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A Viagem no tempo , Mário Soares, os caramelos espanhóis e a Dª Felicidade! – Mi Céu

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"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos." William Shakespeare

“Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.”
William Shakespeare

 

Há lembranças que ficam! Para sempre!

A lembrança, retém e guarda, o tempo!

Uma coisa é, o que ouvimos falar! Outra é o que os nossos olhos viram e apreenderam!

Sim, aprender, é uma coisa! Apreender, é outra! Aprender, é reter, na memória! Adquirir conhecimento, fruto da experiência e ou de consecutivas vivências! Apreender é assimilarmos, captarmos o que nos chamou atenção, no imediato!

Numa era, em que o tempo parece passar, mais rápido do que nunca! Vamos fazer uma pequena viagem no tempo e dar um pulinho há 30 anos atrás…haviam viagens que fazíamos com os meus pais, estou em dúvida, se íamos numa carrinha Peugeot 504 bege, um tom aproximado ao que se usa nas paredes ou se num Fiat 600, castanho cor de chocolate com leite!

Era eu criança, com os meus 5 ou 6 anos! Na altura, usava uns vestidos de malha, camisolas de gola alta do mesmo tecido, umas botas azul marinho (modelo igual ao ortopédico), cabelo com risco ao meio ou ao lado e um tótó feito meticulosamente, por cima de cada orelha, com os caracóis teimosos a espreitarem, por onde conseguiam! Na altura em que o meu Pediatra proferia uma frase muito peculiar, quando me via a entrar no consultório “Vem aí o Mário Soares”! Do meu rosto, sobressaíam umas bochechas gorduchas, e uns grandes olhos esbugalhados e o nariz de batatinha quase desaparecia!

Lembro-me de ir frequentemente a Espanha às compras! No Natal, para comprar os presentes! Os saldos, no Corte Inglês! Para passeio de família, também se escolhia, como destino, passar a fronteira! Mas fazer compras, tinha por norma, o sabor de uma viagem de longo curso! E bem! Eram todas bem-vindas! E bem aproveitadas pelos meus olhos curiosos e ávidos para desbravar o mundo! Havia algo de misterioso naquele destino! Pelo caminho gravava e assimilava tudo o que podia e conseguia! A retina, transformada em diafragma, acompanhava e registava cada quilómetro! E lá íamos nós! A ideia que sempre me ficou, é que lá havia muito, que por cá não existia! E de facto, naquela época, era a realidade! Entre muitas discrepâncias, havia uma notória, entre a oferta comercial de lá e cá!

Não me cansava de ver as mesmas coisas e ouvir o tagarela do meu pai fazer os mesmos relatos de histórias e situações, por onde passávamos! Ainda sou do tempo, em que existiam as Alfândegas na fronteira! Responsável pelo controle do tráfego de mercadorias e pessoas! Lembro-me, que trazíamos supostamente coisas, que não podíamos! Havia um limite para as compras / mercadorias. Caso ultrapassa-se aplicavam um imposto ou uma multa. O carro transformava-se, num autêntico labirinto de esconderijos! Todos os sítios, serviam para esconder, tudo e mais alguma coisa! A mala é um sítio óbvio! Mas por exemplo, debaixo dos bancos haviam caixas ou sacos escondidos! O mais caricato, é que quando faziam a vistoria à viatura, apesar de pequena, o meu olhar denunciava tudo! Pois tinha uma tendência terrível, para não conseguir retirar o olhar, dos sítios mais suspeitos! Antes de pararmos o carro, para a dita revista, todos os alertas e chamadas de atenção, eram repetidos pelos meus pais! Resumindo, falar eu não falava! Mas, os meus olhos inocentes, revelavam o que estava oculto!

E os lendários caramelos espanhóis? Que saudade! Uma pequena maravilha! Cá, as guloseimas eram quase, de outra galáxia! Ainda hoje gosto de os saborear! Remete-me, para a imagem, da minha doce infância! A luta de comer um caramelo espanhol! Quase deslocávamos um maxilar! Fazíamos uma figurinha, digna de um vídeo, para um programa de apanhados! Mas eram vindos dos deuses! Embora, soubesse que não os podia comer, pela alergia que tinha aos doces! Era certo e sabido que em seguida, se aproximava um exército de aftas e borbulhas amedrontarem-me dia e noite! Mas valia a pena, o sacrifício que penava, nos dias seguintes!

Hoje, por aqui as compras ou seja a parte material, passou para um outro plano! Secundário! Tudo passa por uma aprendizagem! Ainda bem! Compra-se menos! Gasta-se o mínimo! Gasta-se no essencial! Poupa-se mais! Afinal estamos em crise! Não convém esquecer! Mas actualmente, já não precisamos ir a Espanha, às compras! Ou melhor, já não compensa fazê-lo! Estamos equiparados a nuestros hermanos!

