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Quando Rio Tinto era o Maracanã. Ou quando éramos felizes sem dar por isso. – João Nogueira

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Era mil novecentos e oitenta e nove. Rio Tinto. Um sítio com o mundo todo lá dentro. Cabia tudo. Havia bouças onde íamos aos grilos. Havia crianças. Muitas. Que iam a pé para aqui e para acolá. Que andavam a pedir para o Santo António. Que faziam dos paralelos da rua o Estádio do Maracanã. Que faziam de duas pedras desalinhadas uma baliza. A bola. Um tesouro com remendos. Tinha falta de gomos. Às vezes cheia, às vezes com falta de ar. Um era o Maradona. Outro o Futre. Jogávamos ao bota-fora. Quem perdia saía. Mudava aos dois e acabava aos quatro. Havia joelhos esmurrados. Uns diziam que era falta. Outros que não. Não havia árbitro. Como na vida!

As regras de trânsito da vida estavam todas ali. No nosso Maracanã. Dois ou três meninos nunca jogavam. Ou porque tinham sufeca. Ou porque era Agosto e podiam ficar com gripe. Eram a plateia. Duas ou três almas que berravam por duzentas mil. Quando era golo, fazíamos cara feia e saltávamos muito alto. Ou, pavões, abríamos as asas, mas eram os outros que voavam para cima de nós. Um a um, caíamos como dominós. Mas não fazia mal. O chão era como se fosse o céu. Depois benzíamo-nos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Como os grandes.

Lá, em mil novecentos e oitenta e nove, éramos crianças. O senhor Artur cortava-nos o cabelo duas ou três vezes por ano. Por cento e vinte escudos. Curto à frente, cheio dos lados e grande atrás. Mais curto no Verão. Mais comprido no Inverno. Andávamos a pé. Enchíamos os pneus da bicicleta com bombas de ar. Corríamos muito. Tínhamos pulmões para sete vidas. Escalávamos macieiras. Aliás, trepávamos pomares inteiros, empoleirados uns nos outros. Pintávamos muros. Escrevíamos  Toninho ama  Zeza para sempre. Às vezes mudávamos de ideias. Fazíamos parênteses à Zeza e escrevíamos Carolina. Depois Sara. A seguir Julieta. Mas era sempre para sempre. Tínhamos polegares e mindinhos que cheiravam a laranja. E a tangerina.

De lápis na orelha, éramos arquitectos, também. Das cabanas que trazíamos ao mundo. Um pau para aqui, outro para ali, um lençol para cima, outro para baixo. E pronto. Lar doce lar. Onde sonhávamos com a Dora.

Éramos felizes sem dar por isso. Que é a única forma de ser feliz. Éramos amigos sem dar por isso. Que é a única forma de ser amigo.

Era tudo para sempre. A vida fazia claque por nós. Havia fogo-de-artifício e tudo. Nunca estávamos sozinhos. Nem quando estávamos.

Em mil novecentos e oitenta e nove, éramos criativos. Inventávamos margens. Só para a seguir construirmos pontes. Sabíamos tudo, caramba! Tudo! Tínhamos o cheirinho a terra molhada na ponta da língua e sabíamos, tintim por tintim, que o colo de uma Mãe valia mais que infinitos. Nunca fomos tão grandes como quando éramos pequeninos. Nunca! Era o que faltava!

Éramos do tamanho da Torre dos Clérigos. Ou do nariz do Pinóquio. Ou do tamanho de um aplauso, de pé, à Amália. Obrigada, obrigada!  Ou mais!

Depois veio a vida. Com os números decimais. Com as cedilhas. Com a interpretação de texto. Com a regra de três simples. E deixámos de saber tudo. Quando veio a vida.

Era quando tínhamos os olhos mal acordados para a vida, que os tínhamos mais abertos. Tínhamos um aquário nos olhos. Com um arco-íris de peixinhos. Que bonito!

