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A árvore de Natal do terror!

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Ah, chegou o Natal. Essa época do ano em que vemos o subsídio de natal desaparecer de uma forma tão rápida que, quando damos conta, já estamos a pensar no subsídio do próximo ano e a proferir mentalmente as palavras “para o ano só dou prendas aos miúdos, pá!”, sem nos apercebermos de que são eles que nos estoiram literalmente o subsídio de natal.

Mas o Natal não é só estoirar dinheiro. Também é época de juntar as famílias e… Ah, quem é que eu quero enganar? O Natal só serve para gastar dinheiro, sim senhor. Para gastar dinheiro, e para provocar valentes sustos e dores de cabeça – especialmente quando chega a hora de montar a árvore de natal. “Dores de cabeça quanto chega a hora de montar a árvore de natal? Como assim?”, perguntará o caro leitor, enquanto degusta uma azevia de batata doce.

A montagem da árvore de natal pode parecer uma tarefa simples de executar, mas isso só acontece quando não se tem sobrinhos ligados à corrente, como é o meu caso. Este ano, eles fizeram questão de, literalmente, obrigarem o tio a montar a árvore de natal com eles. “Ah, mas ó tio, deixa lá de ser preguiçoso, levanta o rabo do sofá e anda lá montar a árvore de natal!”, disse-me o meu sobrinho mais velho, enquanto o mais novo brincava com uma espada de plástico, tentando atingir-me no coração e gritando: “Vou matar-te, tio! Ah, vou matar-te todo!”. Numa tentativa de salvaguardar o meu coração (Sim, porque há lá coisa pior do que falecer com uma espada de plástico espetada no peito?), levantei-me do sofá e fui montar a árvore de natal com eles.

Se a tarde já estava a ser um pequeno filme de terror, o que se seguiu dava para intitular o “Sexta-feira 13” de filme para meninos. Ao retirar a árvore de natal de dentro da caixa, o mais velho quis ajudar e, obviamente, o mais novo tinha de o imitar. Na ânsia de a retirar rapidamente da caixa, o mais velho puxa-a com tal força que sai disparado e cai de cu no meio do chão, e desata a chorar. Entretanto, o mais novo – que estava a tentar ajudar – é atingido por um ramo da árvore na cara, provocando-lhe um pequeno arranhão, e junta-se ao irmão, numa cacofonia de choro. Só interrompido, quando lhes prometi oferecer um chocolate depois de a árvore estar montada (Por favor, que os chocolates nunca acabem! Pois são a única coisa que faz terminar uma cacofonia de choro desenfreado!).

Bom, minutos mais tarde lá consegui montar a árvore. Faltava agora decorar a dita cuja, com os tradicionais enfeites de natal. E novamente, o que parecia ser uma coisa inofensiva, revelou-se um terror autêntico. O mais velho começa a pendurar as bolas – uma a uma – na árvore. O mais novo, querendo imitar o irmão, começa aos berros para que o irmão o deixasse colocar igualmente as bolas na árvore. O mais velho aborrece-se com o facto de o irmão estar constantemente a puxar-lhe as calças para baixo, não vai de modas, e dispara uma bola de natal direitinha à cabeça do irmão. O mais novo desata num choro descontrolado ao qual se juntou o irmão, após levar uma palmada no rabo, tornando-se depois numa dupla choradeira infernal. Mais uma vez, tive de os acalmar prometendo-lhes mais um chocolate.

Enfeites de natal colocados, estava na hora de colocar as luzes de natal. Inocentemente, cometo o erro de pedir ao mais velho para ir buscar as luzes, que se encontravam dentro da caixa. Obviamente, o mais novo vai atrás do irmão, porque tem obrigatoriamente de fazer tudo o que o irmão faz. Enquanto eu ajeito a árvore de natal, ouço-os à guerra um com o outro atrás de mim, de volta das luzes. Viro-me para eles, e deparo-me com um cenário dantesco! O mais velho estava completamente enrolado nas luzes e lutava para se livrar delas. O mais novo, tinha as luzes à volta do pescoço e, de cada vez que o irmão se contorcia para se livrar das luzes, os puxões provocavam um aperto no seu pescoço, e quase se engasgava. Tive de pregar dois berros para que parassem de se mexer, e lá consegui desenlear o raça das luzes dos dois.

Luzes colocadas à volta da árvore e só faltava ligar à tomada, para ver o efeito que faziam. Antes de ter tempo de retirar o raio da ficha das mãos do meu sobrinho mais velho, ele apressou-se a colocá-la na tomada. Até aqui tudo normal, não fosse o facto de ele também ter introduzido – juntamente com a ficha das luzes – os dedos na tomada. Apanhou de tal forma um esticão – mais o susto que outra coisa! – que saltou de costas para o chão, trazendo a ficha das luzes atrás dele e, por conseguinte, a árvore de natal. Ora, quem é que estava no local errado à hora errada? O meu sobrinho mais novo, que é literalmente derrubado pela árvore de natal, e desata novamente num choro infernal juntamente com o irmão.

Dei-lhes todos os chocolates que tinha à mão, ordenando-lhes de seguida que ficassem sossegados no sofá a ver o canal Panda, enquanto o tio arranjava a árvore de natal. No final, constatei que lhes tinha dado todos os chocolates que estavam destinados a ir parar à árvore de natal, ficando assim sem um único Pai Natal de chocolate para abrilhantar aquela obra de arte, que era a árvore de natal…

No final, acabei por ter uma baixa de tensão – devido ao stress que uma simples montagem de uma árvore de natal, me provocou – e acabei o resto da tarde sentado ao lado dos putos a ver o canal Panda, enquanto o mais velho me sussurrava ao ouvido: “Tio, a árvore de natal ficou um cocó. Pensei que fosse mais divertido montar a árvore de natal…” Uma hora depois, estava de volta a cacofonia de choro desenfreado. Razão: estavam os dois com uma enorme dor de barriga…

Até para a semana, malta catita…

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