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Canonização de Papas, Violência no Brasil…

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Continuo mais uma semana a resistir à tentação de falar sobre o Benfica, deixando para o final da época o necessário balanço e após conhecerem-se todos os resultados mais importantes, internos e externos. Também me vou escusar a falar em política nos 40 anos do 25 de Abril.

Esta semana, destacaria dois assuntos, sobre os quais também se tem falado alguma coisa na comunicação social.

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O primeiro assunto, sem que isso signifique que para mim seja o mais importante, tem a ver com a preocupante eventual impreparação (talvez esta seja a invenção de uma palavra, seguindo o exemplo de Assunção Esteves) do Brasil tanto para o próximo mundial de futebol, como também para os Jogos Olímpicos de 2016. O problema de (in)segurança que temos assistido pela televisão ameaça fazer deste mundial de futebol – um dos mais aguardados quiçá competitivos das últimas décadas – num fracasso. Talvez não a nível desportivo, mas principalmente a nível organizativo e até político. O povo mais humilde e ostracizado do Brasil (e sabemos como este país irmão é um lugar de contrastes) está descontente com o governo devido aos excessivos gastos com os estádios – novos ou remodelados e para os quais há dinheiro – em contraposição com o povo que se encontra sedento de melhores condições de saúde e educação, que não consegue obter, porque, alegadamente, o orçamento não chega para tudo.

Esperamos (todo o mundo) que as revoltas das favelas não cheguem ao interior, nem sequer aos subúrbios dos estádios e centros de estágios das equipas. No entanto, toda a agitação vista em todo o mundo pela TV, poderá vir a inibir potenciais visitantes aos estádios para presenciarem os jogos de futebol e, por conseguinte, também ausentes no país e, por isso, poderá vir a existir no Brasil uma provável diminuição do impacto financeiro positivo que um evento do género poderia trazer para o país, pelo menos, que justifique o investimento nos estádios.

Não tenho dúvidas nenhumas que os jogos principais irão ter “casa cheia”, porém não me admiraria nada que muitos dos visitantes venham a fazer os possíveis para sair do avião e entrar no estádio para assistir ao jogo e no seu final, sair do estádio e entrar no avião, sem que o país beneficie alguma coisa com o trânsito desses milhares de pessoas.

Esperemos que, nestes pouco mais de 1 mês para o início do mundial, a situação se altere e nada disto que eu estou a prever venha a acontecer na realidade.

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O segundo tema mas não menos importante para mim que gostaria de abordar esta semana tem a ver com a dupla canonização de dois antigos Papas pelo actual Para Francisco. Foram eles o Papa João XXIII, que pontificou no auge da revolução moderna da segunda metade do século XX, ou seja, nos anos 60. De um Papa do qual, na altura pouco se esperava, por ter já uma certa idade e ser assumido que seria um Sumo Pontífice de transição, o facto é que o seu Papado, apesar de relativamente curto, tornou-se num dos mais importantes da era moderna, pois foi através da sua decisão de convocar o Concílio da Igreja Católica, que se proporcionaram muitas transformações na mesma e na sua forma de Evangelização. Foi João XXIII que decidiu iniciar os trabalhos do Concílio Vaticano II, não tendo terminado no seu Pontificado, mas o importante é que foi dele a decisão de iniciar o processo. Por esse motivo, marcou definitivamente a história da Igreja Católica e dos seus fiéis e muitas alterações foram assim proporcionadas. João Paulo II, o simpático e popular Papa polaco, cujo Pontificado foi um dos mais longos da história da Igreja (cerca de 26 anos), obteve a canonização praticamente em tempo “record”. João Paulo II foi o Papa que mais países visitou até hoje e mais Evangelizou um pouco por todo o mundo, tendo sido recebido em todos esses países, Católicos ou não, como um ser especial e iluminado. Sofreu ainda atentados à sua saúde, era um grande amante de Portugal e de Nossa Senhora de Fátima, tendo visitado o nosso país por diversas vezes.

Apesar de todas estas descrições, não são estas as razões que determinam que a Igreja passe a considerar “Santos” dois homens. Para que isso aconteça é necessário a abertura de um processo de Canonização através das declarações e provas da existência de milagres, normalmente relacionados com a reversão de problemas de saúde irreversíveis, aos olhos da ciência e comprovados por esta. Por isso, mais razões para que todos aqueles que acreditam em Deus e na existência de outro mundo de vivos não visível pelos mortais, que continuem a acreditar e que todos aqueles que colocam dúvidas, possam assim questionar-se, refletir e obter informação mais concisa acerca desta temática.

Numa altura em que, caso único na história, existem dois Papas (um no activo e outro emérito – aposentado) estes momentos foram únicos para os crentes e provavelmente irrepetíveis, durante o percurso das suas vidas por este mundo.

Crónica de Rafael Coelho
A voz ao Centro 

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