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Amor no Arraial

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Era noite de arraial. Uma noite quente, estrelada e ela sabia que finalmente ia conhecer o rapaz que tanto desejo tinha provocado em si. Tinha a certeza que não ia fazer amor no arraial mas talvez conhecesse o seu amor. Vestiu-se com calças de ganga e camisa azul, colocou os seus brincos, o seu colar, as suas pulseiras, maquilhou-se suavemente. Para realçar os seus olhos cor de avelã um toque suave de rimel e na sua boca um lip gloss igualmente suave. Os seu cabelos lisos, longos e negros contrastavam com a sua pele macia e branca como a neve. Agarrou na sua mala e rumou aquele lugar, onde ela previa que ia encontrar o amor da sua vida.

Era uma menina de tenra idade, sonhava com um príncipe, sabia que não vinha num cavalo branco pois à 15 anos atrás já não se usava e ela não era de ilusões. Dele pouco sabia para além do nome, da sua idade e do local onde morava que tão perto dela era tão estranho. Mas, sem saber porquê o seu coração palpitava ansiosamente como se estivesse apaixonada.

Tinham combinado ao portão de entrada, ele sabia o que ela vestia, ela não sabia nada dele. Ela imaginava-o alto, magro, moreno, assim tinha sonhado com o seu amor, contudo sem saber nada dele, confessa que se assim não fosse não tinha um plano para desistir do encontro. 

Ao longe ela avistou um rapaz numa mota, não se lembra da marca, não se lembra da cor, na verdade ela até podia recordar aqui e perguntar-lhe esses pormenores mas não foi isso que ficou na sua memória. Aquele som ficou para sempre no seu ouvido, mesmo sem saber era ele que se aproximava.

Tal como tinha idealizado, ele era alto, moreno, magro, de olhos verdes e ela apaixonou-se. Ele desceu da mota e como sabia que iria estar ali dirigiu-se a ela e sorriu-lhe. Ela não o conhecia e dele pouco sabia mas percebeu que o tão esperado momento tinha chegado, a sua face branca estava rosada como uma maçã pink lady, achava que tinha encontrado o seu amor. Entraram juntos no arraial. Naquele arraial havia de tudo, musica, bifanas, sardinhas, tudo o que se espera de um arraial, mas para eles nada mais importava.  Ele e ela pareciam conhecer-se à décadas, conversaram e ainda hoje gostavam de se lembrar do quê. Lembram-se da troca de olhares, dos movimentos, do sitio, dos cheiros, dos sabores mas não se lembram das palavras. 

A noite ia longa e longe de a quererem terminar, ele olhou-a nos olhos, colocou-lhe a mão na face, acompanhando-o no olhar deixou-se levar, ela sonhava com aquele momento e mesmo sem saber nada dele, o seu coração dizia-lhe que era o seu amor. Os seus lábios tocaram-se suavemente. Olharam em redor e perceberam que não estavam sozinhos mas a vontade de querer era maior.

Ela convidou-o para dançar e ao som de uma musica dos santos populares quase que dançaram a balada do desajeitado no meio do recinto do arraial, onde a musica que passava era tudo menos uma balada. Afastaram-se de mãos dadas, talvez tivessem ido beber uma cerveja e comer uma bifana, conversar com os amigos e aproveitar a festa. Ela trocava olhares constantes, como se a única coisa que quisesse era estar com ele e se achava que não ia fazer amor no arraial, essa vontade era crescente, mutua e as certezas essas já não eram tantas. 

A hora ia avançada, o primeiro beijo já tinha acontecido e depois de umas boas cervejas, saíram da festa. No banco do jardim ficaram a olhar as estrelas, entre risos, surgiu de novo um beijo, à medida que se beijavam o calor dos seus corpos aumentava. Ele agarrou-a firmemente e ela sentiu o bater apaixonado do seu coração, aqueles corpos cada vez mais abandonados ofegavam a cada novo beijo e as suas peles liquidas de prazer desejavam-se mutuamente. Ela estava certa que encontrara o seu amor e abandonada do seu ser, entrou num balancé de movimentos que nunca aprendera antes. Ele desapertou-lhe as suas roupas e colocou-lhe as mãos sobre os seus seios, fazendo-a explodir de prazer, era a sua primeira vez e não sabia o que sentia, mas abandonados do seu ser, entraram num balancé de movimentos. Ele tomou-a no seu colo e ela já só esperava pela consumação daquele amor que parecia explodir a qualquer momento como um vulcão cheio da sua lava. As suas peles molhadas da seiva que percorria os seus corpos fazia-os sentir o prazer que emanava daquele balancé. Amassaram-se e num forte abraço onde cabia todo o seu ser, desabrocharam simultaneamente aquele vulcão que os fazia sentir ávidos de prazer, ali naquele mesmo banco de jardim ouviram-se gemidos de prazer daqueles corpos que se tinham outrora abandonado. 

De volta ao seu ser, exausta e assustada, ela só esperava ter encontrado o amor da sua vida, depois de ter acontecido amor no arraial…

…15 anos depois recordam aquele amor apaixonadamente.

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