Hoje preciso do mundo. Ou de mundo. De me perder em Barcelona, perto da Catedral, para me encontrar comigo em Notting Hill, a ler, com o coração, o Pina. Que não gostava de viajar. Porque viajar era perder amigos! Lia-o com o coração. Nunca com os olhos.

Hoje preciso de subir os trezentos e tal degraus da Pirâmide de Chichén Itza. Quando chegar lá acima dou um berro e o eco manda embora os meus fantasmas. Hoje preciso de descer o morro da Babilónia, para ver a vida como ela é. E de ir a Monte Carlo, para ver a vida como ela não é.

Dantes não. Era o mundo que precisava de mim. Dos meus olhos. Dantes havia bouças. E grilos. E pardais. E rãs. E crianças a pedir meia dúzia de tostões para o Santo António. Havia joelhos arranhados. E cotovelos mal amanhados. E uma Rosa dos Ventos. Que não deixava os amigos fugir.

Hoje, não. Hoje, o vento sopra-nos os amigos para longe. Bufa-os para muito longe, mesmo quando eles continuam perto. Já sou grande. Já não sou do tamanho da Torre dos Clérigos. Já não vou aos grilos. Já ninguém pede tostões para o Santo António. Já não há pontapés de bicicleta no Maracanã. Não há golos. Não há Maracanã. Nem abraços. Nem camisolas de manga curta, besuntadas de Callippo de limão. Hoje engravatamo-nos. Temos um cartão multibanco a dizer Doutor. Ou senhor. Temos bicos de papagaio. E riscos na testa. Mais isto e aquilo. Não há tempo. Nunca há tempo. Para nada. Já não nos lembramos como é o Verão.

Amigos, um dia destes vou ao Maracanã. E sento-me lá. À espera que apareçam. Com o tesouro. E com o aquário nos olhos.

A dizer que muda aos dois e acaba aos quatro.

JoãoNogueiraLogoCrónica de João Nogueira
Pés bem assentes na lua

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39 Comments

39 Comments

  1. Koeman

    14/11/2013 at 0:41

    Que saudades desses tempos.
    Ó tempo volta para trás….
    Abraço João

  2. Dora Correia

    14/11/2013 at 10:45

    Sonhavas comigo João????

    Lol
    Gostei muito da tua crónica sobre Rio Tinto!

  3. Carlos F.

    14/11/2013 at 12:14

    Amigo João, grande cronica… faltou referir os “gambuzinos” LOL

  4. Ana Isabel

    14/11/2013 at 15:25

    Em mil novecentos e oitenta e nove (ai, já não me lembrava como isto custava a escrever!), éramos miúdas e brincávamos com as bonecas e as loucinhas. Também chafurdávamos no tanque dos girinos e trepávamos à figueira e disfarçávamo-nos de Viúvas Porcinas. E a minha irmã não havia dia que não estourasse os joelhos.

    Um dia crescemos todas e algumas corremos o Mundo. Fomos indo com o vento, é mesmo assim.

    Mas a Marisa esteve sempre aqui por perto; eu fui com o vento. E um dia, assim do nada, a Marisa morreu. E perdemos todas um pedaço de nós. Do nosso Mundo. Aquele mundo em que todas éramos tão, mas tão felizes, e ríamos sem os dentes todos.

    Obrigada, João. Muito, muito obrigada.

  5. Pedro Lopes

    14/11/2013 at 15:34

    E tu João que há bem pouco eras um catraio, és agora um homem a olhar para trás. Como é bom olhar para trás com os olhos do menino, ainda que sem gambuzinos nem carrinhos de rolamentos…

    “E mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças,
    Nem consta que tivesse biblioteca…”

  6. Joana Costa

    14/11/2013 at 17:42

    Brilhante crónica, é um prazer ler o que escreves João Nogueira. E quando fores ao Maracaná avisa que lá estarei em nome dos velhos tempos! Bjinhs

