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O Meu Clube é a Seleção – Somos 11 Milhões e Somos Campeões

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  Dasse… ganhámos o Euro! Podia ter escrito esta crónica a semana passada logo pela fresquinha do 1º dia do resto das nossas vidas como campeões mas, em homenagem ao Quaresma estive uma semana em celebrações. Não sou grande fã de futebol, mas a nossa seleção é outra conversa. E a verdade é que ser emigrante e ver a nossa nação em campo traz um sentimento completamente diferente!

  No geral o Euro 2016 foi um campeonato sem graça, com poucas emoções, poucos golos, muitos empates e prolongamentos. Estavam todos a jogar à defesa… Parecia que andava tudo com medo… Iam à bola devagarinho,  quase a adormecer o espetador, mas também já viram aqueles relvados?  Acho que não houve um único jogador em todas as equipas que não se tenha esmerdado pelo menos uma vez. E as bolas? As bolas pareciam cobertas de vaselina, escorregadias, quero eu dizer!

    Mas sempre acreditei. Sempre disse e continuarei a dizer o mesmo. Entramos sempre “ui quase que não passávamos” e vamos sempre longe. Mais uma vez fomos até ao fim e desta vez trouxemos uma Taça. Lembro-me dos sentimentos do Euro 2004 onde acreditei até ao fim que ganharíamos. Dizia eu que, como bela novela portuga, “Perdemos o primeiro mas agora ganhamos o último com a mesma equipa”… enganei-me. Mas essa derrota não me deixou triste, envergonhada ou revoltada. Deixou-me sim orgulhosa da seleção pelo excelente campeonato e por este povo de coração e alma nobre. Não fui aos jogos mas morava mesmo ao lado do Estádio da Luz. Ao lado do café que frequentava assiduamente com o meu grupo de amigos, a junta tinha montado um ecrã gigante num pequeno campo de vólei. Foi aí que vi a grande final do Euro. Quem é que eu tinha ao meu lado? Um Grego!

  Estava eu equipada de camisola, cores da bandeira na cara, mãozinhas que faziam clap clap prontas a celebrar, cachecol, toda eu pintalgada e senta-se a meu lado um senhor grego. Estava ali sozinho porque os amigos tinham ido para o estádio ver se conseguiam bilhetes para assistir à final. Falava um inglês barroco mas servia para nos entendermos. A nossa companhia agradou-lhe tanto que, quando os amigos lhe ligaram a dizer que tinham conseguido bilhetes, ele disse que ficaria ali connosco a assistir ao jogo, e assim foi.

  Quando o nosso hino começou, o senhor levantou-se connosco e chorou enquanto cantávamos orgulhosamente. Quando a Grécia marcou golo celebrou livremente. Quando Portugal quase marcava, levanta-se connosco, mas não com receio que marcássemos, estava a sofrer connosco pois via aquela equipa heroicamente a não desistir e a dar tudo por tudo. Quando o jogo terminou, abraçou cada um do nosso grupo, chorou e agradeceu. Levou com ele as minhas mãozinhas, o cachecol e um momento que nunca mais irá esquecer de um povo que tem fairplay e assume uma derrota, por mais penosa que seja.

  O futebol é um desporto único. Ele faz revelar nas pessoas, nos povos, nas nações o que de melhor e pior existe na sua essência. Enquanto uns deixam transparecer xenofobia, racismo, preconceito, extremismo e um chauvinismo que valha-nos a santa, outros revelam a sua essência pura repleta de humildade, heroísmo e perseverança. A essência de uma nação batalhadora, sonhadora e que nunca desiste por mais espezinhada que seja.

  Voltando a este ano, ao fim ao cabo, provámos mais uma vez como somos um povo cool. Somos uns gajos bonzinhos, simpáticos e porém incompreendidos por esse mundo fora. A nossa filosofia é poupar o esforço e não prejudicar ninguém a não ser que estritamente necessário. Senão vejamos… Dá para avançar no campeonato com empates? Ok, então “bora lá!” Ah agora é preciso ganhar? Bom, então vamos lá ganhar esta merda! Força nas Canetas!

  A Hungria teve uma postura connosco que adorei. Após 3 golos marcados para cada lado, passavam a bola relaxadamente em bom fairplay simplesmente porque não fazia diferença ganharem…estavam ambas as equipas apuradas. Já no jogo Polónia, após o primeiro (e único) golo dos polacos, andaram ali a ganhar tempo a passar a bola como quem goza com a nossa cara e nós é que fazemos mau futebol?

