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Vila Natal, é a terra do Mal!

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Escrevo-vos estas palavras, enquanto me encontro a um canto da sala, agarrado aos joelhos, repetindo para comigo:

VILA NATAL É A TERRA DO MAL!
VILA NATAL É A TERRA DO MAL!
VILA NATAL É A TERRA DO MAL!

E isto tudo porquê?! Porque este fim-de-semana tive a triste ideia de ir até Óbidos, visitar a “Vila Natal”. A pior invenção de todo o sempre.

Sempre gostei muito de Óbidos. O aspecto medieval, as casas típicas, as pessoas trombudas, as lojas com produtos inflacionados pela fama da cidade, a ginjinha (igual à que se vende nos hipermercados mas vendida como sendo típica, única e artesanal), entre outras tantas qualidades que esta bela localidade tem para nos oferecer.
E se ir a Óbidos é, por si só, maravilhoso. Ir nesta altura do ano só poderia ser fenomenal. Chocolate, ginjinha, amor, paz, alegria e ajuntamentos familiar. Todos os ingredientes para uma tarde bem passada… (Ou então, não!)

Ora vejamos a minha experiência pessoal:

Demorei aproximadamente 1h30 só para conseguir sair da auto-estrada. Depois, após quase ter sido preso por um GNR, só porque lhe disse, «Ó Sr. Elfo como é que se vai para a bilheteira?» e me ter escapado porque estava a causar muito transito, lá consegui arranjar um bom lugar para estacionar. Dirigi-me para a entrada, tentando não ser atropelado por nenhuma criança desenfreada, ou algum carrinho de bebé desgovernado. E lá consegui chegar. Dois duendes, que mais pareciam dois Ogres, encontravam-se à porta a pedir os bilhetes. O “Super-Elfo” pede-me o bilhete e diz: «Hummm… Mas isto é… é… EI ONDE É QUE VOCÊ VAI?!»

Confesso que senti medo, muito medo. Temi que a qualquer altura ele dissesse que o meu bilhete era falso e começasse a aviar-me pontapés, com os seus sapatos bicudos com um guizo na ponta. Mas, felizmente para mim, isso não aconteceu. Até porque nesse preciso instante estava uma senhora com 3 putos, a tentar entrar à socapa, sem bilhete.

Consegui entrar, e assim que atravesso as portas mágicas o que é que eu encontro? Aves! Muitas aves. Corujas, águias, mochos, bufos, e um ou outro que não consegui identificar. Uma delas era tão pequenina e engraçada que não resisti a apelidá-la de “bufinha”. Empurrão para cá, empurrão para lá, eis que chego junto dela. Agarro na máquina fotográfica e oiço: «QUER TIRAR FOTO ENTÃO TEM DE PAGAR! Por €5 tiramos-lhe a foto com o Bufo!» – Tal não foi a agressividade do elfo que desisti logo de pegar na “bufinha”. É que nem era pelo preço, era mesmo porque não queria compactuar com aquela exploração animal.
(Agora que olho para trás, penso: “Devia ter aceitado tirar a foto com ela. Tinha sido uma excelente oportunidade para tentar libertar a pobre “bufinha” das garras daqueles tiranos…”)

Dez passos mais à frente, um cenário Dantesco. Duas mil crianças corriam desenfreadas por todo o lado. Gritos, berros, choros e pontapés. Uma meia dúzia de anões e duas dúzias de elfos tentavam controlar as hostes, sem sucesso.

Quanto mais me embrenhava na Vila Natal, pior me parecia. Crianças penduradas em candeeiros com a forma de “bengalas”. Uma duende, velha e gorda, passava um raspanete num grupo de 3 gaiatos, que estavam a tentar arrancar a cabeça a uma rena de plástico. Dois homens, vestidos de Pai Natal, trocavam de turno em frente a um grupo de crianças de 3 ou 4 anos. Quase que juro que ouvi um dos miúdos dizer:
«Mamã… Se há dois Pais Natais?! Então porque é que nenhum deles vai lá a casa?»
Uma pouca-vergonha, meus amigos… Aquela Vila Natal é o terror de qualquer avô, avó, pai, mãe, filho ou sobrinho…

Desisti. Acabei por me vir embora. Mas desengane-se se julga que sair do recinto foi pêra doce. Sentia-me como um estudante universitário, a banhos, na praia do Meco. Magotes e magotes de pessoas empurravam-me contra a minha vontade, carrinhos de bebé atropelavam os meus preciosos pés, anões davam-me encontrões na genitália para tentarem respirar. Até que, com um tremendo esforço, lá consegui submergir junto de um grupo de senhoras idosas para depois emergir já lá fora. Estava vivo! Vivo e livre da Vila Natal…

Por isso amigo leitor, se por acaso ainda não teve a oportunidade ir a Óbidos, visitar a Vila Natal, faça um esforço, dê um pulinho por lá. Quem sabe se este não será o programa ideal para o seu próximo fim-de-semana. (Eh! Eh! Ou então, não!)

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