  7. Solange Cardoso

    14/11/2013 at 22:13

    Gostei muito de ler esta crónica e recordar os meus tempos de meninice. Obrigada João por nos fazeres parar um pouco para ler os belos textos que escreves e pensar em coisas tão simples, tão boas da vida.
    Um beijinho
    Solange

  8. Chris Mendes

    14/11/2013 at 22:27

    Genius! An amazing text to read. I enjoyed it very much. You show that you are highly talented. Continue your good work. Love Chris xx

  9. Andreia Tavares

    15/11/2013 at 1:20

    Ao João Nogueira e à Ana Isabel, um mu
    ito obrigado. Quando a verdade é feliz, sorrimos e recordamos. Devemos todos voltar ao Maracanã….beijinhos e muito paz povo x

  10. Natália Coutinho

    15/11/2013 at 1:54

    Olá, João.

    Não sou de Rio Tinto. Mas este Maracanã podia jurar que também o havia em Gaia. Na minha terra.
    Até acho que existe um em cada terra, em cada canto deste Portugal, carregadinho de recantos prontos a receber os demais Maracanãs.

    O que o João faz com as palavras, até parece magia.
    Muito bom.

    E, como sempre, obrigada.

  11. Sérgio

    15/11/2013 at 9:34

    Como Rio Tintense, posso confirmar que era assim mesmo.
    Quase parece que moravas na minha rua..
    Gostei muito de ler a tua crónica. Por momentos, transportou-me no tempo e devolveu-me a inocência.

  12. Ricardo

    15/11/2013 at 10:14

    Belo Maracanã, grandes memórias de um tempo que parece tão longínquo… afinal de contas, foi no milénio passado, não foi? lol
    Grande abraço para ti, João!

    Ricardo

  13. Ana Torres Nogueira

    15/11/2013 at 12:07

    És o orgulho da mana!!!!!! Manter esta qualidade nos teus textos ao longo de tantas semanas, escrevendo todas as semanas, mostra a tua consistência enquanto escritor. Criatividade, exigência, qualidade, humor e uma capacidade única para traduzir por palavras simples/genuínas aquilo que a vida tem de mais importante são apenas algumas das tuas qualidades, enquanto escritor. Tens uma capacidade muito própria de gerar imagens mentais nos leitores, de nos guiar pelo teu mundo de forma generosa e de gerar sempre emoções e sensações. Ler cada texto teu é sempre uma viagem pelo sonho e pelas raízes, capaz de nos devolver prioridades e de nos reposicionar perante o que realmente interessa na vida. Escreves com o coração e com esse teu cérebro, francamente abençoado;) És como escritor aquilo que és como pessoa: genuíno, de carácter, com o maior coração do mundo e um cérebro para lá de muito generoso, um menino sonhador, com os pés bem assentes…naquilo que verdadeiramente importa. ADMIRO-TE MUITO, mano!!!!!!!!

  14. Cláudia

    15/11/2013 at 14:04

    Rio Tinto é do melhor realmente.
    O artigo estaria bem mas a dada altura o leitor comenta pormenores que parecem pessoais e perde a graça. Fica-se confuso a pensar o que uma coisa (passeios pessoais) tem a ver com a outra (a grandiosidade de uma grande Terra)?

    • Elsa Brilha

      15/11/2013 at 19:52

      Sendo Rio Tinto o espaço de acção da crónica ( e não um artigo) em questão e os acontecimentos relatados passados nesse local, parece-me óbvio que os “passeios pessoais” estejam directamente relacionados com “a grandiosidade da terra”.

      Para o autor, que neste texto é, em simultâneo, o narrador, as suas vivências da infância não se dissociam nunca do sítio onde as viveu, daí a interligação entre ambas.

      Pela análise que faço, esta crónica vai mais além do que é uma crónica, é também um texto autobiográfico em que o autor deixa transparecer a forma simples e apaixonada como viveu a sua infância no seu espaço primordial, Rio Tinto.

