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Porto, Benfica e Sporting: quem vende gato, quem vende lebre

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Todos os anos, os adeptos portugueses discutem os jogadores e seus preços, chamando aos seus clubes os melhores negócios e aos outros os embustes do ano desportivo. Por isso, existe uma pergunta que ecoa todos os finais do período de transferências: Quem vende gato e quem vende lebre? Será que é o Porto que engana os seus compradores, ou pelo contrário, será que a marca Benfica é uma referência, ou talvez nenhuma das duas, e seja o Sporting que vende o melhor produto ao melhor preço. E acima de tudo, será que compensa comprar em Portugal?

Algo tinha que ser feito para responder a todas estas perguntas, e assim, nasceu a ideia para este artigo. Onde se prova por a + b quem vende o melhor produto made or changed in Portugal.

Para isso, aqui, aquele que vos escreve teve que pesquisar todas as vendas para o exterior acima de dez milhões de euros dos três clubes grandes. De seguida, rankear o sucesso, ou nalguns casos o insucesso, das transferências efectuadas.

De 1 a 5, sendo que 1 é um jogador completamente falhado no local para onde foi jogar, e 5 são aqueles jogadores que jogaram e se transformaram em estrelas nos clubes para onde foram jogar.

O período a que reporta esta pesquisa é de 2010 adiante.

Ok, ora vamos lá meter a mão na massa.

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Comecemos pelo Porto. O Porto vendeu desde 2010: Otamendi por 12 M€, nota 5, jogou e foi vendido pelo Valência por 40M€; James Rodrigues por 45 M€, nota 5, jogou e foi vendido por mais de 75M€; Guarin por 11 M€, nota 3, teve períodos em que jogou a titular, outros em que foi suplente utilizado, e foi vendido pelo mesmo montante pago pela sua aquisição ao Porto; Moutinho por 25 M€, nota 4, praticamente sempre titular importante nas épocas que fez no Mónaco sem nunca ter atingido um patamar de classe mundial, mas ainda assim sendo muito importante para o seu clube; Alvaro Pereira por 10 M€, nota 1, nada mais a acrescentar, uma contratação completamente falhada; Fernando por 15 M€, nota 2, não jogou muito a titular, mas jogou alguma coisa, acabou vendido esta época sem nunca ter feito a diferença no Man City; Falcao por 40 M€, nota 5, jogou muito e bem no Atlético de Madrid que o vendeu por 60 M€ ao Mónaco; Hulk por 60 M€, nota 5, foi sempre o melhor jogador do Zenit e por vezes do campeonato russo e por fim foi vendido pelo mesmo montante pelo qual foi adquirido; Bruno Alves por 22 M€, nota 2, nunca se conseguiu impor como central titular do Zenit, foi jogando e acabou vendido por muito menos do que aquilo que foi adquirido; Raul Meireles por 13 M€, nota 3, não sendo um titular, jogou bastante no Chelsea e acabou vendido pelo mesmo montante pelo qual foi adquirido ao Liverpool; Danilo por 31,5 M€, nota 1, nunca foi um titular do Real, e sempre que foi chamado a intervir falhou, acabou vendido por uma boa verba, mas deixou muito a desejar em Madrid; Alex Sandro por 26 M€, nota 5, titular indiscutível da velha Senhora, nada mais a acrescentar; Iturbe por 15 M€, nota 1, tecnicamente, o clube que o comprou fez uma mais-valia, mas sejamos honestos, a Roma ainda hoje deve estar a pensar porque deu tanto dinheiro por um jogador como Iturbe; Mangala por 50 M€, nota 1, nunca se conseguiu assumir como um bom jogador, sequer, do plantel do City, dinheiro deitado à rua; Jackson Martinez, nota 1; o dinheiro foi recuperado, mas as exibições no Atlético de Madrid foram pouco mais que deprimentes; Ruben Neves por 16 M€, nota 5, titular indiscutível a pensar em outro voos; André Silva por 38 M€, nota 2; ainda é cedo, tudo bem, mas 38 M€ por um jogador que ainda não se estreou a marcar no campeonato italiano, tem que se fazer uma má apreciação do jogador até ao momento.

Ou seja, a média portista dos jogadores vendidos é de 2,8. Se aprofundarmos mais os números, verificamos que perto de 50% dos gastos em jogadores portistas (240,5M€) foram contratações falhadas (nota 1 e 2), num total de 488,5M€.

