A Ilha Deserta – Parte 2 – Amílcar Monteiro

NOTA PRÉVIA: Para o leitor que acompanhou a história que começou a semana passada (ver https://www.maisopiniao.com/a-ilha-deserta-parte-1), tenho boas notícias: a segunda e última parte será apresentada hoje. Felizmente, não veio aqui em vão. Gostaria no entanto de ressalvar a fraca qualidade da história e a ausência de uma narrativa minimamente decente. Só para depois não vir dizer que foi uma perda de tempo ler esta porcaria, como costuma fazer a minha mãe. Para o leitor que não leu nada a semana passada, deixe-me que lhe diga o seguinte: acabou de perder uma história ÉPICA! O melhor é mesmo ir ler a primeira parte e depois voltar a este link, para ler a segunda.

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(Continuação)

Desiludido com o sucedido, o gestor convocou uma reunião, na qual discursou sobre a falta de eficácia e produtividade dos seus companheiros, emitindo novas directrizes: a construção de uma fogueira. De imediato, o copywriter cria um jingle espectacular que poderia ser utilizado para vender lareiras e começa a entoá-lo. O DJ pensa logo numa mistura brutal que podia ser feita sobrepondo esse jingle a uma batida de electro house minimal progressivo. O engenheiro informático lembra-se que uma vez desenvolveu uma aplicação para tablets que imitava o efeito de uma fogueira. Cheia de frio, a apresentadora de TV/modelo/actriz resolveu fazer um felácio ao gestor, na esperança de que este lhe arranjasse uma fogueira. O gestor esperou que ela terminasse e, depois, informou-a que fazer uma fogueira não fazia parte das suas competências.

De súbito, saído da selva, aparece um leão faminto que prontamente atacou o engenheiro informático e, mesmo depois deste ter tentado erguer mentalmente uma firewall, ainda assim não escapou. Em pânico, o copywriter começou a correr, fazendo assim a sua derradeira campanha publicitária e logo a um produto que ele nunca esperaria: fast food para leões. Escusado será dizer que a campanha atingiu o público-avo.

Neste cenário de carnificina, o gestor, o DJ e a apresentadora de TV/modelo/actriz e esconderam-se atrás de uma rocha, na esperança do leão não os ver. No entanto, à medida que ouviam a respiração do leão a aproximar-se da rocha, o gestor entrou em desespero e agiu instintivamente, seguindo o padrão comportamental que sempre adoptou na sua vida profissional: quando numa situação de ameaça, sacrificar um dos seus subordinados para se safar. Assim, agarrou no DJ e atirou-o ao leão na tentativa de o saciar. O pobre DJ foi prontamente devorado pelo animal e, durante o seu último fôlego, teve uma epifania: apercebeu-se que alguém que se limita a carregar no play num computador, sem sequer tentar misturar as músicas, não é verdadeiramente um DJ.

Sem saber o que fazer, o gestor começou a atirar pedras ao leão na vã tentativa de o afugentar, estratégia essa que se revelou bem-sucedida, deixando a fera relutante em dar a investida final. No entanto, de forma confiante e impiedosa, a apresentadora de TV/modelo/actriz impediu o gestor de atirar mais pedras ao leão, gritando que ela era defensora dos direitos dos animais e que, enquanto ali estivesse, nenhum animal seria magoado. De seguida, o leão atacou ambos, dilacerando-os sem hesitar. Depois de se banquetear com a carne das suas presas, o leão afastou-se do local, por um lado satisfeito com uma refeição tão farta, mas por outro um pouco arrependido de ter devorado a apresentadora de TV/modelo/actriz. É que, parecendo que não, a silicone é um pouco indigesta.

FIM

Crónica de Amílcar Monteiro
O Idiota da Aldeia
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