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A educação em Portugal

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Actualmente, encontro-me a trabalhar na área da educação/ensino e até podia afirmar, embora possa ser rotulado como arrogante, que sou aquele que colmata as falhas deixadas pelos meus colegas de profissão. Estranhamente, não sou o único a constatar que existem inúmeros buracos na educação e pasmem-se se vos disser que estes também são apontados por esses mesmos colegas. Isto faz algum sentido? Não e vejamos porquê…

Talvez não seja descabido recordar que a educação/ensino em Portugal se tornou gradualmente uma referência. A pouco e pouco conseguiu-se combater o analfabetismo, tornando o ensino obrigatório e alargando essa obrigatoriedade até ao 12º ano. Cientes das dificuldades financeiras que sempre nos acompanharam (afinal de contas a TROIKA já cá esteve mais do que uma vez), criaram-se igualmente medidas/apoios para estimular a frequência escolar. O conteúdo, ou melhor, o programa escolar também sofreu uma alteração significativa. Em vez de se memorizarem caminhos-de-ferro e todas as estações e/ou apeadeiros existentes em Portugal começou-se a leccionar o que realmente interessava. A chegada dos computadores não causou indiferença nem estranheza, muito pelo contrário, estes foram introduzidos na educação/ensino com a criação de uma nova disciplina, as TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação). O auge da tecnologia em sala de aula culminou com a chegada do Magalhães, essa invenção chinesa que teve uma esperança média de vida curta, assim como o reinado do ex-Primeiro Ministro José Sócrates. Em suma, do dia para a noite formaram-se a qualificaram-se inúmeros indivíduos, fazendo com que houvesse mais “doutores” do que empregadores.

O cenário atrás descrito seria quase perfeito, à excepção da última frase, se não tivéssemos um Nuno Crato com a pasta da educação e da ciência. Até ao momento não compreendo se este adoptou os ideais do movimento renascentista e/ou iluminista, mas o facto é que a educação está novamente a sofrer transformações significativas, isto é, está a deseducar-se. Os professores passaram a ser avaliados, supriu-se o leccionamento de determinadas disciplinas, fecharam-se dezenas de escolas, mais professores desempregados e os resultados estão à vista: desmoralização destes profissionais, mas também dos alunos.

De repente, ir à escola tornou-se um sacrifício e digo isto porque cada vez que me cruzo com um aluno antes e pós-escola o seu olhar é idêntico, ou seja, apático. A acrescer a este facto ouço uma centena de vezes a seguinte reclamação “mas eu não percebi nada na aula”. Após algum tempo, consegui compreender o porquê de tanto alarido. Parece que alguns colegas que leccionam disciplinas do ensino básico, e até primário, dão as suas aulas em jeito de docente universitário, isto é, projectam os temas em PowerPoint e estão pouco ou nada receptivos a tirar dúvidas. Assim, quem acompanhar acompanhou, quem não o fizer… Bem, isso já é problema meu, literalmente! Os manuais passaram a ser dispensáveis, excepto na carteira dos pais desses alunos que no início de cada ano lectivo até se endividam, se necessário for, para que nada falte ao seu mais que tudo. Além da ausência dos manuais, também se dispensa a realização de exercícios para assimilar a matéria dada, porque “não há tempo”. O melhor é fazer em casa e “quando houver tempo, corrigimos”.

É com pesar que abordo esta questão e com conhecimento de causa. Não deixa de ser curioso comparar o meu tempo de estudante com o actual e reparar que já não o reconheço. Compreendo a desmotivação dos muitos profissionais da área da educação que apenas reflectem o triste projecto de Nuno Crato, mas lamento que se “vinguem” naqueles que ainda querem aprender…

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