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Projectando o esquecimento

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“Dizem os sábios que já nada ignoram
Que alma, é um mito!…
Eles que há muito, em vão, dos céus exploram
O almo infinito…”

Ângelo de Lima

Na Cidade do Porto é onde Ângelo de Lima nasce no mês de Julho de 1872, escritor da Geração de Orfeu deixa-nos a sua obra poética em 1921, ano da sua morte. O seu percurso de vida e consciência  é descrito na sua poesia até ao seu confinamento no Hospital Conde de Ferreira, onde lhe é diagnosticado “delírio de perseguição, num degenerado hereditário, ideias de perseguição, alucinações do ouvido, desconfianças de família, insónia, períodos de forte excitação”.

Passou por outros hospitais até ao final da sua vida.

A demência de Ângelo de Lima é questionável, durante séculos encarcerou-se pessoas incomodas aos regimes oligárquicos e clericais, a pretexto da moral e bons costumes da sociedade e principalmente por motivos políticos, financeiros e invejas. Era comum as famílias engendrarem situações que levassem pessoas fracas mentalmente ao transtorno, quando estas não se enquadravam com os ditames das mesmas, ou desprezavam os relacionamentos que eram impostos, muitos eram presos acusados de serem malucos, degenerados, com problemas mentais, pois chocavam a falsa moralidade e faziam tremer os alicerces de uma sociedade clerical, obscura, com a toda a sua promiscuidade politica e financeira.

Encarceravam-nos em manicómios porque os mesmos levavam uma vida liberta e contestatária, sendo eles próprios diante de todos, coisa que muitos não suportavam por falta de coragem e capacidade em viver dessa forma. Antonin Artaud e Maurice Utrillo são duas de tantas vítimas julgadas pelos interesses de outros. Sabe-se que Ângelo de Lima foi perseguido pela sua família por ser boémio, inveja das suas qualidades nas artes que desenvolvia? Talvez, existem várias questões que carecem de informação onde se possa procurar por respostas.

É este escritor, a sua obra poética e a vivência nela descrita do consciente e compreensão de Ângelo de Lima perante os momentos em que se encontrou, adaptado às pessoas que hoje vivem o dia a dia dentro das paredes de um hospital psiquiátrico, a junção de um homem esquecido com as várias histórias de outros que agora habitam nas mesmas paredes que ladearam o poeta.

Essas mulheres, homens e crianças, que buscam o fim para os seus sofrimentos causados por contrariedades diversas, ou as curas para as doenças de que alguns padecem, que o filme “Pára-me de repente o pensamento” de Jorge Pelicano apresenta a quem o assiste.

Esta película é uma lufada de ar fresco no panorama do Cinema Português, lamentável que já não existam em Portugal Salas de Cinema onde se possa assistir a uma obra que obriga à reflexão, que desperta em quem assiste uma quantidade de emoções ao longo de todo um filme musicado de sensibilidade.

Crónica enviada pelo leitor José Figueiredo

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