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Capitães da Rua

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Um bando de catraios, sem eira nem beira, a correr pelas ruas, sem regras nem leis!

De calça rota no joelho, raspanete prometido….

Capitães da rua, encostados a uma cabana, feita de tudo e mais alguma coisa, onde as gotas de orvalho da manha faziam questão de entrar, e molhar os velhos livros de banda desenha, em que nunca se pegou!

No bolso de trás, uma fisga feita de um galho de uma árvore franzina, presa por um fio de câmara-de-ar de um pneu de bicicleta! Era suposto irmos aos pássaros….Nunca apanhei um pássaro, nem o quis fazer, preferia fazer mira para os vidros da velha casa abandonada, sobravam poucos!

Em jeito de pausa, enquanto o velho ioiô deslizava por entre o fio, numa viagem que algumas vezes acabava na nossa cabeça, conversávamos sobre tudo e mais alguma coisa, jogos, desenhos animados, filmes, asneiras!

Perdidos no tempo, jogávamos as escondidas horas a fio, sem querer saber de mais nada, senão ser criança.

Não saíamos de perto uns dos outros enquanto não caísse o fim de tarde, éramos assim, bandidos inocentes, loucos, traquinas, crianças. Eramos felizes, com pouco, muito pouco.

Ao longe, ouvia-se o relógio da igreja a bater nas sete, era a hora, hora de despir o fato de capitão de rua e voltar a casa em silêncio absoluto e comprometido!

Enquanto a noite caía os olhos vencidos pelo cansaço de ser criança, fraquejavam, e ternamente adormeciam!

O temido capitão da rua era apenas isso, um menino, cujo mundo não tinha limite, e os seus sonhos também não!

Ainda hoje é assim, porque o mundo só tem os limites que a gente lhes dá, e os sonhos esses serão sempre nossos!

Sejam capitães, todos os dias, sorriam e não deixem de ser crianças!

Não se esqueçam de recordar e sonhar porque a vida é feita de sonhos!

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