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As praias algarvias perderam toda a piada…

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Agora que o longuíssimo e sempre tão anualmente aguardado mês de Agosto está a chegar ao fim, acho que finalmente posso abordar um tema que me tem andado a moer o juízo – tal e qual uma daquelas comichões que surgem em algumas partes do nosso corpo, mas que, por mais que cocemos de forma bastante veemente, nunca conseguimos realmente chegar ao seu epicentro. É um tema que por um lado vai provocar alguma celeuma junto dos patriotas que amam – em excesso, por vezes… – o seu país, mas que por outro lado esses mesmos patriotas vão compreender os meus motivos para intitular de “As Praias Algarvias Perderam toda a Piada” esta crónica.

“Então, por que raio é que o raça das praias algarvias perderam toda a piada?”, perguntam os meus caríssimos leitores e super mega hiper patriotas, munidos de uma bandeira portuguesa às costas – numa espécie de “Super-português”, o herói que veio para salvar as praias algarvias dos bandidos – e de um pin verde e vermelho ao peito com os dizeres “I Love Portugal”.

Meus caros patriotas, as praias algarvias perderem toda a piada, essencialmente, devido a um pequeno e particular flagelo que…

“E que raio de flagelo é esse?”, interrogam os meus caríssimos leitores patriotas.

(Aqui para nós, eu acho que vocês deviam parar de me interromper, está bom? É que marquei uma massagem com “happy ending”, e queria ver se acabava de escrever isto antes de chegar a hora da marcação da massagem. Pode ser? Ora muitíssimo obrigado. Vamos então prosseguir…)

Falo de um flagelo de que fui alvo nas férias de Agosto, em plenas praias algarvias, e que tanta dor de cabeça me deu…

“É a falta de espaço para as tolhas, não é? Odeio quando isso acontece…”, pergunta o patriota de boné vermelho da Sagres.

Não, meu caro amigo patriota… Não se trata disso, apesar de a falta de espaço para colocar as toalhas nas praias algarvias seja, de facto, deveras irritante…

“Ah, já sei! São os putos a jogar à bola que nos atiram com toneladas de areia para cima, e que por vezes até levamos com a bola!”, vocifera o patriota que está sentado numa esplanada a comer caracóis…

Não, meu caro amigo… Não se trata desse flagelo em particular…

“Ah, eu cá sei o que é! É devido ao excesso de totós que não sabem espetar correctamente o chapéu-de-sol na areia, e que assim que surge uma pequena rajada de vento eis que o chapéu se solta e desata a agredir veraneantes sem dó nem piedade!”, diz o patriota que se encontra a fazer uma tatuagem com a frase “Amor à Pátria”, numa loja de tatuagens algures numa recôndita viela do Bairro Alto.

Não, meu caro amante de tatuagens patriotas. Apesar de ser deveras aborrecido levar com um chapéu-de-sol no lombo, não é esse flagelo a que me refiro.

“Oh, já sei o que é! É o facto de as águas algarvias este ano estarem geladas pra caramba!”, diz o veraneante munido de uma sunga e havaianas estampadas com a bandeira de Portugal e com uma tatuagem na perna direita a dizer “CR7” que está numa praia algarvia, sentado na toalha, a mirar as “bifas”.

Não, pá… Não é nada disso… apesar de, qualquer dia, uma pessoa vai dar um mergulho numa praia algarvia e pode correr o risco de se esbarrar num urso polar.

“Ah, então já sei do que se trata, pá! Então é…”, ia dizer o patriota que está num centro comercial algarvio, dentro de uma loja de recordações, a comprar um pequeno galo de Barcelos para oferecer a um primo que está emigrado em França, e que veio passar as férias de Verão ao Algarve…

Pchiu! Agora acabou! Chega de me interromperam, senão nunca mais termino o raça da crónica.

Eu estou a referir-me a um flagelo muito particular que tem assolado as praias algarvias nos últimos anos, mas que só este ano eu senti na primeira pessoa o quão inconveniente pode ser. Não se trata de existir falta de espaço para as toalhas. Nem sequer dos putos que nos enchem de areia e boladas sempre que decidem jogar à bola na praia. Ou os totós que não sabem espetar os chapéus-de-sol na areia. E muito menos o raça das águas que têm estado um gelo! Falo sim, meus caros amigos patriotas, das bolas de Berlim!

Não das bolas de Berlim em si, mas do flagelo que é sempre que vamos a uma praia algarvia e temos a intenção de comer uma bolinha de Berlim – com creme, atenção. Porque sem creme é para maricas… – e esperamos horas e horas e o raça do vendedor não aparece por nada deste mundo. E isto acontece sempre no dia em que mais desejamos comer o raio da bola. E ficamos ali, horas e horas, a olhar para todo o lado na esperança que o homem das “Boooliiiiinnnhas” apareça, mas nada. E desesperamos. E damos por nós a salivar. A produzir quilos e quilos de baba que se acumula dentro da nossa boca. Sentimos o estômago a ranger, como se estivesse a implorar ao seu carrasco por clemência. E o raça do homem não aparece. E chega uma altura em que damos por nós a odiar o homem das bolas de Berlim. Em que frases como “Agora se ele aparecer, já não como!” ou “Ai dele que me apareça à minha frente agora! Ai, dele!” surgem na nossa mente, mas que sabemos que não passam de meros desabafos frágeis sem qualquer nexo.

Mas eu tenho uma solução para isto, meus caros amigos… Eu proponho – e segurem-se bem que isto vai ser estrondoso! – que se crie uma espécie de “Borda-de-Água das bolas de Berlim” para que os veraneantes possam saber, antecipadamente, quais os dias e horários em que os vendedores irão para as praias algarvias vender as malditas (malditas de tão boas que são…) bolas de Berlim. Tratem lá de resolver este pequeno flagelo, antes que comecem a surgir – no Correio da Manhã, obviamente… – notícias de assassinatos de vendedores de bolas de Berlim nas praias algarvias.

Pronto, agora está na hora de ir para a minha massagem com “happy ending”. Desejem-me sorte para que a massagista seja sueca, norueguesa ou dinamarquesa, em vez de chinesa, está bom? É que a definição de “happy ending” para os chineses pode ser bastante assustadora…

Isto é que é uma Vida de Cão, hem…

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