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Diktat – imposição linguística

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Perante os últimos acontecimentos na Universidade onde estudo, serei obrigado a recuperar um tema já abordado, bem como a concentrar-me num estilo de texto que não é o meu: pessoal, na primeira pessoa, falando assumidamente de um para muitos.

Recebi recentemente, num grupo do facebook em que todos os alunos do mesmo programa de mestrado estão inscritos, a seguinte informação:

“Despacho do Sr. Reitor: é obrigatório escrever as dissertações conforme novo acordo ortográfico.”

Poderia ficar por aqui e deixar cada um tirar as suas conclusões, até porque a verdade é que não há muito mais a dizer. Sugiro apenas uma reflexão introdutória ao assunto e depois cada um irá às suas vidas. Mas qual despacho? Onde está? Posso lê-lo? Seria, no mínimo, lógico que se facultasse o dito documento quando se lança uma bomba destas. E é obrigatório? Como assim? Cada instituição pode, consoante o vento, decidir como é que as pessoas que a frequentam devem escrever?

Perante o cenário actual em que ninguém sabe quais os países que assinaram e aprovaram o acordo e o querem fazer entrar em vigor, parece-me desadequado torná-lo obrigatório numa instituição académica. Se a legislação obrigar (e mal) que todos os artigos sejam escritos dessa forma, já fará mais sentido. Mas como, apesar da tremenda confusão e de ninguém saber ao certo o que está e o que não está em vigor, temos conhecimento da não obrigatoriedade (pelo menos para já) de escrever de determinada maneira, o despacho do Sr. Reitor deixa de ser lógico. Se já é custoso para muitos terem ou termos de escrever uma dissertação com todos os limites impostos, permitam pelo menos que se possa escrevê-la à vontade, sem restrições linguísticas e em português.

O que digo é que, tendo as coisas chegado ao estado a que chegaram em que parece impossível sair do pântano, não faz qualquer sentido introduzir esta obrigatoriedade. Tivesse tudo corrido antes de outra maneira e, mesmo que ainda não fosse legalmente obrigatória a nova escrita, poderia compreender melhor a recente imposição. Agora, assim, não. Tentando procurar a estranha origem e os alicerces desta súbita ideia que consiste em tornar obrigatório o uso (apenas numa instituição específica) de um novo acordo linguístico entre vários países com a mesma Língua, não chego a lado nenhum. Não consigo. Quando muito, esperaria um despacho informando que, perante o cenário actual, é “permitido” (como não podia deixar de ser) aos alunos escolher entre uma ou outra forma de escrever. A imposição é assustadora. O Diktat apavorante.

Esta decisão conduzirá a um caos gigantesco em que todos os textos de dissertação apresentarão uma estranha mistura entre uma e outra forma de escrever. E não sei se tal é mais problemático para quem escreve, se para quem lê. Mas ninguém sai a ganhar. Por tudo isto, resta saber qual a flexibilidade para quem se recusa a escrever segundo o novo “acordo”. Tentaremos, pelo menos, fazer-nos ouvir.

Levantemo-nos do Chão!

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