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Prometeste que me levavas a Paris

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Prometeste que me levavas a Paris mas tal não aconteceu. As mãos dadas e os sorrisos apaixonados em frente à Torre Eiffel não passaram de uma mera visão, tal nunca vai acontecer, agora sim, tenho a certeza disso.

Sinto-me culpada ( a culpa vai nos matando por dentro ), sinto-me culpada por ter acreditado que o conto de fadas era possível, que o príncipe, que serias tu, salvaria a princesa, que seria eu, salvaria a princesa da escuridão, do escasso amor, da pobreza, o príncipe dissiparia todas as duvidas e incertezas da princesa, esta acreditaria finalmente no amor e, viveriam felizes para sempre. Mas, na vida real não existem grandes finais felizes, muito mais importante que os finais felizes são a forma como lá chegamos, se o que carregamos na bagagem são mais lágrimas do que sorrisos, de que nos vale o arco íris no final da estrada?

Falhaste, mas a culpa também foi minha, eu deixei que isso acontecesse, depositei em ti todas as minhas vontades em ser feliz e, esqueci-me que a felicidade não precisa de ser a dois. Tu poderias usar todos os argumentos possíveis para justificar as tuas falhas, o cansaço é tramado, o trabalho é muito, a vida é complicada, o dinheiro é pouco…mas se há coisa que eu aprendi nestes anos de solidão foi que, quando queremos de verdade não há motivo que nos contrarie. Sempre te exigi muito mas sempre te pedi pouco, talvez nunca tenhas entendido a diferença entre ambas, como já te disse muitas vezes lavada em lágrimas “eu nunca te pedi um ferrari à porta de casa”, as coisas simples são as melhores, os pormenores do dia a dia, como as mensagens pela manhã, as rosas ao final da tarde, a lingerie embrulhada na cama, as mãos dadas à saída de algum lugar…sei lá…acho que perdi completamente a minha identidade no meio de tantos dias banais e estupidamente  esgotantes. Estou tão magoada que nem consigo soltar as palavras, tenho de respirar fundo varias vezes, olhar para o céu e pensar que tudo isto é uma aprendizagem. Gostava de ter sido a prioridade na tua vida, a mulher para quem tu olhavas com olhos de apaixonado, a mulher de quem te orgulhavas de apresentar aos amigos, a mulher que defendias, a mulher que protegias, gostava de ter sido a mulher a quem demonstravas que amavas.

Um dia destes, alguém me disse: “tu estás lá, tu estás sempre lá“, estas  simples palavras que me magoaram profundamente mas que são totalmente verdadeiras, fizeram-me questionar, então é isso? o comodismo que tanto abominei existe… a certeza que amanhã eu estarei na tua cama, não necessariamente pelos motivos certos, faz com que hoje não seja preciso o mínimo esforço da tua parte para que eu queira ficar, sobretudo para que eu me sinta bem em ficar. Talvez, por isso, da ultima vez que olhei para os teus olhos lavada em lágrimas uma vez mais, eu pedi-te, também uma vez mais, para me dares um pouco mais de ti e tu nem sequer olhaste para mim, um simples olhar, quantas lágrimas mais seriam precisas para que eu conseguisse a tua atenção? A verdade é que me fazes sentir uma merda a maior parte das vezes.

Hoje eu estou aqui mas, queria te dizer que amanhã não estarei. Não vás à minha procura, não percas mais o teu tempo comigo, que eu não perderei mais os meus dias contigo. Prometeste que me levavas a Paris mas tal não aconteceu. Eu irei a Paris sim, mas sozinha.

 

“Oh no, I won’t let you get me down

You tried to hurt my feelings

You stopped me dreaming

But here I draw the line

I wish you luck in life and goodbye”

Missed, Ella Henderson

 

 

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