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O Diário de D. Pedro

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Todos nós conhecemos a historia de D. Pedro e Dona Inês de Castro, a historia trágica de amor portuguesa, que ficou imortalizada nos imponentes túmulos de ambos no Mosteiro de Alcobaça. D. Pedro escreveu um diário após a morte da amada e é um desses tristes e penosos dias relatados por ele, que eu vou transcrever nesta crónica, para regozijo do leitor…

O Diário de D. Pedro

“7 de Janeiro de 1361

Estou só. Terrivelmente sozinho. Faz-me falta a minha Inês. As saudades desmedidas que tenho dentro do peito são tão insaciáveis quanto a fúria que carrego. Perdoar não estava nos meus planos. Vingar-me sim. Jamais esquecerei o fatídico dia, há seis anos atrás, o meu pai D. Afonso, envia os seus carrascos sem coração, Pero Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, para degolarem a minha Inês, a mulher que veio dos céus para me dar a conhecer o amor eterno, e aos céus um dia regressaremos juntos, pois a ela devo a eternidade.

Após a morte do meu pai, D. Afonso, fui coroado Rei de Portugal. Com a declaração de Cantanhede, em Junho do ano passado, obriguei todos os nobres e fidalgos da corte a curvarem-se perante a Rainha de Portugal, a minha mulher, Dona Inês de Castro e a beijarem a sua doce mão gélida. Aos  nossos filhos João, Beatriz e Dinis, quis salvaguardar as suas legitimidades genealógicas. Aos cruéis assassinos da minha Inês, arranquei-lhes o coração sem qualquer piedade pois, homens que haviam matado uma mulher inocente não podiam ter coração.

Saudades eu tenho de a envolver nos meus braços, sentir o seu cheiro, ver o seu sorriso de sol, o seu cabelo levemente entrançado, rejubilar-me com a sua formosura, saudade de percorrer o seu corpo suavemente, dois corpos já cansados, já suados, no jardim onde secretamente nos encontrávamos.

Um dia, Inês disse:

” O impossível de te ter não me resolve o tanto te querer “

E a ti, minha Inês, eu digo, nestas fieis palavras:

Que Deus assim quis, perpetuar a minha morte antes sequer de eu ter morrido. Eu sou louco por ti, e mesmo sem ti ainda te sinto em mim. A  nossa historia, o nosso amor, ficará para sempre imortalizado e nunca, em Portugal, nem por esses mares nunca navegados nem nessas terras ainda desconhecidas, se ouvirá falar de outro amor igual. Minha Inês, meu amor.”

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