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Clássico: Quem acabou por ganhar foram os espectadores com insónias

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Sono. Foi desta forma que todos os espectadores ficaram após terem assistido ao Benfica vs Porto deste passado Domingo. O tão apregoado “jogo do ano”, acabou por se revelar entediante e maçador, levando ao resultado mais injusto para quem gosta de futebol: 0-0. Contudo, quem esperou até ao fim ainda teve uma oportunidade única de sair da monotonia imposta pelos 22 jogadores, vendo uma cena de comédia protagonizada pelos dois treinadores.

Os mais de 63 mil adeptos presentes no Estádio da Luz mereciam mais. O ambiente que proporcionaram e o espetáculo que deram, faziam antever um jogo que fosse ao encontro das expectativas pelos próprios elevadas. “O jogo do título”; “o melhor jogo da época”; “o embate épico” e mais um sem número de títulos e frases proferidas no sentido de engradecer o duelo entre o 1º e o 2º classificado. O elevar de expectativas não foi o problema, ou pelo menos não devia ter sido. Isto porque de um plantel como o do Porto e de uma equipa tão avassaladora em casa como a do Benfica, só se esperava um jogo mais aberto, afoito e com várias e boas ocasiões de golo. Nada disso aconteceu. Foram 90 minutos de um futebol enfadonho, fechado e pouco atractivo. Uma completa desilusão para todos os que se interessam mais por futebol do que por insultar o adversário, atirar bolas de papel para o relvado ou queixar-se de cada decisão da equipa de arbitragem.

Apesar do mérito justamente dado a Jesus, já se sabia que o treinador encarnado não ia encarar o duelo com o seu rival espanhol de uma forma escorreita e vocacionada para o ataque. O “fantasma Kelvin” e todas as outras assombrações passadas atormentaram o técnico encarnado que optou pelo mais aborrecido: fechar-se em copas tentando gerir o jogo. O clássico foi disputado com alguma intensidade, mas com um excesso de preocupação com o adversário. Os momentos de pressão eram bastantes, os erros forçados imensos e as faltas entraram no excesso. Um nó que o treinador da equipa da Luz não só não desatou, como ainda fez por atá-lo mais, criando todas as condições para o seu tão desejado resultado: o empate. De Jesus já se esperava algo parecido, porém, o mesmo não se pode dizer do seu colega de posto, Julen Lopetegui. O espanhol tinha de vir à Luz assumir o jogo, mandar no mesmo e sobrepor-se a todas e quaisquer eventualidades que pudessem surgir. O Porto estava 3 pontos atrás dos seus rivais e só a vitória poderia acalentar a esperança no título. Só vencendo poderiam respirar mais desafogadamente. Era isso que era expectável, a procura pelos 3 pontos. Todavia, o espanhol mais “chorão” de Portugal resolveu surpreender todos – algo que tem sido uma constante – e , mesmo com 5 alterações em relação ao onze do fatídico dia em Munique, fazer o oposto. O clube da cidade invicta não foi dominador – ao contrário do que afirma o seu treinador – e deixou o jogo cair numa monotonia perigosa que apenas favorecia o seu adversário. O jogo chegou ao fim e ambas a equipas contaram com apenas uma(!!!) oportunidade de golo cada. Jogadas de perigo foram poucas mais e momentos de interesse só mesmo depois do jogo. Muito pobre espetáculo este que opôs as duas melhores equipas portuguesas. E a culpa é dos seus treinadores.

Pegando nos treinadores, sobretudo num em específico, é algo que está fora do alcance e da percepção de alguns, a tentativa de se descobrir como é que o F.C.Porto com este plantel – ao nível de um top europeu – consegue não ser campeão. Pior, como é que consegue, no jogo mais importante da época, apresentar um futebol tão sem sal baseado no medo de perder quando a vontade de ganhar devia superar esse medo. Lopetegui está a bater recordes. Não com números, mas com gestos, opções e atitudes. Tudo isso vai fazendo dele persona non grata por todo o sitio que passa. Pegando exactamente nessas atitudes, o final do jogo, que animou qualquer adepto que não desligou logo a televisão, foi de um nível de decadência que está ao alcancce de poucos. Isto da parte dos dois treinadores. Quando não se sabe empatar – que vale como uma derrota -, algo vai muito mal. A pressão está a ser acusada e o feitio do técnico portista fará com que não se consiga voltar a levantar. Uma pena para quem gosta de futebol e um gostinho especial para todos os que odeiam o Porto mais do que gostam do seu clube. Tantos que existem nestas condições. O certo é que é triste ver este descontrolo emocional quando não se conseguiu chegar onde era expectável e quando não se conseguiu ganhar porque se teve medo de perder.

Foi desta forma que se passou o “jogo do título”. Um jogo sem ponta por onde pegar que apenas terá tido interesse para os pseudo-entendidos da bola. Esses vão dizer que os momentos de pressão foram excelentes, a intensidade foi monstruosa ou que a forma de defender foi sublime. Para aqueles que esperavam uma réplica decente das equipas com os melhores plantéis do país, foi uma desilusão. Num jogo onde ambos estavam mais preocupados em não perder, quem ganhou foi quem tem insónias.

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