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As pessoas contam mesmo – Nuno Araújo

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São verdadeiras multidões que têm saído à rua, tanto no Brasil, como na Turquia, ou mesmo na Bulgária, e todas com o mesmo objectivo em mente: vontade de mudança. Um verdadeiro movimento pela mudança está a contagiar diferentes países, em diferentes zonas do globo.

Os caso do Brasil e da Turquia são mais evidentes, e mais fáceis de analisar. Sendo que os dois países são potências emergentes no plano económico mundial, simultâneamente um e outro país acolhem importantes competições futebolísticas (Taça das Confederações e Mundial Sub-20), e recebem muitos jornalistas de todo o mundo, que ao cobrirem os eventos desportivos, não deixarão de efectuar registo de manifestações, por exemplo.

Por ventura, se não ocorresse na Turquia um campeonato do mundo de futebol, em sub-20, também não haveriam manifestações de grande dimensão, mas sobretudo não haveria cobertura jornalística com direito a transmissão e análise dos acontecimentos nos canais televisivos de todo o planeta. O derradeiro teste à democracia turca teve início aquando das notícias saídas acerca de um projecto de reurbanização da Praça Taksim, situada em Istambul. A Praça de Taksim situa-se no bairro com o mesmo nome e alberga o Centro Cultural Ataturk, para além do parque Gezi, onde vários manifestantes foram detidos pela polícia turca. O primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, deu ordens à polícia para “carregar” sobre os manifestantes, e com isso deu ainda mais razões para a UE “desconfiar” do tipo de “democracia” praticada pelo governo turco (um dos três critérios de admissão de um país na UE é que o regime seja democrático, que é contrário a um regime de tipo autoritário). Os manifestantes turcos passaram então a optar por serem “manifestantes-estátua”, pois estando quietos e em silêncio, a polícia local não poderá prender ninguém, ao que parece.

No Brasil, o Movimento Passe Livre (MPL) insurgiu-se, em São Paulo, contra o aumento dos preços das tarifas dos transportes na cidade. Desde o início dos protestos, que tumultos vários ocorreram. As manifestações que tinham por objectivo protestar pacificamente contra esses aumentos tiveram intervenções mais violentas e pessoas morreram, muitas pessoas ficaram feridas, geraram-se vários incêndios, ocorreram pilhagens, enfim as situações de manifestação ficaram fora de controlo, até que a polícia repusesse a ordem, recorrendo a violência muitas vezes. Entretanto, já se verificou a presença de participantes em protestos que pouco ou nada têm a ver com a génese do MPL.

A Turquia e o Brasil são países com economias em crescimento, mas cujas classes-médias (ou burguesias) estão em formação, em virtude de serem países que só ainda há pouco tempo reduziram as percentagens colossais de pobreza. Essas camadas populacionais estão a reivindicar direitos, que são nada mais nada menos os artefactos que as democracias oferecem aos seus cidadãos para lutarem por uma vida digna, com trabalho, casa e alimentação. Estas situações de concentração de manifestantes, que criticam por um lado os milhões de euros gastos pelos governos turco e brasileiro, portanto feitos com o dinheiro dos contribuintes, de eventos desportivos, ao invés de investir esse dinheiro em melhor saúde, mais e melhor emprego, mais direitos sociais, entre outros.

Se a violência gerada no seio de manifestações pode advir de elementos “infiltrados”, que nada mais pretendem do que semear a desordem no interior de protestos pacíficos, então também se deve admitir a hipótese, ainda que meramente académica, de que as forças policiais de um e outro país podem transmitir a forma de fazer política de um governo, isto é, se são ou não autoritaristas, abusando de autoridade.

Uma palavra para a Bulgária, onde há manifestações que duram há mais de uma semana. Neste país, a transparência é apenas um tema “para tertúlias”, visto que até a comissão europeia liderada por Durão Barroso se envergonha de comparecer em fotos públicas com líderes búlgaros. Em Sofia, milhares de pessoas têm-se feito ouvir nas ruas por não concordarem com o facto de um actual deputado, conotado com um grande grupo financeiro local, ser o novo líder dos serviços secretos. O governo búlgaro só foi empossado há pouco mais de três semanas, mas o grau de insatisfação é demasiado grande há já demasiado tempo.

A Bulgária tem fronteira terrestre com a Turquia, país com manifestações de enormes proporções. E a Bulgária e a Turquia fazem fronteira com a Grécia, onde um partido da coligação governamental saiu do executivo. E o independente Chipre, ilha mediterrânica, convive com a parte norte da ilha, que está ocupada pelas autoridades turcas há mais de 50 anos. E Chipre, país sob assistência financeira do FMI, é um local geoestratégico no Mar Mediterrâneo, muito procurado por turistas russos, e que se situa muito próximo da Síria, país onde se trava uma das guerras mais bárbaras dos últimos vinte anos. Uma zona, em suma, que é um autêntico “barril de pólvora” prestes a explodir.

ELEIÇÕES NOS PELOURINHOS 2013

Em Lisboa, Fernando Seara viu a sua candidatura ser “chumbada” pelo Tribunal da Relação alfacinha. O cabeça-de-lista do PSD, actual presidente da Câmara de Sintra, há já três mandatos, vê assim que a sua situação, de claro “dinossauro” político, faz com que seja ilegal a sua candidatura à autarquia lisboeta.

António Costa, actual presidente da Câmara de Lisboa e candidato à reeleição pelo PS, “soma e segue”. Assinou um acordo com Helena Roseta e José Sá Fernandes, ambos vereadores independentes mas em coligação na lista de António Costa, para os próximos quatro anos. Esse acordo prevê a consolidação e desenvolvimento das políticas realizadas nestes últimos anos, em que Lisboa tem progredido bastante na área da reabilitação e regeneração urbana.

Por falar em reabilitação e regeneração urbana, que dizer da situação em que se encontra o Palácio Cristal, o também chamado Pavilhão Rosa Mota, no Porto? Esse processo está parado, foi já recuperado em parte pela actual presidência da Câmara portuense, da responsabilidade de Rui Rio, mas daqui até às eleições nada será feito, muito provavelmente. Então, que dizem as candidaturas às autárquicas na cidade Invicta?

Para finalizar, e porque não é meu hábito elogiar um político do PSD, devo “aplaudir” sem reservas a atitude de Rui Rio, em efectuar pequenas melhorias na Avenida da Boavista. Apesar de ser morador na zona de Lisboa, conheço essa artéria portuense, e devo dizer que já há muito tempo que era necessário realizar obras de beneficiação. Essas pequenas intervenções, pouco dispendiosas ao que se sabe, serão muito importantes para a qualidade de vida dos cidadãos da “Capital do Norte”.

 

Crónica de Nuno Araújo
Da Ocidental Praia Lusitana 

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