      Porém, tal não é novidade. A nossa melhor literatura e os nossos grandes autores fazem-no inúmeras vezes. O que seria de Camilo Castelo Branco se, nas suas Memórias do Cárcere, se limitasse a descrever a Cadeia da Relação? O que seria de Garrett se, nas Viagens na Minha Terra, apenas descrevesse o Vale de Santarém? O que seria de José Saramago, no seu Memorial do Convento, se lse imitasse a descrever Mafra, Lisboa e o Montejunto? O que seria de Eça de Queirós (bastante descritivo, entenda-se), se se limitasse a descrever, nos Maias, Lisboa, Santa Olávia ou Sintra? E de Miguel Torga, o filho de São Martinho de Anta que, por ter saído de lá quase forçado, nunca mais deixou de escrever e de se mostrar apaixonado pela sua terra natal? Contudo, nunca nenhum deles se deixou reduzir à mera descrição do espaço da acção!

      Com isto quero dizer que os espaços são importantes sim, mas reduzir qualquer texto a uma mera descrição torna qualquer texto insípido, frio e sem paixão, o que, claramente, não é o caso desta crónica.

      Já agora, João Nogueira, adorei a crónica! Tenho muito orgulho em ti!

  15. Cláudia

    15/11/2013 at 14:06

    no post acima onde se lê “leitor” leia-se “autor”.

  16. Fernando O.G.

    15/11/2013 at 16:25

    Fabulosa crónica. Parabéns. Nunca me deu para escrever coisas parecidas, mas é rara a semana que não fale dos tempos da minha infância. Ainda hoje de manhã o fiz, com um colega da mesma idade.
    Bem aqui ao lado, a 10 metros de distância, em S. Cosme – Gondomar, tambémeu (e os outros) tinha o meu Maracanã, mas em 1979, dez anos antes. Encostado, por sua vez, também a uma grande bouça, ou mato, como diziamos. E tinhamos além das coisas referidas, as pistolas de plático ou já de ferro, para alguns, com que bricavamos aos cóbois; e os vira-ventos, de casca de eucalipto, pintados com as amoras silvestres, que também comiamos; e as folhas de eucalipto, cosidas entre si com moliço, de forma a fazermos chapéus de índio; e as fisgas; e os papagaios e estrelas de papel; e os carros de rolamentos; e os arcos, que corriamos com uma guia; e os pneus, que guiavamos com dois paus; e os piqueniques, regados com refresco de água ardente, acompanhados dos moletes com tulicreme; e os cromos que iamos trocando, para tentarmos completar uma caderneta de jogadores; e os jogos sem bola, quando o único rapaz da rua que tinha uma não aparecia ou enquanto estava à espera que lhe dessem outra, depois de a última se desfazer de vez; e as altas fogueiras do S. João, que se iam saltando até a hora de as nossas mães nos chamarem, etc. etc. etc. Mas os jogos muda aos 5 e acaba aos 10, e aquelas balizas feitas com pedras… ai, ai…
    Já não se fazem infâncias como naqueles tempos! Nem merendas com sopas de pão numa malga de leite, já agora. Volta felicidade! Volta maracanã!

  17. João Nogueira

    15/11/2013 at 22:17

    Muito obrigado a todos. Fico muito contente por lerem. Cumprimentos e…vêmo-nos no Maracanã! 🙂

  18. Hugo Rocha

    15/11/2013 at 23:07

    Muito bom , mesmo, relembra bem a infância de um Rio Tintense. Também eu me inclu-o nesta situação. Bons tempos esses, hoje isso não acontece porque não existe segurança para os nossos filhos brincarem na rua, o mundo ficou pior, mais agressivo, mais invejoso e sobretudo mais violento.

