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O Setôr João é bué de fixe!

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Trato-o informalmente pelo Sr. Professor, desde o dia em que graças à forma como escreve, percebi haver coisas que dificilmente alguém melhor do que ele descreve, empregando as palavras.

Ei-lo agora à secretaria do escritório, na mais pequena divisão da casa onde mora, a corrigir o teste de uma aluna cábula, enquanto medita nos termos em que lhe vai dizer que terá uma má nota, fazendo-a acreditar que da próxima vez, dependendo da sua vontade, poderá acontecer o contrário.

Idealizando o que desejaria ser quando crescesse, nem sempre lhe passou pela cabeça tornar-se professor e dispor-se a ensinar resmas de turmas de alunos numa escola, onde à falta de motivação que eles demonstravam, tivesse de somar a inércia dos diretores de escola colocados em bicos de pés, habituados a olhar do alto para os problemas, de preferência a partir de uma distância que, à vista desarmada, os tornasse invisíveis.

Assim senso, ainda muito jovem, equacionou, pesando os prós e os contras nos pratos desnivelados de uma balança, tornar-se futebolista ou andebolista ou hoquista, modalidades onde, equipado de azul e branco, exibiria dotes de goleador ao serviço do clube listado do coração, na fundação do qual não pôde estar presente porque ainda não era nascido, mas que viu renascer, quando, em plena bancada, vibrou com o golo de calcanhar de Madjer aos alemães, que permitiu à coletividade, a partir daí roubar protagonismo ao Benfica.

Nogueira é o apelido, mas João é o nome próprio do Sr. Professor, nome pelo qual justamente o tratam, como a um igual, os antigos alunos que há muito terminaram o curso do Secundário, mas sempre que o veem fazem uma festa, como se, mesmo noutras escolas que tenham frequentado, ele é que os tivesse passado de ano a todas as disciplinas até terem ingressado na faculdade.

Não o conheço muito bem, infelizmente. Porém, leio um pouco do tanto que já escreveu e sei que é boa pessoa, pela sensação de nunca nenhum dos seus textos me ter merecido reparo. Um bom sujeito de quem só ainda não tinha falado em crónicas anteriores, porque venho privilegiando a ideia de escrever acerca de mulheres e não achar que, ao lado de alguma delas, ele pudesse formar um par tão bonito como faz ao lado da esposa, que se chama Elsa.

Vejo-o sempre nas fotos, de cabelo curto dos lados, espetado em cima como uma lança que aponta para onde não raras vezes tem os sentidos voltados. Porque é de pés assentes na lua, que muitas vezes imagino que ele está, quando outras pessoas que passam por ele e igualmente o veem, nem percebem que está a pairar. A congeminar frases que em poucas palavras deem sentido ao parágrafo onde elas estão inseridas. Rodopiando a cabeça em busca das expressões adequadas a tornarem um texto recentemente acabado de escrever, na coisa que maior grau de satisfação pessoal lhe possa ter causado, de entre todas as que tenha efetuado nesse dia.

Mas é igualmente de onde desponta o cabelo em riste, que escapam as melhores ideias, ideias que afinal só no que concerne à escolha de um novo penteado é que não se revelam brilhantes.

O Sr. Professor vai escrevendo e até já tem obra editada. Escreve de forma assaz original e pela forma como ordena os pensamentos, deve ser pelo menos uns vinte anos à frente do seu tempo, que ele deseja pôr a pensar os leitores que o seguem na atualidade.

Popularizado nas redes sociais, nunca, quando na sua página João publica um texto, faltam likes, em número suficiente para pensarmos que é como se cada pessoa que o segue, só estivesse à espera de vê-lo escrever exatamente nos termos em que estava a pensar, para acrescentar um polegar a dizer que concorda.

O Sr. Professor é feliz e, para isso, contribui decisivamente reunir na vivência do seu quotidiano, o melhor de dois mundos, isto é, nasceu na Invicta e vive presentemente na capital, junto de Elsa, a mulher que reciprocamente o ama e do filho, que ainda de mais orgulho se há-de encher do pai, quando daqui a uns quatro anos aprender a ler e puder por si desfrutar dos maravilhosos textos que ele lhe tem escrito.

 

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