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A estada de Madonna em Portugal é uma invenção da imprensa

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A estada de Madonna em Portugal, mais concretamente em Lisboa onde alegadamente pretende casa, é afinal uma invenção da imprensa, titulava em letras garrafais o único matutino em Portugal que se gaba de revelar sempre a verdade aos portugueses.

E isto fez-me pensar. Pensar no por quê de a própria televisão pública ter simulado, no Estádio da Luz a assistir ao encontro de Portugal com a Suíça, a presença sempre festiva de uma artista, que face à dificuldade que têm de incluí-la no panteão dos mortais, pelos maiores fans chega até a ser posto em causa que viva nos Estados Unidos.

Oiço falar dela pelas mais variadas razões, desde os meus quinze ou dezasseis anos, altura em que surgiu num single a cantar, aparentando o ar sedutor de mãe de um adolescente como eu, uma canção que a fez atingir o estrelato em menos tempo do que, hoje em dia, demorariam os seus fans a atravessar a barreira de seguranças que contratou, simplesmente para a irem cumprimentar.

Já tem acontecido, haver notícias contraditórias a propósito da visita de figuras públicas ao nosso país, mas nunca nenhuma que envolvesse uma personalidade tão mediática em todos os órgãos de comunicação social, dos jornais às televisões, dos quais nem sempre estamos à espera que nos descrevam tão bem um acontecimento nalgum lugar, de forma a vê-lo como se estivéssemos lá.

Mas também há registo de acontecimentos sem polémica. Pacífica, foi em março de cinquenta e sete, a visita de Estado da recém-empossada isabel II, Rainha de Inglaterra a Portugal, de todos os lados rodeada dos maiores cuidados como se a quisessem convencer a voltar ainda para uma estadia mais demorada até ao final desse ano.

Quanto à rainha da pop, garantem tratar-se de um embuste! Que é uma sósia, na opinião dos céticos para quem Lisboa não reúne condições de atrair a rainha de um género de música popular, que mal chegou a Portugal foi contrafeito e é hoje dado a ouvir às pessoas sob a forma de Pimba.

Já por cá passaram muitas figuras de relevo, de quem começámos a sentir saudades no momento do anúncio da data da partida. Mas jamais nenhuma tão mediatizada pelos média, como esta cantora norte-americana de ascendência italiana, de quem nunca se ouviu dizer que gostasse tanto de futebol, que nem se importaria de acompanhar a nossa seleção à Rússia, desde que depois Trump não lhe impusesse a proibição de voltar a pisar solo americano, como faz aos cidadãos oriundos dos países, que constam na lista daqueles com quem a sua diplomacia não mantém as melhores relações bilaterais.

Seria engraçado, esta falsa notícia de Madonna em Portugal, que envolveria um escândalo, confirmar-se e, afinal, não só ser verdade ela nunca ter andado à procura de casa na capital, como também tudo o que escreveram relacionado com um filho dela andar a treinar no Benfica, não passar de um fait diver à francesa, destinado a desviar as atenções da luta entre dois clubes rivais lisboetas, pela escolha do recinto onde irá atuar, correndo o menor risco de alguém vir a pedir-lhe que se atreva a dar uns toques na bola.

Pela minha parte, confesso que me encantaria ver noticiado que foram finalmente punidos os responsáveis por mentir aos portugueses, de sentido inverso aos políticos corruptos, à custa dos quais temos, mais vezes do queria desejável, chegado à triste conclusão de que certos crimes afinal compensam neste dito paraíso terrestre à beira-mar plantado.

Mas se é verdade que era ela no estádio, entre os adeptos, e em todas as ocasiões onde tem sido fotografada, então tragam-ma cá! Tragam-na a zona de Salvaterra de Magos, Coruche, distrito de Santarém, onde moro, se é verdade que a cantora passa os dias entre nós e ama tanto dos portugueses que até está a pensar seriamente em levar de um orfanato de cá, a próxima criança que vai adotar e levar mas só de visita à América, já que vai fixar residência por cá.

Poderia sair daqui com uma mão-cheia de beijinhos e levar uma caixinha de uma dúzia de bolos que são uma autêntica especialidade gastronómica da região, chamados Barretes. Barretes como aquele que andam a tentar enfiar-me há anos, a mim e na cabeça de todos os portugueses que desconfiam da paixão repentina de Madonna pelas tradições do nosso país.

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