  19. Cláudia

    16/11/2013 at 11:43

    Que na crónica o narrador é o autor isso vê-se bem. Aconteçe em muitas.
    Que os grandes autores…e sublinhe-se grandes, também o fazem, é verdade. Mas há que analisar a forma sublime com que o fazem, que conta muito.
    Que era uma autobiografia é que já devia o leitor ser avisado para sabermos (pelo menos os leitores que não conhecem o Diogo…que podem ser muitos…ainda….mas espero que no futuro muitos menos…Rio Tinto agradeçe) com o que vamos contar, isto é, passar a conhecer mais o Diogo e a sua infância e vida atual, ou, por outro lado, ouvir falar duma terra que nos é querida em mais quantidade do que pormenores pessoais de alguém que desconhece.
    Eu julgo que ao leitor vulgar que não conhece o autor e é de Rio Tinto o texto desperta por ser da sua terra não por ser do autor em causa. (mesmo que fosse do MEC importaria mais ler por ser sobre Rio Tinto que a sua vida) Julgo ser possivel uma boa descrição de Rio tinto per si, ou, se quisermos dar toque pessoal,tudo bem, mesmo a par com experiências pessoais marcantes sem precisarmos de saber que na sua vida actual o autor precisa de viajar para alguns locais especificos, menções a status nos cartões de crédito etc.
    Escrever sobre algo aberto ao público é dirigirmo-nos a um público alargado.
    Deverão compreender que esse público alargado não contempla muitos doutores, que viajam muito, ou que até tenham cartão de crédito. A maioria da gente de Rio Tinto não se identifica com isso. A crise é de conhecimento geral.
    Os problemas sociais não devem escapar a um bom escritor que queira versar sobre uma terra e seu estado passado ou atual. Acho incontornável.

    • Elsa Brilha

      16/11/2013 at 18:18

      Quem é o Diogo?

  20. José Carlos Magalhães

    16/11/2013 at 12:45

    Claudie,

    Que comentário mais despropositado! Não sei se já reparou mas este texto que tanta confusão lhe está a fazer, tem neste momento cerca de 3300 gostos e provavelmente um número superior de visualizações. Ora bem, depois de uma curta visita por vários textos do site, chego à conclusão a grande maioria não atinge sequer os 100 gostos… Portanto se quisermos falar de como chegar a um público alargado, falemos de como tão bem conseguido foi este texto.

    Continuo sem perceber o que tanto o incomoda…

    Um Abraço,

    José Carlos Magalhães

  21. José Carlos Magalhães

    16/11/2013 at 12:47

    Claudia, desculpe!

  22. Cláudia

    16/11/2013 at 14:13

    Ora bem,
    Se o Carlos diz que este texto me faz confusão deve ser verdade.
    Emito a minha opinião (é o lado bom da nova web). Não estou a espera que a acatem.
    Já reparei que não vai acontecer.
    Quanto ao n.º de gostos (que parece que para muitos mede tudo que seja bom hoje em dia) ainda bem. São de facto muitos gostos tendo em conta que Oscar Wilde na sua crónica “As Boas Resoluções” tem apenas 9.
    Permita-me incursões sobre o seu pensamento e concluir que o meu comentário o incomoda.
    Atentamente,
    Cláudia

    • Sérgio Teles

      17/11/2013 at 2:52

      Caro Claúdia.
      Acredito que qualquer pessoa é criticável. Todas as opiniões serão legitimas e legitimadas a partir do momento em que estejam fundamentadas. Se possível bem fundamentadas.
      Dito isto, cabe-me dizer-lhe que tal como escrevia Pessoa sobre Jesus Cristo (“…Que não sabia nada de finanças, /Nem consta que tivesse biblioteca…”) quero acreditar que Oscar Wilde também não tenha acesso ao Facebook para contar os seus “likes” em sites como o citador.pt onde realmente uma frase do ““The Picture of Dorian Gray” sobre as “boas resoluções” contém precisamente… 9 “likes”. É sempre reconfortante ver que está atento mas da próxima faça um “check” completo nas fontes e não troque uma “masterpiece” da escrita como o “Retrato de Dorian Gray” por uma qualquer crónica que parece-me que até nem existe.
      Como escrevia Oscar Wilde: “Most men and women are forced to perform parts for which they have no qualification.”
      Termino dizendo-lhe que a sua escolha pelo “Retrato de Dorian Gray” é perfeita. God knows why…
      Atentamente,
      Sérgio