 

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Avancemos então para o Benfica. Os encarnados venderam desde 2010: David Luiz por 25M€, nota 5, titular indiscutível do Chelsea e posterior mais-valia feita aquando da sua venda ao PSG; Javi Garcia por 20M€, nota 2, nunca se conseguiu impor no City, mas jogou alguma coisa; Di Maria por 25M€, nota 5, jogou muito no Real e foi vendido por muito mais do que aquilo que foi comprado ao Benfica; Coentrão por 30M€, nota 1, jogou sempre mal no Real, nunca se conseguiu impor em qualquer outra equipa, e é um gasto que o Real desejaria nunca ter tido; Ramirez por 22M€, nota 3, jogou bastante, mas nunca foi um titular indiscutível; Gaitán por 25M€, nota 1, mal jogou, ainda não justificou o investimento; Enzo Perez por 25M€, nota 1; nunca se conseguiu impor e acabou vendido por muito menos do que aquilo que foi investido; Witsel por 40 M€, nota 5, titular indiscutível do Zenit; Matic por 25 M€, nota 5, titular indiscutível do Chelsea e ainda gerou mais valias quando foi vendido ao United; Rodrigo por 30 M€, nota 4, titular importante do Valência; João Cancelo por 15 M€, nota 3, muitas vezes titular do Valência; Bernardo Silva por 16 M€, nota 5, titular indiscutível e gerador duma grande mais valia na venda; André Gomes por 15 M€, nota 5, titular indiscutível no Valência e gerador de mais-valias aquando a venda para o Barcelona; Oblak por 16 M€, nota 5, um dos melhores guarda redes do mundo e titular indiscutível do Atlético de Madrid; Lindelof por 35 M€, nota 1, pouco jogou e quando jogou comprometeu; Markovic por 25 M€, nota 1, o Liverpool não sabe o que lhe fazer; Helder Costa por 16 M€, nota 3, tem sido quase sempre titular; Renato Sanches por 35 M€, nota 1, Bayern não sabe o que lhe há-de fazer; Gonçalo Guedes por 30 M€, nota 2, o empréstimo trouxe alguma valorização, ainda assim, pouco jogou no clube que o comprou; Nelson Semedo por 30 M€, nota 3, não é um titular indiscutível mas tem jogado muito; Mitroglou por 15 M€, nota 1, exibições muito aquém do esperado; Ederson Moraes por 40 M€, nota 5, titular indiscutível do City.

Ou seja, a média dos jogadores vendidos pelo Benfica é de aproximadamente 3. Numa análise dos números mais profunda, verificamos que cerca de 43 % dos gastos em jogadores benfiquistas são (240 M€) contratações falhadas, nota 1 e 2, num total de 555 M€.

 

Resultado de imagem para Bruma Resultado de imagem para João Mário falhado

E chegamos ao Sporting. Os verde e brancos venderam desde 2010: João Mário por 40 M€, nota 1, nunca se conseguiu impor no Inter de Milão e acaba de ser emprestado; Van Wolfswinkel por 10 M€, nota 1, nunca se conseguiu impor em Inglaterra; Bruma por 10 M€, nota 4, impôs-se na última parte do seu contrato e acabou por gerar ainda uma mais-valia financeira ao Galatasary, Ruben Semedo por 14 M€, nota 1, pouco jogou e quando o fez comprometeu a sua equipa; Rojo por 20 M€, nota 3, não é um titular, mas tem jogado bastante sem comprometer a equipa; Slimani por 30 M€, nota 2, acabou por ser emprestado não conseguindo mostrar tudo o que de bom fez em Portugal.

Ou seja, a média de jogadores vendidos pelo Sporting cifra-se em 2. Cerca de 76 % dos investimentos feitos por clubes estrangeiros em jogadores sportinguistas foram contratações falhadas.

Que mais conclusões podemos retirar destes números? Que Benfica foi o clube que mais vendas acima dos 10 milhões de euros fez nesta década, que entre Porto e Benfica não existe grande diferença nas contratações falhadas, sendo que em percentagem os encarnados saem em vantagem porque venderam mais e que o Sporting foi aquele que vendeu menos e pior “produto”. Mas podemos ainda acrescentar uma análise aos números globais: os três grandes em conjunto venderam 46 jogadores acima dos 10 M€, fazendo um total de 1167,5 M€. Desse valor; 574,5M€ foram contratações falhadas, isto significa que contratar em Portugal é um risco 50-50 de dar certo. O que quer isto dizer? Que por cada lebre vendida, vai um gato mal saboroso pelo meio.

Ps. A transferência de Adrien não foi contabilizada pois o jogador esteve impedido de jogar na primeira parte da época.

 

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