Últimas Crónicas

Kelly

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Toquei-lhe a pele, com uma sensação igual à de quando se agarra na mão de alguém a pensar que se está a mexer num seio.

Era fina, a sua pele de sereia, de cujas escamas eu gostaria de fazer um fato que me cobrisse da cabeça aos pés. O cabelo farto, vinha com densos caracóis e enrolava-se-me nos dedos, os quais por mais que pensasse não queria largar, nem ante a ideia de ela me deixar colocá-los num sítio onde passasse a desfrutar de maior prazer.

Ao meu peito, onde afloravam as emoções, encostou a cabeça e de ouvido colado à escuta, atenta ao som que ele produzia, copiou do meu coração o ritmo em que gostaria de fazer ondular as ancas.

Depois, lentamente libertou-se do meu abraço, que quase a sufocava, como quando através de um beijo uníamos durante tanto tempo as bocas, que rapidamente ficava aflita sem conseguir respirar.

Como se a separassem de mim à força, senti o corpo dela inteiro em espasmos, dando-me a entender que, no que dela dependesse, ficaria coladinho ao meu para todo o sempre.

Aproveitando um movimento de ancas, em sentido contrário ao meu, enfiei-lhe mais fundo na vagina, o meu grosso membro e lembro-me de ter-lhe segredado ao ouvido uma palermice qualquer, que teria soado melhor se a frase a meio não tivesse sido interrompida por um gemido que foi impossível conseguir abafar.

Esfreguei o buço, no peito dela, onde em lugar de um mamilo espetado, não desse com algo em que não me apetecesse enfiar a boca para chupar. Era delicioso, cada mamilo seu com um paladar próprio e o formato preciso de uma flor onde só faltava uma abelhinha depositar o pólen para enfim desabrochar.

Eram brancos da cor da cera e lisos, como a paisagem de cujas planícies retiraram o bloco de mármore em que esculpiram a Vénus de Milo. Ávido de senti-los quentes nas palmas das mãos, agarrei-me a ambos, como a um famoso quadro de Picasso que tivesse arrematado em leilão por um preço irrisório. Beijei-lhos e, algumas marcas de dentadas, deixei bastantes dedadas de tantas apalpadelas que dei para ter a certeza de que, inversamente ao quadro do artista, não eram falsas.

Aos poucos, começava a não conseguir ver nada do que se passava na rua.Com ela sentada ao colo no banco traseiro, mal sobrava espaço no meu carro para esticar as pernas, na eventualidade de querendo mudar de posição, me apetecesse ficar em cima dela. Estávamos apertados. Eu, por ser muito alto, de cabeça a roçar o tejadilho do carro, e ela, dobrada com o pé esquerdo de encontro à porta, como se desejasse sair dali à pressa.

Devido ao bafo da nossa transpiração, estavam tinham-se embaciado os vidros da viatura ligeira, através dos quais, ainda um pouco antes, dava para ver que ainda não escurecera apesar de passar das nove. Tenho para mim que os dias de verão, embora maiores, passam mais facilmente, sobretudo tendo nos braços uma jovem mulher a derreter-se de amor por mim, como se mesmo à sombra a temperatura do meu corpo ascendesse a quarenta e dois ou mais graus centígrados.

Não sei quantos beijos mais trocámos, nem lambidelas no pescoço, para justificar que não estava unicamente a pensar em sexo quando, na discoteca em que nos cruzámos, a convidei para irmos de carro ver na minha casa uma coleção de selos dinamarqueses que podia interessar-lhe. Carro do qual não estava interessado em sair, enquanto não percebesse o alcance de, na altura em que respondeu afirmativamente, me ter dito que gostaria que falássemos mais tempo a fim de conhecer-me melhor.

Só sei que no balanço feito àquela noite de luxúria, virámos os melhores amantes que podiam ser um homem e uma jovem mulher que certa noite de sexta-feira saíram para se divertirem a pensar que não iam demorar e acabaram por só regressar a casa na segunda-feira.

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