      • Sérgio Teles

        17/11/2013 at 2:57

        Perdoe-me mas não era minha intenção trocar-lhe o género. Confusão minha.
        Cumprimentos,
        Sérgio

  23. Cláudia Oliveira

    16/11/2013 at 17:49

    Adorei. Eu possivelmente joguei no teu maracana com mais amigos meus. Fui das que colocava os paralelos para fazer de baliza e retiravamos para os carros passarem. Desbravei um campo abandonado, outro amigo foi buscar cal à drogaria, outro criou as balizas e assim nasceu um campo de futebol. A mim, claro deixavam-me jogar porque eu tinha uma bola de couro e porque tb eram meus amigos. O certo é que sempre me destaquei na faculdade de desporto que frequentei à disciplina de futebol. A escola…essa foi o que aprendi com os meus amigos no tal estádio do maracana. E ao fim de semana organizavamos jogos. A pista contra a rua da campaínha e lá ía eu mais a minha bola de futebol. Excelentes lembranças. Boa infância.

    • Pedro Henriques

      17/11/2013 at 14:44

      Não conheço Rio Tinto, lamento.
      Adorei a crónica, o local pouco importa. A minha infância foi passada em Santana da Carnota, Alenquer e foi idêntica. O autor conseguiu de uma forma simples, transmitir sentimentos, cheiros, aventuras e isso é de louvar.
      Cada crónica do João é uma viagem. Em todas retiramos algo, pensamos “epá, já vivi isto” ou “um dia vou fazer assim”. Claro que há crónicas com que nos identificamos mais e outras nem por isso. Neste caso a ação até podia ter sido na Sibéria, o que conta são as histórias de vida, a maneira como são contadas e o brilho que causam no olhar de quem consegue ver para além das palavras.
      Sonhar com os olhos abertos não é para todos, muito menos fazer sonhar.
      Parabéns João. Exelente trabalho!

  24. paulo gomes pisco

    17/11/2013 at 16:59

    Olá João adorei a tua crónica tambem joguei muitas e muitas vezes no nosso maracana o meu maior orgulho e mostrar o meu B.I e ter lá natural de Rio Tinto nasci no lugar de rebordãos C/6 rio tinto e sei muito bem o que queres dizer nesta tua magnifica cronica e quando entravamos no nosso estadio de terra ou paralelo com aquele famoso traje calça fato treino por dentro das meias e calções por cima das calças luvas de lã que pinta Lol,depois de tanto barulho caneladas daqui caneladas dali lá iamos todos os amigos de verdade tomar um banhinho a preza a ida para nossas casas vamos a fruta umas vezes corria bem outras vezes lá vinha o lavroscas a trás de nós que festa o principio que medo mas depois era só rizota e lá nos sentavamos no chão abriamos as camisolas e toca a juntar a fruta toda para todos comermos caia na terra não fazia mal esfrega na camisola e já está toca a comer Looool adoro tanto a minha terra e esse tempo e os meus amigos que criem um grupo no face estão lá quase todos estamos uns para cada lado mas com o coração na nossa terra alguns já nos deixaram ainda jovens um deles era o meu melhor amigo acho que fomos amigos desde que nascemos Lol era mais velho que eu três semanas eramos tao amigos mas tao amigos que em pequenos pegamos num vidro cortamos um dedo cada um e unimos os dedos para fazer um pacto de irmãos de sangue faleceu com 25 anos penso nele todos os dias das nossas macacadas acabamos por ser cunhados casei com uma das irmãs dele e sou muito feliz assim me despeço teria muito mais para contar um grande abraço JOÃO e para todos os maracanenses tudo de bom.

