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Quilelo

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Quilelo é uma mulata angolana de quem só falo na presença do meu advogado, não vá alguém querer acusar-me de, pelo facto de ser casado, estar estritamente proibido de me referir nestes termos em relação a outra mulher.

Quilelo tem a minha altura, tem entre quarenta e cinquenta anos, um ar airoso e um sorriso que motiva querermos conhecer o facto que terá estado na sua origem. Há nela a presença viva de uma mulher que acredita no amor e sendo bonita acredita que vista de qualquer ângulo prolonga o prazer que temos ao vê-la de frente.

Os olhos são expressivos como a reação a quente ao beijo da mulher amada e o cabelo negro representa o lado sombrio do caráter de quem não entende logo à primeira o que ela diz. O nariz é achatado e lembra o de outra negra a quem um igual àquele foi dado, simplesmente por não haver outro que lhe ficasse melhor.

Porém, Quilelo não só é bonita como generosa, sensível e emotiva, e por causa disso é que chora e cora como há muito não se via numa mulher acostumada a ouvir elogios por parte dos homens desde a adolescência.

Mas se é de frente, que no lugar dos lábios parece despontar uma flor, de perfil é que ela parece ter desabrochado dando origem a uma rosa.

Quilelo é farinha de mandioca, quiabo, papaia e maçaroca. Um prato cheio de Moamba comido no intervalo de uma receita de Galinha de Ginguba que lhe ensinou a confecionar a mãe. A negra é tudo e não é nada. É tanto e tão pouco, que a encaro sempre da forma como hei-de um dia chamar a uma mulher que reúna em si mesmo todas as qualidades.

E só é uma afronta, para quem, de não cumprir o dever de fazer os outros felizes, é que nunca se cansa. Quilelo transporta a energia do curso de água de um rio, que de montante à foz cumpre uma vintena de quilómetros em menos de um minuto. Tempo suficiente para vermos que em qualquer uma das margens, por onde ele passa sem a presença dela a assistir fica a paisagem mais pobre.

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