  Dei por mim a falar sozinha e alto, revoltada mesmo, a sentir uma grande injustiça. Somos alvo de críticas severas e impiedosas das redes e comunicação sociais. Como é que a inveja e o ódio por um único jogador podem provocar tanto desprezo por uma nação? Não fizemos mal a ninguém, pá! Críticas por todo o mundo, DJ’s de meia tijela com comentários racistas e diminutivos (vais levar com um processo em cima que até andas de lado, oh badameco!), petições ridículas de quem tem mau perder.

  Temos um jogador que é crucificado porque exibe relógios de 4 mil euros, casas e carros de luxo, patrocina a irmã e oferece uma melhor vida à família? Queriam que vivesse à pobre? Se eu tivesse o dinheiro dele bem vos digo o que fazia. Punha-me a dormir uns 6 meses para uma lipo e outros ajustes básicos, depois tatuava-me dos pés à cabeça (bom…se calhar metade do corpo aproveitava para tatuar enquanto estava nos 6 meses de sesta), casinha em frente à praia e com piscina para quando não me apetecesse sujar com areia, patrocinava as minhas extravagâncias (tipo escrever livros enquanto me banhava na piscina), mimar família e amigos (só os que existiam pré-riqueza), um estúdio gigante para cantarolar, viajar que nem uma maluca no meu jato com os meus cães, muitos sapatos e cenas assim e claro, apoiar as muitas causas em que acredito!

  O quanto a imprensa mundial procura aquela foto que ridicularize o melhor do mundo, a sério que me transcende. Não vejo fotos do Messi ou qualquer outro jogador. Porquê o Ronaldo? Porque é o melhor, porque tem um six pack invejável, porque faz anúncios à caspa e a roupa interior ou não gosta de perder nem a feijões por isso tem (TINHA) o seu dinheiro no “BEXARRENDER”?

  Ou será porque é um tipo simples e humilde e que joga futebol como nunca ninguém jogará, que doa os seus prémios às Nações Unidas e outras organizações e paga cirurgias e tratamentos a quem não tem como fazê-lo. OK, tem bastante dinheirinho e precisa de apresentar despesas para o bem do seu IRS mas ainda assim precisava fazê-lo? Provavelmente não? Mas se o capitão não se importa, eu também não… Agora chega de CR7 e vamos falar da seleção e da nação. O Pepe e o Patrício estiveram excecionais neste campeonato, o Renato foi uma alegre revelação, Éder… aquela máquina.

  Fazemos um jogo nojento e aborrecido? Portugal- Hungria foi aborrecido? Golo pra lá, golo pra cá, golo pra lá, golo pra cá e por aí adiante. Foi somente o jogo com mais golos marcados, tirando França – Islândia (que nem margem para suspense deixou porque a vitória rapidamente se tornou clara), ou ainda Alemanha-Itália que também foi um jogo para fazer “ó ó” e só no final é que a coisa aqueceu…nunca vi tanto penalti falhado! Até em penaltis se tornou entediante de tanto que demorou (se bem que se fosse Portugal tinha tido um ataque cardíaco). Mas ainda assim somos entediantes… Só não estivemos tanto tempo em penaltis com a Polónia porque eles insistiram em falhar mais do que nós.

  Ganhámos de forma ilegítima? Houve algo que não foi claro ou que deixou margem para dúvidas no golo do Éder? Quase nunca ganhámos e fomos sempre a tempos adicionais? Isso só revela duas coisas: Primeira: Não marcamos mas ali também não entra nada (Rui Patrício és GRANDE, excelente prestação em todo o campeonato, especialmente na final); Segunda: A equipa adversária é tão entediante quanto nós pois também não marcam nem deixam marcar! Não fomos agressivos nem em campo nem fora dele, adeptos exemplares, espírito exemplar e ainda assim somos um cocó…

  Depois ainda a desculpa esfarrapada de #Hashtags para justificar o facto de a Torre Eiffel ter as cores de França e não as de Portugal…curiosamente sempre foram as cores de quem ganhava mas justamente na final ninguém estava a falar de Portugal…Éramos só 11 MILHÕESSSSSSSSSSSSSSSS sem acesso à rede!

