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Vandalismo ou uma história mal contada?

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Falo (ou neste caso, escrevo) sobre as viagens de finalistas dos alunos portugueses a Torremolinos, Espanha. E, após ter visto algumas noticias sobre o caso, opto pela opção “história mal contada”.

Vejamos: a policia espanhola foi chamada várias vezes, segundo a comunicação social, por barulho. É normal. A viagem de finalistas é uma festa, assim como é uma festa académica ou um festival em Portugal. Já esteve nalguma festa em que não haja barulho? E quem diz nestas, diz em qualquer festa popular, (também) frequentada por outras faixas etárias.

As noticias dizem também que era a primeira vez que esta unidade hoteleira recebia viagens de finalistas, mas acordou com os organizadores das mesmas alimentação, animação e bar aberto em certos horários. Os organizadores dizem que, durante a semana, alertaram várias vezes o director e o proprietário do hotel que o menu era sempre o mesmo, durante toda a semana. Reparem que é um hotel de 4 estrelas, que serve, durante uma semana, sempre o mesmo menu a cerca de 1000 jovens. Para além disso, cortou-lhes, segundo a organização das viagens, citada pela a comunicação social, o prometido “bar aberto”. Tudo isto leva-me a crer que a unidade hoteleira não estava preparada (porque nunca o tinha feito) para albergar jovens que, como quaisquer outros em altura de festa, bebem um pouco demais, estão acordados até mais tarde, dormem de dia e acordam esfomeados a prontos para mais festa.

Para além disto, li também que as funcionárias tentavam fazer a limpeza de manhã. Eu não costumo frequentar muito hotéis mas pergunto: que unidade hoteleira acorda os hóspedes de manhã para poder fazer a limpeza dos quartos? Alguém me sabe dizer?

Agora vem a parte mais difícil de explicar: dizem os estudantes portugueses e as agencias de viagens que organizaram tudo como  hotel espanhol que a segurança foi reforçada. Alguns estudantes dizem que os seguranças entravam nos quartos sem a sua permissão e que os seguiam para todo o lado. A ser verdade, há uma clara violação de privacidade dos hóspedes. Mas, além disso, se a segurança foi reforçada e se os seguranças seguiam os jovens por todo o espaço do hotel, como é que há acusações de extintores a serem despejados nos corredores do mesmo? Os seguranças tinham ido ao WC nessa altura?

Um membro de uma das agencias de viagens que organizou a estadia no Hotel Pueblo Camino Real diz que o director e o proprietário lhes apresentou uma lista de estragos, no valor de cerca de 7 mil euros, um dia antes de terminar a semana paga pelos estudantes, em mais de 400€ cada. E que, quando os estudantes saíram no dia seguinte, não só a “fatura” dos estragos já tinha subido até ao valor total da caução (de 35 mil euros, se a memória não me atraiçoa), como ainda pediam à agencia de viagens mais 50 mil euros. Antes de mais, estas afirmações contradizem a expulsão: se saíram no dia em que era suposto, não foram expulsos, como alguma comunicação social anunciou. Depois, diz o referido membro da agência de viagens que a direcção do hotel só lhe mostrou uma foto de danos numa parede, mais nada. Uma parece riscada vale uma caução e mais 50 mil euros? Onde estão as imagens dos outros estragos? Estragos de mais de 50 mil euros e não há imagens? As câmaras de vigilância servem para quê?

Atenção que eu não estou a dizer que não tenha havido estragos. Claro que houve. Basta pensarmos nos relatos que vemos de estragos nas semanas académicas, nos festivais de Verão, entre outros eventos onde é costume os jovens abusarem um pouco do álcool e da animação. Alguns alunos dizem que viram coisas partidas (nomeadamente, iluminação no jardim). Mas é por isso que foi logo à partida estabelecida uma caução. E se no dia anterior à saída o hotel apresentou uma conta de cerca de 7 mil euros, como retêm depois a caução de 35 mil e ainda pedem mais 50 mil à agência de viagens?

Parece que o hotel vai fazer uma conferência de imprensa amanhã. Até prova em contrário, pelo que vi e li, parece-me que o hotel não sabia o tipo de hóspedes que ia receber (porque era a primeira vez que recebia viagens de finalistas), fez um contrato que não cumpriu na totalidade e, sem apresentar provas, está a tentar ganhar dinheiro às custas das agencias de viagens com quem contratou.

Crónica de João Cerveira
Este autor escreve em português, logo não adoptou o novo (des)acordo ortográfico de 1990

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