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Salvador Sobral – o Éder da Eurovisão

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Salvador Vilar Braamcamp Sobral, finalista do Festival Eurovisão da Canção, patinho feio até à poucos meses atrás, agora tratado como o Salvador da pátria. Um género de Éder mas no campo musical. Nascido em Lisboa, a 28 de Dezembro de 1989, concorreu ao programa Ídolos em 2009, com apenas 19 anos, e terminou num honrado 7º lugar. Posição essa que seria motivo de grande orgulho não fosse o tipo que ficou em 3º lugar o/a igualmente famoso/a Carlos Costa.

(Se não sabe quem é Carlos Costa deixe-me que lhe diga que também não perde nada. Eu próprio desejo do fundo do meu coração esquecer-me que um dia vi tal personagem. Mas se porventura quiser mesmo saber de quem falo, bastará fazer uma pesquisa no Google e facilmente encontrará tal pessoa. Deixe-me dar-lhe só mais uma dica, por favor evite fazer essa pesquisa no separar das fotos).

Depois do programa Ídolos Salvador viajou para Maiorca, em Erasmus, onde estudou Psicologia. Bom… Estudou Psicologia é maneira de dizer, na realidade ele andou a foi a tocar em bares, a Psicologia foi apenas uma desculpa que ele arranjou para andar no forrobodó pelas ilhas Baleares. Voltou para Portugal e cagou-se para a desculpa, peço perdão, para a Psicologia, e foi para Barcelona onde acabou por estudar música e tocar na banda pop-indie Noko Woi.

Em Março de 2016 foi editado o seu primeiro disco: “Excuse Me”, uma co-produção com uma porrada de gente famosa que se disponibilizou a ajudá-lo por ser irmão de Luísa Sobral, Ups… Quero dizer, por ser um jovem cheio de talento.

2017, ano onde decidiu participar no Festival RTP da Canção! Luísa Sobral, a sua irmã e mentora, escreveu uma linda música para ele interpretar. Música essa que cantou e encantou! Pelo menos aos júris já que o povo português escolheu a banda Viva La Diva com o tema “Nova Glória”. E é aí que é aí que, para mim, começa o busílis da questão…

Que o Salvador não tem o perfil de Festivaleiro que este certame pede já nós sabíamos. Que o seu passado estava marcado por alguns momentos, digamos que… menos bons, envolvendo drogas e uma ou outra experiência mais duvidosa as revistos cor de rosa já fizeram questão de partilhar. Que o seu estado de saúde é débil e incerto isso também já se sabe. Agora, se este é o tipo ideal para dar a cara por Portugal, lamento mas penso que não…

(Esta é a parte em que peço a todos os fãs incondicionais do querido Salvador, e defensores dos fracos e oprimidos que por favor fechem a página e vão à vidinha deles enquanto cantam a música do “Amar pelos Dois” e criticam quem fala mal do seu cantor no Facebook. Caso opte por continuar a ler não me responsabilizo por todos os sentimentos negativos que possa vir a ter sobre a minha pessoa.)

Falar mal do Salvador Sobral é errado. Pior mesmo só se ele fosse preto, cigano, gay, ou refugiado. Se há coisa que o povo português gosta é de defender os desgraçados e minorias. Salvador Sobral não enaltece a música portuguesa. A sua forma de cantar, trejeitos, ar alucinado e tresloucado não espelham de forma alguma o típico cantor português. (Quanto muito a Maria Leal ou a Ana Malhoa). Salvador Sobral está onde está graças a uma triangulação de fatores que potenciaram a sua posição ali. Digamos que foi uma espécie de pedido à fundação Make-a-Wish. Isso ou então porque está mais do que provado que os bons cantores portugueses estão-se literalmente a borrifar para este festival.

Agora, será que o Salvador irá ganhar o Eurovisão da Canção? É bem provável que sim. Ao fim ao cabo ele preenche o 1º requisito, e mais importante, para se vencer este espectáculo. Ora vejamos:

3º Os países atribuem o maior número de pontos aos seus países vizinhos; (aqui estamos lixados pois só Espanha nos dá os 12 pontos.

2º A eleição é feita, regra geral, pela artista com os maiores seios e menor tecido no vestido; (lamento Salvador mas com a roupa que usaste ontem não te safas. Se ainda tivesses levado a roupa que levaste à final portuguesa ainda podia ser que a malta ficasse a imaginar o que haveria por debaixo daquele espaço todo vazio);

1º O artista mais irreverente e mediático do grupo. (não tivesse já existido um(a) vencedor(a) de barba, chamado/a “Conchita Wurst”, e este ano termos como favorito um artista que canta com um macaco);

Sim, porque desengane-se que ainda julga que este festiva premeia o melhor cantor, ou a melhor letra e melodia, a atribuição do primeiro prémio serve apenas para provar que a Europa é tolerante e aberta a novas ideias e estilos…

Para finalizar resta-me apenas parabenizar o Salvador Sobral. Sei que tudo isto já é uma vitória para ele, pois há muito tempo que não se falava tanto da Eurovisão como este ano. Que foi muito importante transmitir uma mensagem a pedir ajuda para os refugiados, envergando uma t-shirt com essa mensagem na T.V., e sei também que este era um sonho dele. Por isso Salvador, olha bem à tua volta e agradece a todos aqueles que te ajudaram chegar onde chegaste e se perderes não fiques triste. Se em 2009 o Carlos Costa ficou à tua frente na classificação este ano perderes para um tipo que canta com um macaco em palco não é motivo de vergonha, muito pelo contrário. Um abraço.

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