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Dia dos Namorados – o dia que sabe a pouco!

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Tinha 6 anos quando recebi a primeira prenda do dia dos namorados. Eu, feia de dar dó, desdentada, branca como a cal, com o cabelo cheio de piolhos, sempre vestida com a mesma roupa – saia de ganga, meias de calça, camisola larga de cores verde e vermelho – fita na cabeça, tinha dois namorados, o Bruno e o Edgar (não se espantem leitores, já nessa altura eu gostava de namorar, algum problema? ). O Bruno era o meu preferido (as mulheres tem sempre um preferido, fica a dica a preço zero, não precisam de agradecer leitores ), ele era um mulato cheio de pinta, com uns caracóis  que o faziam o mais querido da sala. O Edgar era louro, baixinho e mais tímido. O primeiro enviava-me papeis recortados à mão, onde escrevia: “O que importa não é a cor, o que importa é o amor”. Haverá atitude mais querida do que estes bilhetes? A professora Teresa apanhava os bilhetes e além de ficarmos de castigo na sala de aula, ainda levávamos nas mãos, com uma régua de madeira enorme. Foi precisamente no dia dos namorados que eu dei o meu primeiro beijo na boca, um beijinho a cada um, mas acabei por dispensar o Edgar “não sou mais tua namorada!”, só porque o coitado do rapaz não me ofereceu nada nesse dia, enquanto que o Bruno ofereceu-me um ramos de flores e uma caixa de bombons, pois é leitores, eu já era esperta com seis anos, “não tens nada para me dar? Então andor, pira-te se faz favor!” Na realidade, eu adorava toda aquela atenção e mimo, eu, possivelmente a criança mais carente da sala, que chegava a casa e não tinha um colinho materno e paterno à minha espera, enchia-me o coração fraco de amor, todos os bilhetinhos, cartinhas e beijinhos.

Esta foi apenas uma pequena introdução, para explicar aos leitores que ao contrario de quando era miúda e adolescente, que ficava sem dormir na noite anterior ao dia dos namorados, andava feita parva uma semana antes, a pensar no que ia oferecer, na surpresa que ia fazer, no que iria receber…hoje não ligo nenhuma a este dia. Não gosto muito de coisas combinadas e obrigatórias, gosto muito mais do inesperado, a data 14 de Fevereiro funciona como uma espécie de obrigação entre os casais, ai do homem que não oferecer rosas vermelhas à namorada, ai da namorada que não usar, nesse dia, as meias de liga e as cuecas vermelhas rendadas que o marido lhe ofereceu, ai do casal que não for ao cinema ou jantar a um bom restaurante, ai do casal que não terminar a noite a dar umas valentes kekas (sim, nesse dia tem que ser no plural, uma keka não chega para pagar as meias de liga e o jantar à luz das velas). Se, nesse dia, os maridos e companheiros, arrumassem a casa, passassem a ferro, fizessem o jantar, aturassem os putos o dia todo e a mulher fosse todo o dia para o ginásio e seguidamente para o spa e cabeleireiro, era a melhor coisa que podiam fazer por nós! Fica a dica leitores, dica à Sandra Castro, totalmente de borla!

E hoje fico por aqui, porque tenho de ir descansar, amanhã à noite terei um tal de Mr. Grey à minha espera, eu e mais umas centenas de gajas que não têm mais nada para fazer…aparentemente Mr. Grey além de bonito, charmoso e com um corpinho impossível de punir, é louco por sexo selvagem, doido pela namorada e é podre de rico! Claro que só podia ser num filme…

“Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira.”

 Pablo Neruda

Feliz dia dos Namorados!

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