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Supermercados, um antro de terror…

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Era uma vez um rapaz pacato, e pai de família, que tinha por hábito complicar tudo o que era por demais básico. Esse rapaz tentava viver uma vida calma e tentava por tudo comportar-se de uma forma normal para evitar ser julgado de uma forma negativa pela sociedade que o envolvia diariamente na sua vida. Mas, por mais que ele tentasse, o universo parecia querer sempre conspirar contra si. Todas as tarefas que, tal como pai de família que era, era obrigado a efectuar, revelavam-se sempre muito complicadas para ele. Um dia, esse rapaz foi incumbido da singela tarefa de ir ao supermercado adquirir produtos para o bem-estar da sua família. O que parecia ser uma simples tarefa transformou-se numa árdua luta contra aquilo que é, para todos os seres humanos em geral, algo deveras simples.

O rapaz deslocou-se até a um supermercado que, para evitar processos judiciais, o seu nome não irá ser revelado nesta crónica, mas que começa pela palavra “Int” e acaba com a palavra “maché” com “er” no meio. A sua tarefa era por demais simples: apenas teria de adquirir algo simples como uma embalagem de manteiga. Uma básica embalagem de manteiga. Quão complicado poderia revelar-se tal tarefa? Muito complicada.

O rapaz entrou no supermercado e, tal como o mais comum dos mortais, dirigiu-se à secção dos frescos. Por norma, é lá que se encontram as embalagens de manteiga. Ou seria de esperar que sim… Mas, tal não foi o espanto deste pacato rapaz, quando constatou que, naquela secção em particular, existia toda uma enorme variedade de frescos menos o raça da manteiga. O rapaz não se fez rogado e optou por não desistir de procurar. Pensou para com os seus botões que a dita cuja manteiga deveria estar na secção dos lacticínios. Dirigiu-se para aquela secção convicto que iria encontrar imediatamente a pelintra da manteiga que tanto almejava adquirir. Mas estava redondamente enganado. A secção tinha os produtos correctos para o nome que lhe está atribuído, tais como leite, natas e outros que mais. Mas e a manteiga? Não havia sinal da manteiga.

O rapaz começou a revelar-se algo impaciente e, mesmo sabendo que seria uma atitude absurda, achou que deveria encher os pulmões de ar e aventurar-se numa busca desenfreada pela manteiga em todas as secções daquele supermercado. Secção das massas e arroz, mas nada de manteiga. Secção de produtos para automóvel, mas nada de manteiga. Secção do pão, mas nada de manteiga. Secção dos refrigerantes e, uma vez mais, nada de manteiga. Onde raio estaria a sacana da manteiga que o rapaz tanto queria adquirir. Obviamente que o mais simples seria o rapaz interrogar algum funcionário do supermercado onde poderia encontrar a tão almejada manteiga, mas a teimosia absorveu-o por completo e optou por não o fazer. Continuou na sua busca insana pelo produto em questão até que, ao passar pelo talho, algo o chamou à atenção. Ao lado dos queijos frescos, fiambre e outros que mais, lá estava ela: a manteiga!

A pelintra da manteiga estava bem escondida no meio daqueles produtos e o rapaz, de respiração ofegante e coração acelerado, investiu violentamente contra o vidro que protegia os produtos daquela secção e desatou aos berros:

“Aí estás tu! Sua estúpida! Achas que isto é sítio para te esconderes?! Achas? Já corri o supermercado inteiro à tua procura! Sabes que mais? Odeio-te!”

As pessoas que estavam à sua volta assustaram-se com aquela reacção. Começaram a comentar entre si sobre o que se estaria a passar ali e, num instante, já quase todo o supermercado ouvia os berros do rapaz. Juntou-se uma multidão naquela zona e, a dada altura, um segurança aproximou-se do rapaz tentando acalmá-lo. Mas o rapaz, outrora pacato, tinha-se transformado numa espécie de Hulk e barafustava veementemente contra a manteiga, chamando-lhe nomes e dizendo coisas estranhas tais como:

“Eu vou levar-te para casa e vou maltratar-te muito! Vou pegar numa faca e cortar-te de forma irregular! Tu não vais gostar! Mas é o que mereces por te esconderes de mim neste sítio! Sua estúpida!”

O segurança pediu ao rapaz para se retirar do supermercado. Ele não acatou esse pedido e continuou na sua demanda de insultos ignorando tudo o que estava à sua volta. A dada altura o rapaz pediu ao funcionário que lhe desse todas as embalagens de manteiga que ali se encontrassem. O funcionário, talvez esperançoso que isso o acalmasse, fez o que lhe fora pedido. E o caos instalou-se. O rapaz desatou à porrada às embalagens estragando-as de forma irreparável. O segurança foi obrigado a intervir, imobilizando-o, e com a ajuda de outras pessoas acompanhou-o até a rua onde o rapaz caiu finalmente em si e viu o que tinha acabado de fazer. Pediu imensas desculpas, pagou todas as embalagens de manteiga que tinha estragado, acabando por levar apenas uma para casa.

O que terá acontecido àquela embalagem ninguém saberá, mas esta história tem uma moral que deve ser intensamente tomada em conta:

“Se se vai comprar um produto ao supermercado, o melhor é ignorar o orgulho e perguntar a um funcionário onde se encontra tal produto, com o intuito de não se ir à falência…”

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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