  25. Tânia Rodrigues

    18/11/2013 at 10:14

    Caro João,

    Quando escreves esta crónica, elevas Rio Tinto a capital da cultura, a capital dos sonhos, capital do amor, capital das letras, capital da magia e tudo mais que o nosso imaginário permita. Então, Rio Tinto passa a ser do melhor que há, realmente. E isto, porque para além de passar a constar no mapa de viagens e de sonhos de cada um de nós, sim, porque todos conseguimos estar contigo em Rio Tinto e conhecer o teu Maracanã, a tua cidade consegue chegar a meio mundo e apenas muda de nome em cada coração. Rio Tinto tem aqui um belo cartão de visita, precisamente pela forma sublime, encantadora como chegou a tantos de nós, e nós somos poucos… Há afinal um Rio Tinto em cada um de nós, o meu chama-se Gerês, o teu chama-se Porto, o dele poderá chamar-se Braga e outros há que mil nomes terão, e então? Simplesmente, Parabéns João, Rio Tinto está de parabéns! É bom viajar sem sair do lugar!

  26. VP

    19/11/2013 at 12:06

    Parabéns João! Estás sempre em grande.
    Admiro pessoas tão eruditas que comentam c/ afinco esta tua crónica ( brilhante, a meu ver ) e depois esquecem-se de pequenos pormenores ortográficos.
    Agradece e acontece não levam Ç!

  27. Mario

    22/11/2013 at 7:57

    Ola Joao. E apesar de nao te conhecer, este texto nao deixou de me trazer boas recordacoes. Apesar de Rio Tinto nao ser o meu local de infancia (o Bairro do Outeiro nao fica muito longe), tambem sou daqueles que o vento levou. Pois no computador onde escrevo tambem nao tenho os acentos ou cedilhas. Quem sabe um dia irei ao teu Maracana e quanto mais nao seja serei o treinador de bancada. Obrigado pela viagem no tempo. Um abraco.

    • João Nogueira

      09/02/2014 at 2:19

      Olá, Mário. Muito obrigado. Um abraço e desculpe pela resposta tardia.

  28. pedro jesus

    08/02/2014 at 9:48

    Maracanã… a meio caminho da extinta Fertor e o campo de jogos do atlético
    Esse sei qual é.O da imagem não.Mas é essa uma lembrança marcante das muitas que tive de infância.As criticas à cronica valem o que valem,não sendo eu um analisador de textos,para mim tanto dá o que considerem o texto,para mim é um conto que ilustra bem a idade da inocência desse tempo,sendo Rio Tinto um local “genérico”´que vale para qualquer outro.Apenas um reparo,não trepávamos macieiras,mas sim pinheiros e carvalhos.E fazia se um piquenique com cebola sal e vinagre.
    Cumprimentos

    • João Nogueira

      09/02/2014 at 2:16

      Olá, Pedro Jesus. Muito obrigado. Um abraço.

  29. Diana Martins

    12/05/2014 at 22:48

    Muitos Parabéns por esta crónica, João ….
    Não jogava à bola, mas identifico muitos cenários semelhantes aos da minha infância… e talvez – de vez em quando – fizesse parte dessa plateia gigante. Na semana passada, começaram a destruir mais uma bouça, bem ao lado da minha casa… Dias muitos tristes aqui se vivem e, soube-me por isso muito bem, ler e recordar uma vez mais, tudo o que ali se viveu.

    Obrigada! Bem haja !

  30. Paulo Silva

    04/06/2014 at 1:09

    Sou Rio Tintense e este maracanã parece o meu lugar. O famoso Artur barbeiro, leva-me à “boucinha nova” onde a nossa “PS2” da altura tinha pilhas até soar o berro da mãe que se ouvia ao longe. Era o desligar do jogo e voltar a casa.
    Boas recordações

  31. nair Filipe Ferreira

    27/06/2014 at 18:18

    Adorei esta crónica. Excelente escrita. Vê-se a realidade, apenas a ler. Tenho familia na “pista ” vou lá muitas vezes, e os meus familiares mais novos passaram esta infancia maravilhosa.Contihue João, eu vou continuar a lê-lo.

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