Últimas Crónicas

Peço desculpa, obrigada! – Raquel Santos

loading...

Depois de um dia  de muito trabalho sentei-me para escrever umas simples frases, reflectindo em duas palavras muito banalizadas nos dias de hoje: “Obrigada” e “Desculpa”. Uma é usada demasiadas vezes, até em contextos e situações desnecessários, outra é quase esquecida.

“Desculpa de não te ter respondido antes.”;”Desculpa por não ter atendido!”; “Desculpa, não podia mesmo ir…”; e desculpa para aqui, desculpa para acolá. Daqui a mais, até as pessoas se vão passar a chamar “Desculpa”. Esta palavra até é usada como títulos de algumas músicas. É de louvar, é uma forma de homenagear o seu poder e significado.

Por outro lado, a palavra “Obrigada” é uma forma de gratidão ao outro, uma palavra mágica para o agradecimento à disponibilidade mostrada pelo outro, quer seja na ajuda em algum trabalho ou a dar uma simples informação. “Obrigada pela ajuda!”; “Obrigada pela informação…” são expressões que se deviam usar com mais frequência.

“Obrigada por estares ao meu lado, por me fazeres sentir tão bem.” Quantas vezes disseram isto à pessoa que partilha a vida convosco? E “desculpa de não te dar a atenção devida” deviam de entrar na porta que teima em não abrir do coração de cada um de vós.

No outro dia, estava na fila do supermercado e de repente apareceu, não sei bem de onde, um rapaz desnorteado embatendo em mim. “Macacos ma mordam!” Deixei cair tudo  o que tinha na mão e o miúdo fugiu num abrir e fechar de olhos. Nem desculpa, nem obrigada!” Não houve tempo para por em acção estas duas palavras. Desculpa por ter-me dado um encontrão e obrigada por me ajudar a tirar os produtos do chão que caíram. Uns minutos depois, saí do supermercado e encontrei um mendigo a pedir, sentado  no degrau frio da escadaria em frente ao supermercado. Olhei e tive pena do senhor e dei-lhe uma moeda. A única palavra que saiu da sua boca foi: “Obrigada”. Esta palavra encheu o meu pequeno coração e alegrou o meu dia. Duzentos metros à frente, o telefone tocou. Tirei-o rapidamente do bolso de trás das calças e atendi. “AI!” Ouvi um pequeno grito. Voltei para trás e reparei que tinha pisado alguém. Dirigi-me até ela e desta vez era eu que tinha o dever de pedir desculpa. “Peço desculpa. Estava distraída ao telefone e nem reparei, pensei que tivesse pisado uma pedra!” E a senhora chateada, respondeu: ” Não sei como é que não me viu!” Um pé não é uma pedra!” E eu completei a minha ideia. “Estava mesmo distraída. Sei que podia ter evitado isto, mas para a próxima vou ter mais cuidado! Desculpe!” A senhora pouco conformada retorquiu: “As desculpas não se pedem evitam-se!” E virou costas.Esta última frase é um dos exemplos de como não usar a palavra desculpa. Pelo menos fiquei feliz comigo própria porque agi da forma como devia depois de ter feito uma coisa menos boa. Isto acontece a todos!

Caros leitores, não se esqueçam de usar estas palavras no devido lugar, porque estas podem mudar o seu dia.

 

RaquelSantosLogoCrónica de Raquel Santos
Pequenos Desabafos 

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Crónicas Mais Lidas

loading...
To Top