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Rita, anda ver o verão! – Cap.20

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A mãe de Rita não estava disposta a alterar o teor dos recados que deixava à filha presos com ímanes nas paredes do frigorífico, enquanto as recomendações de que era útil lembrá-la, fossem as mesmas todos os dias.

Rita foi ao quarto de Renata ver o telemóvel tinha ficado por engano esquecido. Com o aviso de sete tentativas de chamada, lá estava a piscar a sinalética que apontava ao nome do namorado, que variadíssimas vezes deve ter tido vontade de apaga-lo, só para que Renata, não reconhecendo a proveniência da chamada, lá se decidisse atender o aparelho e assim pudessem falar.

Roberta estava sentada à mesa, entretida a contar feijões, quando se aproximou com o telemóvel na mão que mostrou à mãe. Esta, puxou-a e sentou-se num banco no meio de ambas, como se pretendesse mediar uma briga de manas que ainda não tivera lugar. Rita disponibilizou-se para ajudá-la nas tarefas domésticas, com os pratos e os copos, enquanto ela descascava cebolas e fazia um refogado, contribuindo para a felicidade da mãe ao reservar na mesa lugar para o pai, que tinha alertado de manhã para a possibilidade de chegar mais tarde.

Quando faziam serão no escritório, jantava com os colegas e bebia um copo de coca-cola fresca ao deitar. Recentemente a esposa dera conta de estar a engordar. Na cintura algumas calças estavam apertadas e Rita achava que era num desses restaurantes de comida de plástico que desaconselhava para as filhas, que ele e os colegas comiam, quando saía tão tarde do escritório que chegava a casa sem fome, nem vontade de acordá-la para dar-lhe um beijinho de boa noite.

(Continua)

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