  Mas nem tudo é mau… Pelo contrário. O mundo celebrou connosco. Não… não falo apenas da Europa. Falo das ex-colónias por onde passámos,  falo de Timor, Canadá, Austrália, e até de uma cidade de nome Malaca, o terceiro menor estado da Malásia e onde o povo assistiu ao jogo de Portugal às 3 da manhã, vestidos a rigor.  Portugal não deixa ninguém indiferente. Ver o mundo e tantos países a celebrar como se do país deles se tratasse, ver a euforia de Benny McCarthy ou a torre CN iluminada com as cores de Portugal aquece-me o coração.

PORFRA 10Jul2016 por MM (151) PORFRA 10Jul2016 por MM (132)

  Quanto a Espanha, mais precisamente Catalunha, o fenómeno Ronaldo/Portugal é um pouco controverso pois na maioria, aqui em Barcelona não podem nem ouvir falar dele e Portugal leva um pouco por tabela, mas eles também não ligam muito à Seleção deles, aqui a Seleção é o Barça… mas por outro lado tive Espanhóis (de Madrid) no dia do jogo com a Polónia a dizerem-me “hoje sou português e que ganhe Portugal porque adoro o Ronaldo!

  Como com todo o tuga que se preze somos o povo sempre em modo “Drama Queen”… tudo nos acontece, até ficarmos sem o capitão na final depois de uma grave falta não apontada! Assisti aos últimos jogos na TV Espanhola pois até aí estava a assistir na RTP1 mas, quando a Hungria marcou o primeiro, disse ao D. “vou mudar de canal que isto não está a correr nada bem”. Mudei para a TV Espanhola e logo depois marcamos e vamos conseguindo garantir o nosso lugar aí… nunca mais quis ver a RTP1. Superstições, portanto. Tal eram o meu nervoso que inventei termos novos. Era “O jogador está fora de mão pá” ou sobre a Polónia, “esta empresa está a fazer um jogo muito feio”. Emocionei-me a ouvir os comentadores espanhóis “às armas às armas”, “TEMOS de marcar para GANHARMOS” como se fosse a Espanha que estivesse a jogar.

  Sou uma flor de estufa, chorei quando o Ronaldo foi ao chão, pasmei-me com a magia daquela tracinha que lhe pousa na cara e ele nem a enxota (de quem seria aquela alminha? Dizem alguns espiritualistas que borboletas são almas dos nossos entes queridos). Acredito que as borboletas tê algo de muito mágico Para aqueles que me responderem “oh Sofia tas vesga? Aquilo era uma traça”… Prefiro pensar que era uma borboleta a voar em low cost. Emocionei-me e arrepiei-me a ver Portugal festejar como nunca antes havia visto, com pena de não estar ali para partilhar esta vitória. Fez sentir mais orgulhosa e nacionalista.

  Por tudo isso, a verdade é que o que tenho lido magoa. Magoa como portuguesa e magoa como injustiça perante uma seleção que ganhou de forma nobre, humilde e justa.

  Não foi só a taça do Euro que trouxemos, também o Hóquei em Patins, Judo, Surf Júnior como tantas outras taças e medalhas que temos vindo a acumular por todas as modalidades. Essas passam mais despercebidas mas há que assumir que o futebol move o mundo de uma forma exclusiva. Até novos campeonatos, mantenho o sonho de ganharmos as taças todas que houver, porque como diz o capitão, sonhar e grátis!

  Conclusões: O Ronaldo esteve brutal? Não. Fomos fenomenais? Não. Tivemos uma performance exímia? Não. Somos heróis? Sim! Trouxemos a Taça? Sim! É precisamente por sermos tão medíocres que ganhámos o Euro 2016! Só sei que, lesões à parte, fiquei feliz pela ausência do CR7 na final porque mostrámos ao mundo que Portugal não é só Ronaldo, que a seleção não tem apenas o melhor do mundo mas sim os melhores do Mundo e que com ou sem Ronaldo conseguimos ganhar. Grande chapada de pelica, em grande estilo! À conta do Euro pedi dupla nacionalidade, agora sou Luso-Portuguesa! Toma, incha, agora é a dobrar!

golo

Facto: Se o Griezmman é tão bom é pela sua ascendência lusa!

  Mais um prognóstico certo… já me estiquei na dimensão do texto mas desta vez vá, tenho desculpa. E agora se me dão licença vou comprar uma camisolinha da seleção porque adoro aquele verde, cai-me bem com o bronze mediterrânico. Je suis Campeona J

Ass. A Fraude Portuga

 

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