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Sobre o ordenado dos administradores da Caixa

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Antes de mais, respeitando o direito de expressão e/ou à opinião de cada um, acho descabido a quantidade de pessoas que ficam revoltadas com o governo de Portugal quando alguém refere o ordenado dos presidentes executivos da EDP, Galp ou PT, por exemplo. São empresas privadas em que o ordenado dos seus administradores é definido pelos accionistas (também eles privados), não pelo governo.

Dito isto, convém começar por dizer que eu sou pela meritocracia. Isto é, por um sistema em que quem tem mérito nas funções que desempenha ou desempenhou ao longo da sua vida profissional, deve ter preferência na obtenção de posições de topo. E, para além disso, quem tem reconhecido talento, profissionalismo e know how, deve ser devidamente recompensado pela sua entrega e desempenho. Até porque, sendo completamente claro e objectivo, poucos são aqueles que, por espírito de missão patriótica, aceitam receber muito menos em funções públicas (ou no sector empresarial do Estado) do que o que ganham no privado (basta pensar no então director geral dos impostos Paulo Macedo que saiu do cargo mal o seu vencimento foi cortado na primeira legislatura de Sócrates).

Posto isto, eu acho que, se os novos administradores da Caixa são, reconhecidamente, excelentes profissionais naquela área, devem ser recompensados com o ordenado correspondente, adequado à função. Mas – há sempre um “mas” – tendo em conta a situação actual da Caixa e do sector bancário, creio que o modelo a adoptar devia ser o modelo de recompensa por objectivo atingido. Ou seja, o vencimento base seria mais reduzido mas a equipa de administração teria uma lista de objectivos definidos pelo accionista único – o Estado – e se os atingissem, ponderadas as condições sistémicas (não seria de bom tom penalizar os administradores por objectivos não atingidos por situações que não seriam da sua responsabilidade), seriam recompensados financeiramente. Assim sendo, nem me importava que ganhassem mais do que a média do sector, porque teria a certeza que, se estavam a ser recompensados, estavam a cumprir os seus objectivos, a criar riqueza para o banco público e a mantê-lo estável e rentável.

Dar um “cheque em branco”, ainda por cima chorudo – porque pode estar dentro da média do que um administrador do sector bancário ganha em Portugal, mas todos os outros, em função do estado do sector, aceitaram baixar os seus próprios vencimentos, logo o governo devia fazer o mesmo na Caixa – não é para mim boa política.

Crónica de João Cerveira

Este autor escreve em português, logo não adoptou o novo (des)acordo ortográfico de 1990

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