31/05/2020

A mulher e a outra

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Há algum tempo atrás, a minha amiga Joana descobriu que o marido lhe era infiel. Conheceu, acidentalmente, a amante do cônjuge e decidiu escrever-lhe uma carta:

”Olá…ponderei inúmeras vezes se deveria fazer o que estou a fazer neste momento, escrever à amante do meu marido, será uma humilhação? Um arraso na minha auto-estima? Ou uma libertação da minha mágoa? Decidi fazê-lo independentemente das consequências.

Quando li a primeira mensagem comprometedora no telemóvel do Ricardo, muitos lençóis engelhados vocês já tinham deixado e muitas juras de amor trocado. Foi um descuido dele e um sexto sentido meu (a intuição feminina que raramente falha). Se chorei quando li a mensagem? Claro que sim, nesse dia e nos dias que se seguiram…suponho que muitas mulheres não têm conhecimento dos casos extra conjugal dos maridos, não sei se isso é positivo ou negativo.

Imaginava uma mulher estonteante, morena, alta, com umas boas pernas e um belo par de mamas, imaginava uma mulher que qualquer homem gostasse de conhecer, imaginava que terias um sorriso cativante e um olhar atractivo. Uma mulher que facilmente seduzia um homem. Eu questionava-me: é por ter engordado? Ele não me deseja mais? Será da falta de paciência e das constantes discussões? É devido à longevidade da relação? A rotina matrimonial? O cansaço? Será que eu já não sou suficiente para ele? Ele já não me ama? Tantas dúvidas entre tantas lágrimas…até ao dia em que te conheci! Tu não vales nada, não és de todo uma mulher interessante, não és nada o mulherão que eu imaginei. Percebo a tua ilusão em relação a esta aventura, o meu marido mentiu-te, disse que estava prestes a separar-se da mulher, há meses que andava a pensar no divórcio, que já não a amava, que estava completamente apaixonado por ti, que queria viver contigo o mais rápido possível, para teres calma que os divórcios são complicados e demoram sempre algum tempo, que já não fazia amor com ela há mais de seis meses, mas sabes que mais? Ainda ontem eu levei-o para a cama, fizemos amor e não me pareceu nada que ele tivesse sido obrigado a tal. Achas mesmo que vocês são alma gémea? Que vão casar e viver numa casa à beira-mar? Acreditas mesmo nas merdas românticas que ele te diz quando estão juntos? Tretas. Ele não vai a lado nenhum contigo.

Não me interessa saber a tua história de vida, se é a primeira vez que andas com um homem casado, se também já foste traída, se tens filhos e família, se andas a comer três ou quatro gajos ao mesmo tempo, não quero saber, em breve serás mera lembrança na minha vida. Achavas mesmo que ias ser a mãe dos filhos dele? Que ias ser a mulher dele? Eu sou a mulher dele. Tu tens ar de puta, não serves para ser mulher de homem nenhum. És boa na cama mas isso não é suficiente. Eu também sou boa na cama, mas o tesão pela novidade quebra um casamento. Ele vai continuar esta relação mais um tempo, vão para a cama mais duas ou três vezes, até ao dia em que o encanto inicial dissipa-se, a culpa desgasta a vontade.

Provavelmente pensas que eu sou uma mulher infeliz, com a auto-estima arrasada, sem amor-próprio, amargurada por pactuar com um marido infiel, mas estás enganada, eu sou uma mulher cheia de sorte, sou casada com o homem que eu amo, tenho orgulho na minha relação, sei perdoar pois conheço o verdadeiro amor, nunca precisei de me envolver com ninguém para provar o que quer que fosse a mim mesma, sou segura e transparente nos meus actos, ao contrario de ti, que és uma mulher fraca, fácil e burra, foste para a cama com um homem casado, pensaste que era amor quando era só tesão, deste o teu corpo e prazer a um homem que já tinha as mãos suadas pela mulher.

Não te iludas ao pensar que eu estou de alguma forma a impedir o divórcio, que tenho uma arma apontada à sua cabeça a implorar-lhe para que fique a meu lado. Ele pode ir embora quando quiser, hoje mesmo, mas ele não quer, ele sabe que eu sou feliz com ele mas sem ele também.”