que você fez isso ao olho…?”, simplesmente responder:

“Então, shôr doutor… Foi o pénis de um cavalo!”

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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