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Táxi é rock!

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Numa versão portuguesa pela banda nortenha Táxi, “Imagine” do malogrado John Lennon, seria uma canção alegre suscetível de ser ouvida numa pista de dança.

Acabei de escutá-la, na interpretação de um pirómano meu amigo, que sempre que nos brinda com o seu talento, simplesmente destrói tudo em que pega para cantar, como se às canções lançasse com o original da partitura nas chamas de uma fogueira.

Nas tertúlias da Universidade, gosta de se embebedar e juntar, na farra, aos alunos que têm aulas no Conservatório de música, para, armado em barítono, com a sua voz de ventríloquo, cantar-lhes árias de ópera em falsete, como se quisesse mostrar-lhes que cada nota pode, bastando cada um querer, reproduzir um som totalmente diferente daquele que os professores perderam tempo a ensinar.

Aos que privavam com ele há mais tempo, devia continuar a surpreender que, de tanto sair na companhia dos alunos mais boémios que se poderia imaginar, ainda não tivesse aprendido a disfarçar de maneira a poder-se desculpar pensando que estava bêbedo, ou que não soubesse ainda pronunciar um Lá, sem ficarmos de imediato com dó de, ao invés do curso de Filosofia Quântica, não ter escolhido outro em que toda a gente tinha de entender o que dissesse.

Podia dar-se a coincidência de ter nascido no dia do mês de Março de mil novecentos e sessenta e sete em que John Lennon teria acordado disposto a separar-se dos restantes Beatles, pensando compor uma balada sem que se pensasse ser da autoria de McCartney.

Contudo, inclino-me mais a pensar que terá sido num primeiro encontro entre os membros futuros fundadores dos Monty Python, que com um estilo de humor inconfundível haveriam de pôr o mundo a rir.

Lembro-me dos Táxi à razão de quatro ou cinco vezes por dia ou sempre que oiço uma canção, cantada ou não em Português, que eu ache que podia ser melhorada. De cariz comercial, a banda formada pelos quatro músicos da invicta, destacavam-se por comporem uma banda vibrante, praticamente tanto como uma equipa que joga um futebol ofensivo e, mesmo quando perde, é aplaudida de pé pelos seus adversários. Seria os Táxi e mais dez, para quem gostasse tanto deles que a sua música seria a banda sonora premiada de um filme com final feliz.

Músicas de enredo fácil, acompanhadas de letras feitas em consonância com os anseios da juventude daquela época, algo conturbada recém-saída do vinte e cinco de abril, tornaram-nos presença assídua nos programas da TV, o que fez com que graças a vários singles tivessem ocupado o primeiro lugar no top de vendas nacional, assim contribuindo para o lançamento do rock português na década de oitenta, ajudando-o a ter uma pujança que no aspeto económico o país nunca logrou alcançar

João Grande era o vocalista, a reboque de quem os outros três músicos tocavam afinados como se pertencessem a uma orquestra. Henrique Oliveira e Rui Taborda eram o guitarrista e o baixista, respetivamente, de cujo ritmo não se queixava de não conseguir acompanhar, Rodrigo Freitas, o talentoso baterista que, por via das dúvidas, batia com força redobrada nos pratos para ter a certeza de que era ouvido pelos restantes elementos do grupo.

Táxi é rock! Não passa de uma legenda a negro, estampada à altura do peito numa t-shirt de fundo branco para mostrar o que se dedicaram quatros rapazes a fazer, no sentido de nos deixarem de herança um legado musical mais valioso e duradouro do que seria uma torre de betão com trezentos metros erguida em direção ao céu.

Mas podia ser o título de uma coletânea que reunisse o melhor produzido nas diversas editoras por onde passaram. Todos os sucessos, mesmo aqueles que jamais cantou o amigo de que falei anteriormente ou acabaria por dar razão a todos aqueles que já diziam na altura, que eram muito melhores os UHF.

Nota final:

Para quem não conhece anexo a faixa de maior sucesso.

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