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O Encantador de Cavalos – o filme

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A película norte-americana “O Encantador de Cavalos”, realizada e protagonizada por Robert Redford em finais da década de noventa o século passado, é a vários títulos um filme espantoso que volvido tanto tempo ainda merece a pena ver e rever.

A trama envolvente, baseada numa novela de Nicholas Evans, centra-se na história de amor entre uma adolescente natural de Nova Iorque e a sua montada chamada Pilgrim que, mercê de um acidente traumático em que ambas se veem envolvidas, fica numa situação aflitiva entre a vida e a morte, sem que a jovem dona, a contas num hospital com a própria recuperação que viria a revelar-se dolorosa, saiba o destino a dar-lhe para evitar vê-la sofrer.

No papel da jovem Grace, está a novíssima Scarlett Johansson, que assina um desempenho brilhante a fazer prever na sétima prever uma carreira longa e brilhante, como devia ser a de todas as mulheres no seu dia-a-dia, que têm arte e engenho para ultrapassar traumas como o de perder precocemente uma amiga de infância num atropelamento mortal ou parte de um membro inferior, que mesmo assim não as impedirá de, ao longo da vida e na maior parte das situações, serem elas a dar o primeiro passo na vivência de novas experiências.

A mãe de Grace é Annie Maclean (Kristin Scott Thomas), uma mulher fria mas que revela uma grande compaixão pelo animal, embora mantenha uma relação por vezes tensa com a filha. É uma profissional exigente no ofício de editora de uma revista de moda em Nova Iorque e na análise das situações do quotidiano busca toda a informação e, perante um problema, só se abstém de participar de forma ativa, na medida em que ache que com as suas opiniões não possa contribuir para a sua resolução.

Já o pai é o ator Sam Neil na pele de Robert um advogado de sucesso, que por não dar como perdida nenhuma causa, acredita no pleno restabelecimento da filha e que na origem desta recuperação poderá estar o facto de proporcionar-lhe um bom ambiente familiar baseado no profundo amor que sente pela mulher mas que, de certa forma, sabe não ser correspondido.

Após o atropelamento sofrido logo ao início por Grace, que vitimou mortalmente a amiga Judith enquanto montavam a cavalo, esta inicia com a mãe uma longuíssima viagem de automóvel até ao interior do Estado do Montana, como parte fundamental do processo de recuperação física e mental, em direção ao rancho onde um encantador de cavalos chamado Tom Booker vive em comunhão com a natureza, sem dela extrair muito mais do que a paz de espírito que ela lhe transmite.

A dupla de argumentistas constituída por Eric Roth e Richard LaGravanese deixou para Robert Redford, que também realizou e participou ativamente na escolha do elenco, o papel deste protagonista masculino, que na parte final do filme dá suporte à ideia de que nem sempre é à espera de um final feliz, que o espetador vê, com a máxima atenção, um filme da primeira à última cena.

Pelo meio, neste filme que foi indicado nos Globos de Ouro para melhor filme dramático e melhor realização, fica uma emocionante história de amor entre um homem e uma mulher que se conhecem e apaixonam, representando os respetivos atores duas personagens que perdurarão na nossa memória e com quem alguns de nós não se importariam de contracenar num romance que gostariam que se prolongasse por toda a vida.

Perto do fim, numa dança entre Annie e Tom (“A soft place to fall” – balada romântica nomeada nos Óscares desse ano, na categoria de melhor canção original), a tensão cresce, e é nesse momento que ficamos com a certeza de que só olhando o sol de frente é que temos uma ideia do brilho que emana do olhar de uma pessoa apaixonada.

Nota final:

Tenho para mim, que o final não coube no tempo do filme, pelo que o desenlace foi exatamente aquele que eu desejei.

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