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As fábulas dos famosos – Cristiano Ronaldo e a foca amestrada

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Era uma vez um circo onde a grande atração era um malabarista chamado Cristiano Ronaldo. Era tão hábil a lidar com umas bolas de trapo, que rapidamente os colegas lhe puseram o epíteto de Ronaldo, o habilidoso.

Dando sinais de destreza, o malabarista conseguia equilibrar seis bolas no ar ao mesmo tempo, como se tivessem a prendê-las ao teto da tenda, fios invisíveis de nylon que as impediam de se esparramarem no chão, aos seus pés.

Numa ocasião, estava Ronaldo a ensaiar no palco principal um número com dez bolas, que não conseguia agarrar como se tivessem picos, mais parecendo ter saído da imaginação de um faquir, quando vinda dos bastidores surgiu uma foca amestrada, de pele muito lisa e reluzente, como se a tivessem untado com uma espécie de óleo Johnson logo a seguir a ter tomado um banho a retemperá-la de um grande esforço.

Arrastava-se languidamente de nariz empinado e com o focinho formando um bico suportava o peso de uma bola muito grande cujo peso, pelo ar aliviado dele, devia variar inversamente ao seu tamanho.

Como era extremamente vaidoso, o malabarista nem desviou a atenção do que estava a fazer, convencido de que o animal não tinha capacidade para, com ela, fazer um número que, no grau de dificuldade, rivalizasse com o seu.

Nesse instante, a foca derrapou numa zona onde o chão estava húmido e o esférico escapou-lhe ao controlo do focinho, onde pontificavam uns bigodes a que, pelos vistos, ninguém se tinha lembrado de atá-lo. Dessa vez, nem com um salto Ronaldo conseguiu evitar que o imenso objeto lhe embatesse nas pernas, provocando um desequilíbrio momentâneo que teve como consequência as suas dez bolas irem uma a uma de encontro ao solo, como se fossem uvas maduras de um cacho pendurado à altura das suas mãos.

Prontamente, o malabarista ralhou com a foca, insurgindo-se contra o que ela estava a fazer, incitando-a a deixá-lo em paz e a parar de fazer a coisa de que mais gostava e que era brincar com aquele objeto redondo enquanto o seu tratador não lhe dava outra coisa para fazer.

O animal pediu desculpa ao malabarista, mas em vão. “Desculpa lá!”, Disse-lhe a foca envergonhada, “eu não te queria perturbar! Se quiseres ajudo-te a apanhar as bolas e já podes recomeçar o teu treino. ”. Contudo, Ronaldo, que era perfeccionista e não admitia erros, não tolerou o pedido de desculpas e pôs-se a desancar o animal, em termos pouco apropriados. “Sua foca fedorenta, vai-te embora! És uma desastrada! Quem foi que disse que eu preciso da tua ajuda?! Desaparece da minha vista! Além disso não quero ficar com as bolas a cheirarem a peixe. ”.

A foca foi-se dali embora muito triste e enfiou-se em casa a chorar, porque não tinha memória de ter sido tão enxovalhado por alguém, tão humilhado que até teve vontade de voltar a viver ao frio, no ciclo glaciar antártico, longe das pessoas mas onde, na companhia dos familiares e amigos, em melhores condições estava para sentir o conforto do calor humano. Num acesso de choro, teve vontade até de não comparecer para atuar no espetáculo que ia realizar-se no dia seguinte.

Quem não pensava em faltar era o nosso conhecido Ronaldo, célebre malabarista que adorava exibir os seus dotes de artista. Na manhã desse dia radioso, acordou bem-disposto, foi tomar um banho e perfumou-se muito bem antes de sair à rua, todo aperaltado numa fatiota feita por medida que realçava o seu corpo musculoso, como se estivessem à espera de vê-lo passar algumas das pessoas que, após vê-lo atuar, se tornariam suas fãs.

Esperava ter uma atuação de sonho e, por isso, a menos que o dia terminasse ali, com o espetáculo a ser cancelado, estava certo de que dali a umas horas quando acordasse tornaria a sentir-se bem.

Caminhava descontraidamente, quando afundou e torceu o pé direito num buraco camuflado pelas folhas de uma árvore caduca. Sentou-se no chão, agarrado ao pé dorido e ficou ali a queixar-se até que apareceu a foca, desta vez já sem bola depois de ter passado a noite a refletir que não valia a pena sentir-se triste pelos comentários depreciativos de uma pessoa por quem nem sequer tinha um pingo de admiração.

“Olá, estás aí a descansar?”, Disse-lhe ela, detendo a marcha em direção à tenda principal do circo que era para onde se deslocava. “Não vês que me magoei? Preciso da tua ajuda para me levantar.”, Respondeu ele, com melhores modos do que dantes, quando ela inadvertidamente fez tombar as bolas.

Então a foca, que fez menção de se afastar, retomou a sua marcha e Ronaldo ficou preocupado. “Não te preocupes!” Sossegou-a a foca. E concluiu: “Vou-me embora, mas fica descansado. Vou chamar alguém para te ajudar. Eu é que não posso ir aí. Agarravas-te às minhas barbatanas para te puxar e depois ficavas com as mãozinha fedorentas, a cheirar a peixe.”.

Não se sabe se Ronaldo se arrependeu das acusações que fez à foca, mas continuava a resmungar enquanto o levavam amparado de volta à tenda, porque pela primeira vez, desde há muito, alguém se tinha atrevido a dar-lhe uma lição.

FIM

Moral da História:

Não menosprezes ninguém hoje, mesmo que não estejas a pensar em pedir-lhe ajuda amanhã.

 

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