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Nunca menos que um Príncipe.

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E sem que o coração desse conta, acordar com os pés embrulhados nas pernas dele, parecia bem mais delicioso do que acordar a pedir por Gurosan e a sentir ainda o zumbido da música e o sabor do Bacardi.

Bem de repente, o corpo pediu afagos no cabelo e o fígado livrou-se do mal, trocando o vinho por mimos, os bêbados por gargalhadas, e as noites longas por manhãs curtas demais.

Isto não pode ser algo que se sente sempre. É uma coisa que só quem vem para ficar, nos consegue passar como testemunho, é algo que nos faz mudar e sentir diferente, do que fomos e do que queríamos para nós. And suddenly, there´s a whole new She.

Quanto tempo dura, só os sábios o dirão. Quanto tempo permanece no corpo a sensação, e na alma a ressaca, quanto tempo demorará a curar, ou até mesmo a renascer.

As entranhas femininas sofrem mais do que qualquer Ser. É aos trambolhões que os sentimentos se cruzam e sempre com a pressa de chegar a algum lugar mágico. Acordar com as pernas embrulhadas nas dele, não só era mágico como totalmente espectacular. Quem diria que um dia a magia de dormir sozinha iria desaparecer, e alguém levasse um pedaço de nós, do qual nem a falta sentimos…

De vez em quando, o Mundo gira e leva a nossa vida a dar umas voltas. Será que amanhã um Bacardi no meio das luzes nos preenche as vontades, ou que as manhãs podem voltar a ter o mesmo sabor? Meio amargo e divertido, perdendo metade do dia em recuperação física e outra metade em eventos a que ela recorre quando simplesmente se sente vazia de tudo e cheia de nada?

E tanta gente passa por si, entrando e saindo, querendo fugir e ficar. E novamente as manhãs se querem curtas demais, pois o tempo escasso é vivido intensamente; o cabelo pede afagos e voltamos a nós mesmas.

Quando dá por si, o tempo passou e as experiências ensinaram a arte da sobrevivência; como não se magoar, como não se retrair, como parecer indisponível, como rir. A falta de veracidade perante o desconhecido dá-lhe crédito alheio e protege-lhe o coração; meio partido, meio suturado, meio fugido, meio entalado.

É secretamente um princesa. Julgada por muitos e amada por todos, entra nas vidas mais próximas e deixa marcas de condão, pozinhos de riso e purpurinas no ar, pois a menina que o mimo tocou existe no fundo do poço que a vida estilhaçou. E como uma verdadeira Princesa, aguarda na torre a chegada do valente. Do suspiro que lhe tira o ar e a faz perder o sono, como se de um primeiro amor se tratasse; pois a menos que isso, não se permite.

À minha Xaninha, que tem tanto de mim como de si. E que acima de tudo compreende, que o amor não é para todos. Nem para qualquer um.

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