31/05/2020

As Cinquenta sombras de Grey

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Olá leitores, não quero parecer obcecada com o Mr. Grey, porque, há alguns meses atrás, já escrevi uma crónica sobre o fenómeno literário de E.L. James, e também não quero maçar os leitores com um assunto que já foi debatido, lido, falado, comido e…isso mesmo que está a pensar, obviamente que após a minha ida ao cinema ( de realçar que eu só vou ao cinema para ver Shrek, Toy Story, Madagascar e essa malta toda), para ver o filme do ano – As Cinquenta sombras de Grey – tinha que escrever uma crónica sobre o filme.

Nós somos um povo desgraçado, sabiam? Passamos a vida a criticar tudo e todos. Nós somos peritos em criticar relações amorosas e formas diferentes de praticar sexo. Felizmente, eu tenho uma mente saudável e madura, e criticar negativamente não é a minha forma de estar na vida.

Gostei muito do filme, gostei essencialmente da historia de amor entre os dois protagonistas. Está muito bem filmado, as cenas de sexo são ligeiramente eróticas, não se tornam vulgares, as cenas de sadomasoquismo estão fortes, mas sem se perder a qualidade das cenas amorosas, e consegue-se perceber o sofrimento e prazer de ambos. Jamie Dornan está um Mr. Grey à altura, com as calças de ganga e a camisa branca a assentar-lhe que nem uma luva, oh my god! Mas a grande surpresa foi Dakota Johnson, que está simplesmente perfeita na personagem de Anastasia! A actriz conseguiu captar toda a personalidade de Anastasia, a sua inocência, de olhar doce e ao mesmo tempo provocador. Consegue transmitir ao publico a sua adoração por Grey, o seu sofrimento por não entender o distanciamento que ele exige. Diria até que, ao contrario dos livros, em que Mr. Grey é a personagem principal, no filme Anastasia rouba-lhe facilmente o protagonismo. Além de expor o seu corpo, e Dakota tem um corpo fantástico, ela representa a fragilidade da mulher quando está loucamente apaixonada. Confesso até, que, se me dessem a oportunidade de escolher entre Mr. Grey e Anastasia, escolhia a Anastasia, nunca estive sexualmente com nenhuma mulher (embora esteja na minha lista das dez coisas que irei fazer antes de bater as botas, a menos que bata as botas amanhã), mas a interpretação de Dakota está tão bem desempenhada que, quando acabou o filme, fiquei com a sensação de que ia dormir mais quente nessa noite por causa de Anastasia e não pelo Grey.

A comparação negativa que fazem entre os livros e o filme é facilmente explicável, o Mr. Grey que eu, com 29 anos, fantasiei aquando da leitura do livro, não é igual ao Mr. Grey que a minha aluna de quinze anos visualizou, nem igual ao Mr. Grey que a minha amiga cinquentona fantasiou, e é por isso que o livro vendeu milhares de exemplares, porque não tem a ver com mulheres casadas frustradas, nem com mães carentes de sexo puro e duro, nem com adolescentes virgens que querem se tornar promiscuas, tem a ver com a imaginação e as fantasias da mulher, e isso é terreno que homem nenhum consegue invadir, e o filme obriga-nos a abrir mão dessa fantasia que criamos com o livro, porque Mr. Grey está ali em carne e osso, um belo pedaço de carne permitem-me dizer.

“Nos meus pensamentos e fantasias sou totalmente livre…e isso ninguém me pode roubar ou comprar.”

Autor Desconhecido