Últimas Crónicas

A Lei do isqueiro e a Lei dos cinco metros

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Em Novembro de 1937, foi instituída uma lei que proibia qualquer cidadão de utilizar o  isqueiro publicamente, para tal, o cidadão teria de se deslocar a uma repartição das finanças e pedir a licença, cujo custo era elevado. O isqueiro não podia ser utilizado por outra pessoa, alias, se alguém ao ser interpelado pelo “fiscal de isqueiros”, não apresentasse a referida licença, o isqueiro era aprendido, pagava uma multa e ainda era apelidado de delinquente.

O que é que mudou desde 1937 até aos nossos dias? O tabaco foi abolido? Impossível! As pessoas deixaram de fumar? Não, muito pelo contrario! As leis já não são decretadas para beneficio próprio e outros interesses corruptos? Não me façam rir! Já não se decretam leis estúpidas? Sim, ainda o fazem! E pelos vistos, não aprenderam nada com o passar dos anos…

Ontem, Quarta-feira, foi discutido no Parlamento a proposta lei que define mais restrições aos fumadores. Será proibido fumar a menos de cinco metros de portas e janelas de vários locais, tais como: hospitais, creches, centros de saúde, farmácias, escolas, parques infantis, bibliotecas, consultórios, entre outros. E ainda, interditar o consumo do cigarro electrónico nos mesmos locais que os cigarros dito normais.

Eu não fumo, nunca fumei, nunca experimentei, nem uma única passa dei, nem na minha adolescência, quando os meus colegas começaram a fumar eu me senti tentada a fazê-lo, sempre fui uma chavala de ideias firmes. Nunca fumei uma ganza, nunca apanhei uma bebedeira ( sim leitores, a minha vida tem sido uma secaaaaa ), não suporto locais com fumo, o fumo incomoda-me, conversar com alguém que, constantemente, pega num cigarro, irrita-me, não gosto do cheiro a tabaco, não gosto de ir a um local publico e sair de lá empestada de cheiro a tabaco, não tenho de ser criticada por isso e, também não tenho de suportar o vicio dos outros.

Sempre achei os fumadores ligeiramente arrogantes e pouco democráticos ( é nesta parte que os leitores fumadores deixam de ler as minhas crónicas ), o vicio é vosso não meu, logo, a preocupação em minimizar os danos à saúde da população que é obrigada a respirar o ar que vocês poluem, deveria ser vossa, não minha nem do Estado. Se um fumador tem a noção de que, o tabaco é nocivo para a sua saúde, mas continua com o cigarrito antes e depois das refeições, problema dele, agora a informação até está bastante detalhada com os maços de tabaco com imagens de pulmões podres ( outra merda estúpida, se fizessem um estudo com, a percentagem de pessoas que deixaram de fumar por causa das imagens horríveis que estão impressas no maço dos tabacos, o resultado seria zero virgula zero ). Se um fumador não tem pena do valor monetário que gasta diariamente ou semanalmente num vicio mortal, problema dele. Se um fumador tem a possibilidade de fazer um tratamento que o vai ajudar a deixar de fumar, tratamento esse que é comparticipado pelo Estado ( relembro que o Estado somos todos nós ), e se recusa, problema dele. Então, porquê tanto alarido em torno das leis criadas para proteger minimamente os cidadãos que não fumam? É um desperdício de tempo e dinheiro que se decretem leis ridículas como estas. Um cidadão que fuma, não deveria ter a consciência de não fumar em locais fechados, locais não ventilados, de não fumar na porta das escolas, hospitais, em parques infantis, etc? É mesmo necessário que, o governo decrete uma lei para que o civismo, o respeito pelo outro e a cidadania impere? Infelizmente sim.

Há subsídios e tratamentos para todos os vícios e males, desde a maezinha que não gosta de trabalhar e está em casa alapada com o rendimento mínimo, até ao jovem toxicodependente, que, coitadinho, se meteu na droga porque foi influenciado pelos amigos, e tem feito tratamentos consecutivos, eu pergunto: e os cidadãos que trabalham, produzem, não têm vícios e contribuem positivamente para a sociedade, não há nenhum prémio de consolação? Qualquer dia, ainda surge o imposto para os cromos como eu. Dona Sandra, como é demasiado boa foi multada em 185 euros…raios os partam!

 

1 Comment

1 Comment

  1. Carlos Fernandes

    15/12/2016 at 22:42

    A falar sério. O ultimo paragrafo é tão verdadeiro quanto as votações à direita que teem acontecido por paises diversos. O que álias não me desagrada. Haja quem ponha termo a esta merda.

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