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Dança comigo, bela Christine – Conto

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Ela seguiu-o pela escuridão da escadaria, a penúltima das vezes que viria pela sua própria vontade. Ela receava pela sua saúde, era por isso que continuava a vir. Era o que continuava a dizer para si mesma. Ela precisava da sua voz, especialmente naquela caverna escura em que vivia. Ela recusava-se a acreditar que o amava mais do que um amigo, um professor. Era tudo o que ele era para ela. Era o que dizia para si mesma, dia após dia.

Ele guiou-a, incerto do motivo pelo qual ela continuava a voltar todas as vezes. Ele queria que assim fosse porque ela o amava, mas algo lhe dizia eu ela não o iria admitir, mesmo que ele usasse o seu poder especial. Ele sabia que ela precisava do poder da sua voz, que se tornou morfina para si. Ele não a iria tocar, não até saber que ela o permitia. Ele guiou-a até ao sofá e indicou que se sentasse. Nenhuma palavra foi revelada. Ele sentou-se ao piano para tocar, mas não sentiu qualquer vontade de roçar os dedos nas teclas brancas e pretas.

O gato mirava, sentindo o feminino olhar pousado sobre ele, determinada a fazer com que saísse e que pudesse ficar com o homem só para si. Mas algo estava diferente. O gato olhou quando ele hesitou em tocar a sua bela música.

“Eric? Há algo de errado?” A jovem senhora perguntou ao homem mascarado.

“Eu não quero tocar esta noite.” Ele murmurou, o seu tom de voz estragado, petulante.

“Gostarias que eu cantasse?”

“Não. Gostaria que me ensinasses algo.” Ela levantou o olhar, sobressaltada e de repente assustada.

“O quê, Eric?”

“Podes ensinar-me a dançar, Christine?”

“Aqui?” Christine estava confusa pelo olhar assustado nos seus olhos.

“Sim. Está tudo bem. Eu entendo que não queiras.” Ele virou-se de costas para ela e afagou o pelo do gato siamês que estava sobre o piano. O gato arqueou as suas costas e olhou para Christine, dizendo-lhe, mais uma vez, que tinha ganho. Christine fuzilou o gato com o seu olhar.

“Porque não o faria?” Ela disse baixinho. Eric virou-se surpreendido “Apesar De tudo, tu ensinaste-me a cantar, porque não iria eu ensinar-te a dançar?” Não deixarei o estúpido gato ganhar desta vez, pensou para si mesma. “Que estilo gostarias que eu te ensinasse? Eu não sou muito boa, mas sei alguns passos.”

“Aquilo que tu quiseres. “Ele murmurou, chocado com o facto de ela ter aceitado o seu pedido. Ela concordou e avançou na sua direção. Gentilmente pegou na sua mão e colocou-a sobre a sua anca. Ele estava sem acção, quase uma marioneta nas suas mãos.

Ela pegou na sua outra mão “Levanta o teu braço e mantem-no firme.” Ele obedeceu, os seus braços estavam ao mesmo nível. Ela colocou a sua outra mão no seu ombro, notando o quão leve era o seu toque na sua anca. “Agora, segue apenas a minha liderança. Se conseguires acompanhar, poderás ser tu a liderar futuramente.” Ele concordou.

Os seus passos encaixavam-se na perfeição e Eric apanhou o ritmo facilmente e passou a liderar. Rapidamente, estavam a dançar por toda aquela casa escura.

Ela sorriu numa completa euforia, fechando os olhos. Ele puxou-a para junto de si, ainda de toque leve, mas agora agraciando as suas costas. Ela abriu os seus olhos e focou nos seus “Eric, estás feliz?”

“Mais feliz do que alguma vez estive, Christine. Muito obrigado.”

“Posso… Tirar isto?” Eles pararam de dançar, a mão de Eric tencionou-se em volta da sua.

“Porque perguntas isso?”

“Eu não estou assustada com a tua cara, Eric. É apenas uma cara.” Ele olhou-a fixamente, e vagarosamente retirou a máscara. Christine não se chocou ou assustou com a sua reacção. Ela olhou para toda a sua cara.

“De que é que tens medo, então?”

“Quando estou contigo, nada. Quando estou sozinha ou com outro, de ti.”

“Fico contente que admitas isso agora.” Ele ia abandonar o seu esbelto corpo, mas ela agarrou a sua mão novamente. “O que é?”

“Gostarias de dançar comigo toda noite, bela Christine?”

The end

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