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Dia do pai dedicado à Mãe

Dia do Pai dedicado às mães

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Este texto não é dedicado ao meu pai, nem ao pai do meu pai, nem a nenhum pai em particular. Este texto de Dia do Pai é dedicado às mães, à minha mãe, à mãe da minha mãe, às mulheres em especial.

Eu sou fruto de uma relação efémera e imatura, uma relação com o rótulo de findável porque o amor só resulta quando os dois amam. Os tais (des)encontros da vida que mudam o acaso para destino. Eu nasci e a partir daqui a vida foi caótica.

A minha mãe, assim como muitas mães, era mãe solteira, com duas filhas ainda pequenas, rotulada pela sociedade, dependente de familiares, tinha três trabalhos, rendimentos baixos, vivíamos numa pobreza camuflada. A minha avó tomou conta de mim tinha eu quatorze dias de vida, os anos passaram…

Eu disse a primeira palavra, tu não ouviste. Chorei quando nasceu o primeiro dente, tu não me deste colo. Andei no carrossel na Feira popular, tu não estavas lá. Quando ficava no hospital internada, não eras tu que ficavas comigo. No meu primeiro dia de aulas fui sozinha. O meu primeiro castigo, nunca soubeste. O meu primeiro beijo também não. Reuniões na escola, nunca te vi por lá. As minhas professoras nunca conheceste. Eu fui à praia de Granja apanhar conchas, tu não estavas. Eu fui à fronteira de Espanha comprar chocolates, tu não acompanhaste. Eu fiz anos tu não estiveste comigo. No ano seguinte fiz anos, cantamos os parabéns e comemos bolo, tu não apareceste. Recebi o diploma do 4º ano, tu não estavas sentado na cadeira à beira dos outros pais. Nunca abrimos prendas juntos na noite de Natal. A prenda do dia do pai, nunca chegaste a receber. O meu primeiro livro não foste tu que me deste. O colo, o beijo de pai, as mãos de apoio, os conselhos, os passeios, as cócegas, as gargalhadas, o olhar terno e paternal…nunca soube de ti o seu significado. As fotos da minha infância, não apareces em nenhuma. Os anos passaram…

O meu primeiro grande amor não chegaste a conhecer. O meu primeiro desgosto amoroso, não me ajudaste a sarar. As amigas que tive, nunca as conheceste. As dificuldades que tinha a matemática, nunca me ajudaste a estudar. Os poemas que escrevi na escola, nunca os leste. A primeira vez que pisei um palco, tu não estavas no público a aplaudir. Sempre que precisei de um pai, tu não estavas presente. Os anos passaram…

O tempo já não volta atrás, nunca mais, nem que tivesses mil anos de vida conseguirias compensar todo o desapego que a tua ausência me ensinou. Quando me lembro daquela menina triste de cabelos compridos à espera do seu Herói que nunca chegou a aparecer…a menina cresceu e já não precisa de ti, pai.

Feliz dia do pai, mãe!

1 Comment

1 Comment

  1. Carlos Fernandes

    19/03/2019 at 22:35

    Deixa lá, em compensação tens muitos amores, com as tuas crônicas as pessoas apaixonan-se por ti.

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