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Ilibada do crime de fogo posto

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Saltou-me como uma faúlha ao caminho, a imagem desvanecida do rosto dela que me incendiou o coração, ateando um fogo do qual eu, de bom grado, deixava atrás de mim o rasto para toda a gente saber que estava apaixonado.

Apaixonado e de maneira! Da única em que considero possível que um homem possa sentir-se satisfeito por beijar uma mulher, como se não houvesse outra carícia que pudesse fazer-lhe de maneira a melhor lhe agradar.

Ao longo da minha vida, conhecera várias mulheres que caíram de amores por mim, a quem nunca precisara de convencer a acariciarem-me com as mãos, como se dependesse do meu grau de satisfação pela sua habilidade, eu ter vontade de em troca lhes proporcionar um prazer ainda maior.

Só com Sandra tudo era diametralmente diferente. Sentia-me fascinado pela pessoa que, sem vergonha do que os outros pudessem pensar, em toda a parte onde ia, cantava e ria em voz alta, sem que eu me importasse, sobretudo de estar a fazê-lo por causa de alguma piada que eu tivesse acabado de contar.

Que maravilha seria que fisicamente ela pudesse saltar-me ao caminho! E não apenas a lembrança do rosto de maçãs rubras ao ouvir-me elogiar-lhe a grandeza de caráter, como uma faúlha de que não me queixo, por me ter ardido o peito e feito sair chamuscado de uma relação que afinal só foi eterna enquanto durou a semana de férias em agosto que passámos juntos no Algarve.

Quem me dera ela com a sua presença de espírito pudesse ela saltar-me ao caminho! Nem que fosse surpreendentemente, com a agilidade de um fugaz ladrão ao qual, mediante a ameaça de uma arma de fogo, eu não hesitaria em entregar todo o conteúdo da carteira onde só não guardo, porque não cabe, o bem mais preciso que carrego e que é o meu coração.

Que bom seria a lembrança dela inundar-me de novo os dias! Como se mais importante do que saber por onde tem andado desde que nos separámos, por termos tido de regressar cada um a sua casa em cidades diferentes, fosse saber se estava novamente disposta a deixar-me afagar-lhe os cachos de cabelo e apertá-la com a máxima força entre os braços, como se quisesse reduzi-la a uma espécie de puré que, à mistura com molho de chocolate, comeria, de dedos lambuzados, até me sentir saciado.

 

1 Comment

1 Comment

  1. Maria Isabel ribas

    05/07/2017 at 14:49

    Gostei deste lindo hino ao amor e ao desejo da presença da pessoa amada usando a anslogia di fogo ,como Camoes no seu soneto Amor é fogo sem se ver…

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