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Rajoy já não é presidente do governo espanhol, após ter sido derrubado na passada sexta-feira pela moção de censura apresentada por Pedro Sanchéz, líder do PSOE, que contou com o apoio do Unidos Podemos e de outras forças políticas regionais com assento no parlamento espanhol. Desta forma, o PP fica arredado do poder após seis anos de governação.

Sanchéz, com menos de um quarto do total de deputados, consegue assim ser o novo presidente do governo de Espanha, através de uma singularidade inscrita no regimento parlamentar de Madrid.

Como governará Sanchéz? Para já, tudo indica para que o faça de em minoria. Irá respeitar o orçamento em vigor, aprovado pelo antecessor. Negociará muito, certamente, com as forças regionais, mas seguramente terá de contar com o Unidos Podemos, o gémeo do Bloco de Esquerda, para não deambular por caminhos mal iluminados.

Esta situação, como é sabido, ocorreu em consequência do escândalo de corrupção em Espanha, por parte do PP de Rajoy, que levou à condenação de elementos da cúpula partidária por terem um “saco azul” com que financiaram campanhas eleitorais ao longo de anos e anos. O país ficou dividido perante a iminência das consequências, mas dividido quanto à nova solução governativa.

Certo é que há que fazer com que o novo governo espanhol se legitime; tal, porém, não será de esperar, uma vez na União Europeia se têm privilegiado muito mais os governos estáveis em detrimento da democracia. Se a democracia funcionasse em toda a sua extensão, o mais natural seria a convocação em breve de novas eleições para o governo espanhol. Mas em função de um governo de Rajoy que só teve formação após meses de impasse (ao bom estilo belga), a União Europeia entenderá que a “geringonça à espanhola” será um mal menor (será melhor manter o olhar sobre a Itália governada por demagogos e nacionalistas, do que desviar um deles para Espanha).

Nuno Araújo

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