Há tanto na vida mais importante! Do que os bens materiais! Éramos crianças! Hoje, adultos conscientes do que realmente é ou não fundamental! Temos prioridades! Agora, ir para passear e viajar, é outra conversa! As experiências e os momentos ficam connosco, para sempre! Está provado que, as experiências agradáveis, nos deixam felizes por mais tempo, do que gastar dinheiro em bens materiais! Enriquecem-nos interiormente! Tornam-nos pessoas melhores! Acompanham a nossa bagagem! Acrescentam, sempre algo, ao que somos! Vale sempre a pena uma viagem! Grande ou pequena! O que nos dá, em nada, é pequeno! O que se extraí e o que retemos, é sempre valioso! Conhecer outras pessoas! Outra nacionalidade! Percepcionarmos outra realidade! Outra cultura! Outros interesses! Um sem fim de coisas! Presenciar tudo! Trago comigo no coração esse país! Não é o meu! Nem nunca será! Mas acho-o encantador! No seu todo! A musicalidade da língua! A beleza e diferenças existentes a norte e a sul! O clima! A gastronomia! A miscelânea! A diversidade! O misto e os mitos que possuem! As particularidades! O fuso horário! Viver tudo isso, é único! Faz-nos desligar aqui! Faz-nos querer entrar e inserir lá! Absorver, o que está, do outro lado! Embora não existam fronteiras visíveis, existe uma fronteira espacial, temporal e ideológica! Fronteira entre o que nos une e o que nos separa!

Já crescida, o hábito permaneceu! Ir para Espanha de férias, com os primos! Um dos registos, que ficou em memória, foi uma placa informativa que avistei! Para um caminho! Não um qualquer! Mas sim, o Caminho de Santiago! Não dizia nada, apenas tinha uma placa com um símbolo e referia se não estou em erro “Caminho de luz”! Durante muito tempo, aquilo ficou-me na cabeça, para onde iria aquele caminho e qual o seu significado? Após algum tempo, apercebi-me que se tratava de uma peregrinação religiosa! Lendária! Carregada de significado! Um retiro! Gosto bastante de caminhadas! Mas apenas este caminho, me suscitou real vontade, de o fazer como peregrino! Apreender toda a riqueza dos sinais! Descobrir o que revela a natureza de significado milenar!

A vida, é uma verdadeira estrada, que temos para percorrer! Espero, tenha ainda muito, para caminhar e desbravar! Ter caminho, para andar, é tudo o que peço! Mas gosto mesmo de me deixar levar pelo caminho! Na aventura! Sem bagagem a pesar! Sentir apenas o vento, o sol ou se for o caso a chuva, a acompanhar cada passada!

As viagens habitam-nos! Preenchem-nos! Completam-nos! Ensinam-nos! Mostram-nos! Fazem-nos querer fazer outras viagens! Conhecer outras paragens! Ver outras pessoas! Conhecer todo o encanto inerente a toda essa experiência! Por excelência! Ser peregrino é acreditar! É viver um dia de cada vez! Sem pressa! É estarmos sempre preparados para partir, para algum lugar com a imprevisibilidade de onde vamos terminar! É deixar-mo-nos levar pelo caminho, ainda que desconhecido! Sabemos que não estamos sozinhos! A partilha do caminho é igualmente valiosa e carregada de significado! O sentido é o próprio caminho! Ser peregrino é correr riscos! Encontrar limites! É candidatar-mo-nos a superá-los!

Sonho, com o dia em que, irei ser peregrino! No afamado caminho da luz! A vida, não é mais do que, um labirinto de caminhos! Uns somos obrigados a fazer! Outros fazemos por opção! Por nossa escolha! Porque precisamos e queremos ir pelo caminho! Receber, tudo o que tem, para nos dar! Levamos a bagagem vazia, para que possamos trazê-la carregada com tudo, que para nós é importante! Para nos acompanhar no trilho de outros caminhos! Este será um dos desafios para este ano! Trilhar este, outros, extensos, médios ou curtos caminhos! Todos, quantos for possível desbravar! E decifrar todos os sinais!

Existem duas formas de alcançar a felicidade: possuindo mais ou desejando menos. Sem dúvida, que a que me faz mais feliz é a segunda. Ter opções demais, como hoje acontece em quase tudo, baralha-nos! Ser feliz, é muito mais simples, do que se pensa! Colocar alguns limites nos nossos desejos! Atingir um ponto de equilíbrio! Depende unicamente de nós! Passa por, darmos valor ao que realmente, tem valor! Abandonar, o mundo das coisas, ajuda! O foco exagerado, em coisas materiais, esvazia o significado da vida! O dinheiro, só traz felicidade até ao momento, em que dá resposta às necessidades básicas. A partir daí, mais dinheiro, não altera a nossa satisfação.

Resumindo e concluindo:

A Infância é uma fase marcante! Constroem-se os alicerces, para todo o desenvolvimento humano!

A família é o meio privilegiado de educação permanente.

A lembrança evoca o passado.

Nós, somos uma mistura, do passado, do presente e do futuro!

A felicidade, traduz-se em momentos, sentimentos, comportamentos, emoções, estilo de vida, de plena satisfação!

Todos os caminhos são constituintes da felicidade! Saibamos contemplar, devidamente, cada um!

“Diz-me e eu esquecerei, ensina-me e lembrar-me-ei, envolve-me e eu aprenderei.” Benjamin Franklin

Uma semana repleta de momentos felizes, aprendizagens e novos trilhos!

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