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Tiki-taka (original) vs. Tiki-taka 2.0: Xavi/Iniesta contra os Silvas

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Se há coisa que custa a um indefectível adepto de Mourinho é reconhecer o mérito de Guardiola. Pois bem, eu sou fã de Mourinho. Eu sou fã de Mourinho e tenho que reconhecer que nunca vi futebol igual ao das equipas de Guardiola. Uma das críticas que sempre se puderam assacar ao espanhol é o facto dele escolher desafios fáceis, como foi o caso do Bayern de Munique. Mesmo o Barcelona, era um desafio onde outros treinadores menores ganharam. Mas treinar em Inglaterra, onde está a nata da nata dos treinadores mundiais, bem, vencer lá não é nenhum piquenique.

Pois bem, Guardiola não só venceu, como convenceu. Com um futebol perfumado, a fazer lembrar os tempos de Barcelona. Um futebol com jogadores de baixa estatura, porém, de grande intensidade com bola. E como sempre, é ela que corre mais no meio campo, e não os jogadores. Esses, bom, esses tratam-na como ela deve ser tratada e colocam-se em posição de a recuperar de imediato, caso ela caia para o rival.

O grande segredo do melhor Barça, aliás, da melhor equipa que vi jogar de sempre era mesmo esse, a bola corria pelos jogadores do meio campo e eles pouco corriam com ela. E nesse meio campo despontavam os dois expoentes máximos do famoso Tiki-Taka, Xavi e Iniesta. Dois jogadores que não se poderiam qualificar como 6,8 ou 10. Eram um misto de tudo, eram quase jogadores perfeitos para aquela tática. Reagiam à perda de bola de imediato e nas imediações da área adversária, agindo como um 8. Passavam a bola como um 10. E começavam o processo de saída para o ataque bem baixos se fosse necessário, como um 6. Era a dupla perfeita de construtores de jogo. Pensavam como um só jogador.

Pois bem, o tempo passou, Guardiola saiu, o Barça ganhou. Mas nunca mais foi a mesma coisa. A verdade é que os dois engenheiros/mágicos/executivos também foram fazendo anos. Mas isso não explica tudo. A verdade é que hoje, com outros intérpretes, o Barça não tem o brilho de outros tempos. A verdade é que hoje, com outros intérpretes, o City tem um brilho como nunca teve na sua história. Por isso, mérito a quem o tem, mérito ao treinador.

Porque o grande treinadores transforma os bons jogadores em grandes. O grande treinadore transforma os grandes jogadores em lendas vivas do desporto. Claro que a nova dupla de construtores de jogo do City, os Silvas, já eram muito bons jogadores. Mas Guardiola moldou-os. David Silva sempre foi mais avançado que um verdadeiro 10, Bernardo Silva era uma espécie de avançado com toques de 10, mas nenhum deles era um 8, quanto mais um 6. Pois bem, os ensinamentos dum grande treinador trouxeram novas valências a estes dois grandes jogadores.

Hoje, vemos jogos grandes onde estes dois avançados, são 6, 8 e 10 ao mesmo tempo, em que acompanhados de apenas um homem de origens mais defensivas, Fernandinho, tomam conta de qualquer meio campo, independentemente da equipa que esteja do outro lado.

Agora, surge uma pergunta, qual a melhor dupla de construtores de jogo, Xavi/Iniesta ou os Silvas?

Ao princípio, quando esta pergunta me surgiu, pensei que seria de resposta fácil. Afinal, em Xavi e Iniesta estamos a falar da melhor dupla de construtores de jogo da história do mesmo (mera opinião pessoal). Mas depois dalgum pensamento, a complexidade atingiu-me.

Ora, vamos por partes: em Xavi e Iniesta temos dois jogadores com um poder de finta extraordinário, um pouco mais defensivo o primeiro, um pouco mais dez o segundo. Nesse parâmetro, enganar o adversário, estão lá em cima com pouca companhia. Nesse sentido, e apesar de Bernardo e David também fintarem como poucos, o Tiki-Taka original é inultrapassável.

Falemos no passe, a base do Tiki-Taka. E apesar dos Silvas perderem muito pouco a bola, não a conseguem tocar em pressão, bem dentro do bloco adversário como os originais. Mais um ponto para o clássico.

No roubo de bola… e para meu espanto, a coisa encontra-se empatada, porque se há mérito de Guardiola no treino, é a forma como ele consegue comprometimento da arte em prol do colectivo. E hoje, vemos um Bernardo Silva a pressionar no momento da perda como se fosse um trinco, e David Silva, que sempre foi um jogador poupado a essas tarefas a defender como se tivesse nascido 6.

Progressão com bola, aí, talvez, a vantagem esteja no actual tiki-taka. Porque Xavi e Iniesta eram jogadores um pouco uni dimensionais, não se aventuravam sozinhos em velocidade, porque simplesmente não a tinham, principalmente Xavi. Já Bernardo, que não é um velocista por natureza, é um jogador que consegue boas mudanças de velocidade, e atacar a profundidade com bola controlada, tal como David Silva.

Golo, a festa do futebol… aí, não há a mínima dúvida, o original perde em toda a linha. Claro que Xavi marcava uns livres de vez em quando, Iniesta também rematava algumas vezes, mas os Silvas têm muito mais golo.

Ou seja, com os Silvas não existe aquele brilho do futebol ao primeiro toque bem dentro do bloco adversário, embora também façam desse o seu território, mas por outro lado, existem mais nuances táticas a serem aproveitadas, num futebol mais diversificado e menos previsível.

Qual a melhor dupla?  Não sei. Mas qual o melhor treinador? Isso já sou capaz de saber… infelizmente. 🙂

 

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