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Uma aula de Bimbyês…

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Tenho de confessar que ser possuidor de uma Bimby tem as suas vantagens. Mas também as suas desvantagens. A entrada da Bimby na minha vida familiar veio melhorar substancialmente a minha vida. Especialmente porque tenho uma filha com 21 meses de idade. A questão de passar a não gastar quantidades industriais de dinheiro em papas e sopas para a petiz é uma enorme ajuda no orçamento mensal. Papas, sopas, iogurtes, frutas e outros que mais, passou a ser elaborado na senhora dona Bimby. É uma enorme ajuda, mas também uma espécie de vício capaz de superar até o do tabaco. Pois a minha esposa passa mais tempo agarrada à shôra dona Bimby do que se estivesse a trabalhar 8 horas por dia.

Apesar deste pequeno pormenor, ela conseguiu a árdua proeza de me levar a uma espécie de reunião/demonstração de receitas da Bimby. Confesso que não fui de livre e espontânea vontade. Só fui convencido depois de ouvir a frase “Amor, depois da demonstração vamos jantar ao McDonald’s…”. Sim, sou assim tão fácil, basta acenarem-me com um Big Tasty e eu faço tudo o que quiserem. Literalmente… Bom, mas avancemos.

Chegámos ao local da reunião e deparei-me com uma espécie de enxame de mulheres todas excitadas com algo tão simples: o mundo da Bimby. Sentámo-nos nas cadeiras e num instante a aula estava a começar. A dada altura, olhei em redor e reparei que estava completamente rodeado de mulheres. Só haviam mais 2 homens naquela sala para além de mim. Senti um calafrio na espinha quando constatei esse detalhe. Por um lado, é bastante satisfatório para um homem estar rodeado de tantas mulheres. Por outro, isso pode ser bastante aterrador… pois trata-se de um mundo que pode ser muito assustador.

A aula principiou com duas profissionais da Bimby colocadas à minha frente, cada uma com a sua Bimby. Começaram por explicar algumas regras básicas para a perfeita utilização da traquitana. Confesso que desconhecia mais de metade dos truques e capacidades da Bimby. Uma delas referente à lavagem e limpeza da mesma, chegando rapidamente à conclusão que, por um triz, não destruí a felicidade da minha mulher, quando, uma vez, a Bimby tinha meros dias na nossas mãos e eu coloquei a traquitana a fazer sopa sem a parte de baixo que protege os contactos da bicha. Por um triz não provoquei um curto-circuito na máquina, quando reparei que a sopa estava em fuga absoluta pela parte de baixo. A minha mulher olhou para mim com aquela típica expressão de “estás a ver o filme de terror de ias causando na minha vida quando fizeste a sopa?”. De seguida, anunciaram que tipo de receitas iam elaborar e num instante já o barulho ensurdecedor da Bimby a trabalhar fazia-se ouvir por toda a sala.

Confesso que, nas mãos daquelas profissionais da Bimby, tudo parece simples demais. Eu, por vezes, fico largos minutos a olhar para a máquina a tentar perceber onde carregar e como colocar os ingredientes. Elas não. É tudo tão fácil e tão básico que estava já com vontade de sair dali e ir a correr para casa desatar a cozinhar na Bimby como se não houvesse o amanhã. Depois começaram a surgir os tempos dos enchidos, ou seja, o tempo em que a Bimby está a trabalhar e nós à espera do resultado final. Confesso que, de cada vez que esperava que a Bimby fizesse o seu trabalho, crescia-me água na boca em quantidades industriais. Ao mesmo tempo, gera-se ali uns momentos um tanto ou nada absurdos, porque temos de esperar que a Bimby leve 1 minuto para triturar gelo. O silêncio que fica na sala é ensurdecedor e, ao olhar em redor, é perceptível que todas as pessoas aproveitam aquele momento para pensar na vida. Olham para o tecto, sopram, bufam, olham para os lados, tudo em silêncio. Enquanto isso, eu apenas pensava que nunca mais chegava a hora de provar aquelas receitas todas para depois me pisgar para o McDonald’s e devorar um Big Tasty.

Provei tudo o que foi elaborado na Bimby pelas profissionais. Não gosto de sopa de peixe, mas comi. O mais engraçado é que vem tudo em pequenas quantidades, como se de um restaurante de comida gourmet se tratasse. Este tipo de aulas é excelente para quem está a pensar ir jantar fora, mas não faz a mínima ideia o quê e onde ir comer. É perfeito para servir de espécie de restaurante de entradas para a refeição que vem a seguir.

As meninas da Bimby diziam, entre as pausas em que a Bimby confeccionava mais uma receita: “então, quem é que vai para casa a seguir fazer estas receitas?” Enquanto na minha mente só pairava o pensamento: “quando é que isto termina para ir direitinho ao McDonald’s?”

Duas horas e meia depois, a aula estava terminada e as pessoas batiam palmas. Se por parte das pessoas que estavam na sala eu senti que realmente batiam palmas à aula da Bimby, eu senti claramente que batia palmas porque finalmente aquilo tinha terminado e eu podia ir finalmente jantar.

Mais tarde, sentado a uma das mesas do McDonald’s – enquanto devorava literalmente um Big Tasty – a minha mulher perguntou-me: “então, gostaste da aula da Bimby, e de todas aquelas receitas que provaste?”

Ao que eu respondi, de forma atabalhoada porque estava de boca cheia: “Adorei! Temos de repetir, porque aquelas receitas servem mesmo como entradas para depois irmos ao McDonald’s realmente jantar em condições!”

Acho que arranjei uma forma de nunca mais tocar na Bimby, pois o silêncio ensurdecedor que se gerou naquele McDonald’s depois da minha resposta foi bem claro para mim… Alguém vai passar a jantar entradas em casa a partir daqui em diante…

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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