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Tens um homem que nem mereces…foda-se! Parte 2

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Um dia destes, vi um video que anda a circular nas redes sociais, o video, filmado por uma besta qualquer, é de uma mulher que está sentada no sofá, provavelmente em sua casa, com uma criança pequena ao colo ( a criança usa chupeta e está de pijama ), e o marido ou namorado está com uma tesoura na mão a cortar-lhe os seus longos cabelos, bem curtos, contra a sua vontade claro, eu vi o video sem audio e não vi até ao final, mas na legenda estava escrito: a atitude que o marido teve após descobrir a traição da mulher. Incomodou-me bastante ver aquela cena, achei de uma violência extrema, muito mais violento do que dar um estalo. Mas que direito tem um ser, que poder tem um homem sobre uma mulher que lhe permite cortar os seus cabelos como forma de vingança? Foi traído? Há homens que merecem mesmo um valente par de cornos, este deve ser um deles. A violência é exercida sobre as mulheres de varias formas, violência não é só o acto de bater, é também humilhar, exercer pressão, exercer culpa, não cuidar, magoar…não é só nos companheiros que a violência existe, a sociedade é perita em denegrir as mulheres, especialmente em palavras…

  • Se és solteira, dizem que deves ter algum problema porque não consegues ” arranjar um homem”, “ninguém lhe pega”.
  • Se socializas mais com mulheres és fufa, se socializas mais com homens és uma puta.
  • Se vives sozinha, ” não sei como é que ela se sustenta sozinha”, se vives com os teus pais “aquela anda a viver à custa dos pais, a  malandra.
  • Se tens uma família que te apoia, tens uma família que não mereces porque és rebelde, se tens uma relação fria e distante com a tua família, a culpa é tua porque tu é que te afastaste e não tens capacidade para engolir sapos próprios de família.
  • Se és casada e tens uma relação conflituosa a culpa é tua, porque não tens paciência para o teu marido. Se o teu marido divide as tarefas de casa contigo, “a sostrona não faz nada, fica com o cu alapado no sofá a ver a novela enquanto o marido arruma a casa, coitado vem cansado de trabalhar e ainda tem de limpar, se tem algum jeito”, se o teu marido exerce igual dever parental, “que sorte que ela tem, tão bom pai, leva os miúdos à escola, da-lhes banho.” Se o teu marido cozinha, “a mulher não sabe cozinhar”, se és tu sempre a cozinhar não fazes mais que a tua obrigação, afinal ele vem de trabalhar ( e nós não? ), e o lugar dos homens não é na cozinha. Se traíres o teu marido és uma vaca que não merece respeito nenhum, ele nem merecia que é um bom homem, se o teu marido te trair a culpa é tua porque não lhe davas sexo, se os homens não tiverem sexo dentro de casa vão procurar fora.
  • Se és casada e feliz, vão dizer que tens um homem que nem mereces, que és uma sortuda.
  • Se decides não ter filhos, chamam-te egoísta e egocêntrica, porque a mulher foi feita para procriar, uma mulher sem filhos é incompleta. Se tens um filho, ai um é pouco, tens de lhe dar um maninho ou uma maninha”. Se tens dois filhos, tens dois meninos falta a menina, tens duas meninas falta um menino, tens um casal falta o terceiro. Se tens o terceiro filho, “a gaja está maluca, olha nos dias de hoje ter três filhos”.
  • Se tiveres uma boa relação com a sogra, “a minha nora teve muita sorte com o meu filho”. Se tiveres uma má relação, o pensamento vai ser igual.
  • Se és divorciada, mas infeliz, a culpa do divorcio foi tua, o teu ex marido já estava farto do teu feitio. Se és uma divorciada feliz e bem resolvida, tens a mania e agora já não arranjas mais nenhum lorpa como o primeiro.
  • Se és uma mãe dedicada e presente, não dás liberdade aos teus filhos. Se és uma mãe mais independente e cool, dás muita liberdade aos teus filhos.
  • Se, os teus filhos quando crescerem, forem bem sucedidos e felizes, “ricos pais que eles tiveram que os educaram e apoiaram em tudo”. Se, no futuro, os teus filhos forem criminosos, a culpa é da mãe que não lhes deu educação nem afecto.
  • Se tens uma profissão mediana, “a cabeça dela não dava para mais, que estudasse em vez de namorar”.  Se ocupas um cargo de chefia numa empresa, “ela só chegou a chefe porque foi para a cama com o patrão”.
  • Se tens excesso de peso, a culpa é tua porque comes muito, não fazes exercício físico, tens uma vida sedentária e fazes pouco sexo.
  • Se és boa como o milho, ” tem a mania que é boa, tem tempo para ir para o ginásio mas lavar a louça em casa nepias.”
  • Se andas bem vestida e minimamente cuidada, tens a mania que és doutora. Se te desleixas, és uma badalhoca.

Tantos ses. tantas culpas, tantos defeitos, numa sociedade que é tão imperfeita, tão estúpida e julgadora…mas quem é digno de julgar alguém se não nós de nós próprios?

Hoje ia no metro, presenciei uma cena, uma mulher jovem, sentada, com o bebé pequeno, ( mais ou menos 1 mês de idade ) a chorar, num braço, com o outro braço e mão preparou o leite para o bebé, com a perna segurava o carrinho, deu o leite ao bebé que, pelos vistos, estava com fome, reparou que eu estava a olhar para ela e sorriu-me. Esta cena tornou-me saudosa, mas sobretudo orgulhosa por ser mulher. Ali estava ela, uma mulher que personifica todas nós em determinadas alturas da vida, a desenrascar-se em  mais uma rotina do dia a dia. Ali estava ela, a mulher, a amar, a cuidar, a ser e a fazer acontecer, poderosa, generosa, volátil, sensível e real.

“Se eu podia ser homem? Poder podia, mas não era a mesma coisa!”

Frase escrita pela feminista que há em mim

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