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O Velhinho que encanta o Natal!… Olha o Pai Natal…de…Barbas branquinhas! – Aida Fernandes

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Ir envelhecendo, é recordar com saudade o Natal passado em família, as árvores iluminadas no jardim, o grande pinheiro natural, enfeitado com bolas e bugalhos embrulhados em prata, com fitas e com chocolates pendurados, a cabana do presépio feita pelo pai que dizia: ”Gloria a Deus nas Alturas e Paz na terra aos Homens”, colocada num grande presépio feito com muito musgo e com as figuras alusivas ao nascimento do Menino Jesus!

A noite da consoada com o tão apreciado bacalhau cozido, as couves, as batatas e o molho aquecido, típico da região! As deliciosas sobremesas tradicionais que a avó fazia, as sopas secam, a aletria, os mexidos ou “formigos”… estes eram confeccionados com o pão de “ovelhinha” que se preparava uma semana antes, sendo todo ele partido em minúsculos bocadinhos para que os mexidos ficassem como mandava a tradição. Tudo isto era feito em verdadeiros serões que se tornavam numa alegria com as histórias contadas pelos pais e avós.

Na véspera de natal era habitual os irmãos mais velhos irem à missa do galo, enquanto os mais novos ficavam a jogar ao jogo do pinhão, numa ansiedade imensa até que se pudessem colocar os sapatinhos no fogão ou na lareira para que assim o “Menino Jesus” pudesse trazer as tão esperadas prendinhas.

A Noite parecia grande embora nos deitássemos tarde, é que era costume só abrir as prendas ao acordar o que tornava a noite de natal uma noite única, cheia de curiosidade e vontade de ver se o” Menino Jesus” nos tinha feito a vontade. De uma maneira geral todos ficavam felizes com o que lhes era oferecido porque só a magia de acreditar em tudo, era fantástica! Uma simples boneca, uns tachinhos de alumínio para se poder brincar e aqueles chocolates em forma de guarda-chuva, coelhos, pinhas, bolas…eram o símbolo daquela noite e talvez por saber que nunca teríamos prendas muito ”ricas” tivemos que amadurecer acreditando num natal mágico e simples!

Em épocas passadas ainda não era habitual o Pai Natal, Por isso chamava-se à magia da noite das prendas: o “Menino Jesus”! Preservava-se muito a vinda do Salvador!

Todos sabemos que o Natal é uma das festas mais importantes do Cristianismo, é a festa da família que marca a grande festa da solidariedade universal. O Natal cultiva nas pessoas sentimentos muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo…mas… que bom que seria se o Natal não fosse um dia…!

Que bom seria se as gerações conseguissem conservar e cultivar o gosto por sentimentos como a solidariedade e o amor ao próximo…a partilha…acreditar que vamos envelhecendo e tal como o Pai Natal, podemos ser velhinhos barrigudos e barba branca, mas ainda presentear quem nos rodeia. Ou ainda tal como o Menino Jesus, podemos ser a esperança para muitos ou a magia…só depende de nós…apostar num Natal mágico onde os presentes podem ser uma surpresa autentica…onde a nossa atitude possa contribuir para a a alegria de “alguém”!

Se formos capazes de espalhar essa alegria, se somos capazes dessa magia, eu tenho a certeza que podíamos fazer com que o Natal não fosse um dia…assim seriamos ainda capazes de transformar a árvore de Natal numa verdadeira arvore iluminada com sorrisos… Um mundo melhor!

Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz…uma mensagem em silêncio que sai dos nossos corações e aquece os corações daqueles que nos acompanham na nossa caminhada pela vida…e qual prenda seria se todos tivessem assim um Natal!…

Acho mesmo que não haveria nenhum “velhinho” barrigudo…gorducho…de faces rosadas e de barba branquinha…que não encantasse a noite mágica.
Bom Natal!…muita Paz, alegria, solidariedade, amizade, amor e muita magia!

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Crónica de Aida Fernandes

 

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